Sister Rosetta Tharpe – Live In Paris 1964 (1988) - 192kpbs
1 - Up Above My Head I Hear Music In The Air - 4:04
2 - Jesus Is Everywhere - 2:50
3 - Precious Memories - 3:40
4 - Go Ahead - 3:24
5 - Two Little Fishes, Five Loaves Of Bread - 3:02
6 - Down By The Riverside - 2:45
7 - This Train - 4:38
8 - Up Above My Head I Hear Music In The Air - 3:23
9 - Take My Hand Precious Lord - 4:39
10 - That's All - 2:09
11 - When The Saints Go Marching In - 3:25
12 - How It Rains - 3:35
13 - Just A Closer Walk With Thee - 4:03
14 - Joshua Fit The Battle Of Jericho - 3:53
Etta James – Rocks The House [Live] (1963) - 320kbps
1 - Something's Got a Hold on Me - 5:02 2 - Baby, What You Want Me to Do - 4:14 3 - What'd I Say - 3:15 4 - Money (That's What I Want) - 3:22 5 - Seven Day Fool - 4:20 6 - Sweet Little Angel - 4:14 7 - Ooh Poo Pah Doo - 4:04 8 - Woke Up This Morning - 3:38 9 - Ain't That Lovin' You Baby * -2:51 10 - All I Could Do Was Cry * - 3:21 11 - I Just Want to Make Love to You * - 3:40
* previously unreleased bonus tracks
Etta James - Vocals David T. Walker - Guitar Marion Wright - Bass Freeman Brown or Richard Waters - Drums Gavrell Cooper - Sax (Tenor) Vonzell Cooper - Organ
VA - Roll and Tumble Blues: A History of Slide Guitar (2004) - 256kbps
Disc 1
1. Guitar Rag - Sylvester Weaver
2. Jack O'Diamond Blues - Blind Lemon Jefferson
3. Mama, 'Tain't Long Fo' Day - Blind Willie McTell
4. Mother's Children Have A Hard Time - Blind Willie Johnson
5. Midnight Weeping Blues - Nellie Florence
6. Worried Blues - Frank Hutchinson
7. You Can't Keep No Brown - Bo Weavil Jackson
8. Toad Frog Blues - Walter Beasley
9. Falling Down Blues - Furry Lewis
10. Happy Head Blues - Bobby Grant
11. A Darkie's Wail - Riley Puckett
12. Chocolate To The Bond - Barbecue Bob
13. So Lonesome - Ramblin' Thomas
14. Bedside Blues - Jim Thompkins
15. Sweet Sarah Blues - Darby & Tarlton
16. Roll & Tumble Blues - Hambone Willie Newbern
17. Jake Bottle Blues - Lemuel Turner
18. Weak Minded Blues - Willie Baker
19. A Spoonful Blues - Charley Patton
20. Last Time Blues - Charlie McCoy
21. K.C. Blues - Frank Hutchinson
22. My Black Mama - Son House
23. Fence Breakin' Blues - Shreveport Home Wreckers
24. Cold Woman Blues - Blind Joe Reynolds
25. The Panama Limited - Washington White
26. Paddlin' Madeline Blues - Gitfiddle Jim
1. Frisco Blues - Bayless Rose
2. Never Drive A Stranger From Your Door - Willie Harris
3. Slow Mama Slow - Sam Collins
4. Sewing Machine Blues - Jimmie Davis
5. Whoopee Blues - King Solomon Hill
6. Decatur Street 81 - Georgia Browns
7. No No Blues - Curley Weaver
8. DeKalb Chain Gang - Fred McMullen
9. Experience Blues - Ruth Willis
10. Ash Can Blues - Cliff Carlisle
11. Things 'Bout Coming My Way - Tampa Red
12. Hard Road Blues - Buddy Moss
13. Moanin' The Blues - Allen Shaw
14. Weave Room Blues - Dixon Brothers
15. Packing Trunk Blues - Leadbelly
16. W.P.A. Blues - Casey Bill Weldon
17. The Twelves - Kokomo Arnold
18. Slow Wicket Blues - Darby & Tarlton
19. Wild Cow Blues - Big Joe Williams
