Desde sua estreia em 2003 com o disco The Soul Sessions, Joss Stone vem firmando seu lugar no cenário da música atual como grande voz da nova geração do soul. Seus trabalhos em Mind, Body & Soul (2004) e Introducing Joss Stone (2007) mostraram ao mundo que além de boa intérprete, a moça também sabia compor. E mesmo que o seu Colour Me Free (2009) tenha sido de qualidade inferior, repleto de temas mais bobinhos, teve um valor simbólico importante: era o manifesto da cantora em busca de sua liberdade criativa.
O resultado de todo esse processo de maturação musical e pessoal levou ao que vemos este ano: LP1. Após ter visto o teaser das gravações do disco, me surpreendi. O vídeo esboçava uma nova abordagem em relação à música. Joss deu mais corpo à própria voz, afastou-se um pouco do soul e incorporou uma seriedade até então inexistente na obra da garota. No alto de seus 24 anos, Joss Stone dá um recado para o mundo: ela tem talento e está disposta a mostrar que está se aprontando para virar uma diva da música.
Uma peça que me parece fundamental para a compreensão do processo de composição e gravação do álbum é a participação de Dave Stewart. Ele deu à Joss a experiência de uma vida dedicada à música e a solidez de uma sonoridade mais rock n roll. Estes elementos, a meu ver, foram fundamentais para o resultado final do disco. Resultado este que é, talvez, a obra mais original de toda a discografia de Joss Stone. Repleto de personalidade e inovação, LP1 veio para firmar a garota de Dover em novos patamares de importância dentro da música.
Mesmo que LP1 ainda esteja longe de ser um disco perfeito, ele nos mostra há um espaço grande para crescimento dentro da obra de Joss. Se ela vai se manter dentro desta linha mais pesada, ou se vai retornar ao seu usual soul, isto realmente não importa. O que vale é a demonstração do que ela pode fazer; a versatilidade de sua bela e poderosa voz. Sons como Karma, Don’t Start Lying To Me Now e Somehow mostram a competência da cantora em manter ritmos mais fortes, assim como as baladas Newborn e Cry Myself To Sleep garantem que Joss ainda sabe manter aquele seu romance característico presente, ainda que de forma mais adulta agora.
No geral, diria que se trata de um bom álbum. Mais um daqueles que estão fazendo de 2011um ótimo ano para a música, além de um começo muito promissor de uma década vindoura. Em relação à Joss, resta-nos agora esperar o rumo que ela irá dar à sua carreira. Ela tem talento para ser o que quiser ser, basta esforço, vontade e comprometimento com sua carreira e com ela mesma.




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