20. Come On In My Kitchen - Robert Johnson
21. Po' Boy Bukka White - Bukka White
22. Homesick & Lonesome Blues - Blind Boy Fuller
23. Little Boy Blue - Robert Lockwood
24. .Don't Sell It (Don't Give It Away) - Oscar Woods
25. Friar's Point Blues - Robert Lee McCoy
26. County Farm Blues - Son House
1. I Be's Troubled - Muddy Waters
2. Black Ice - Black Ice
3. I'm Gonna Take It Easy - Gabriel Brown
4. Baby How Long - Dan Pickett
5. Blind's Blues - John Lee
6. Jailhouse Blues - Lightnin' Hopkins
7. Swing Low, Charlot - Sister O.M. Terrell
8. Sweet Black Angel - Robert Nighthawk
9. You're Gonna Miss Me - Muddy Waters
10. Applejack Boogie - Pinetop Slim
11. Ramblin' Johnny Shines
12. Single Man Blues - Frankie Lee Sims
13. Dust My Broom - Elmore James
14. I Ain't In The Mood - Donna Hightower
15. So Nice And Kind - St. Louis Jimmy
16. Down At The Depot - John Lee
17. Fish Tail - Johnny Shines
18. My Kind Of Woman - Homesick James
19. My Baby's Coming Home - Hound Dog Taylor
20. Country Boy - Muddy Waters
21. Freight Loader - Erick Clapton & Jimmy Page
22. Talk To Me Baby - Fleetwood Mac (featuring Jeremy Spencer)
23. Do You Give A Damn For Me? - Peter Green
24. Steelin' - The All-Stars (featuring Jeff Beck)
25. Meet Me In The Bottom - Brian Knight & Toni Vines
26. Rollin' & Tumblin' Blues Band (featuring Dave Kelly)
Muddy Waters - Down On Stovall's Plantation (1966) - 192kbps
1 - Country Blues - 3:27
2 - I Be's Troubled - 3:05
3 - Burr Clover Farm Blues - 2:55
4 - Ramblin' Kid Blues (#) - 1:10
5 - Ramblin' Kid Blues - 3:17
6 - Rosalie - 3:02
7 - Joe Turner (Vocals – Louis Ford) - 2:46
8 - Pearlie May Blues (Vocals – Percy Thomas) - 3:24
9 - Take a Walk With Me - 3:04
10 - Burr Clover Blues - 3:13
11 - I Be Bound to Write to You (First Version) - 3:22
12 - I Be Bound to Write to You (Second Version) - 2:52
13 - You're Gonna Miss Me When I'm Gone #1 - 3:22
14 - You Got to Take Sick and Die Some of These Days - 2:08
15 - Why Don't You Live So God Can Use You? - 2:08
16 - Country Blues #2 - 3:34
17 - You're Gonna Miss Me When I'm Gone #2 - 3:41
18 - 32-20 Blues - 3:22
The Historic 1941-1942 Library of Congress Field Recordings.
Tracks 1 to 3: Recorded Stovall, Mississippi, August 24-31, 1941
Tracks 4 to 8: Recorded Stovall, Mississippi, July 24, 1942 (Son Simms Four)
Tracks 9 to 13: Recorded Stovall, Mississippi, July 24, 1942
Tracks 14 to 18: Recorded probably Clarksdale, Mississippi, possibly July 20-24, 1942
Muddy Waters - Guitar, Vocals
Charles Berry - Guitar
Louis Ford - Mandolin, Vocals
Henry "Son" Sims - Guitar, Violin
Percy Thomas - Guitar, Vocals
Alan Lomax - Producer
O Grateful Dead foi uma das maiores bandas de rock da história, não há dúvidas sobre isso. Os caras formaram uma identidade única, com uma sonoridade que influenciou gerações de artistas. Mas nem só de rock viveram os deadheads: não, há muito mais fundido naquele som que transitava entre a psicodelia, o blues, o country e outros estilos de raiz, constituindo, junto com gente como a The Band, por exemplo, as bases do que hoje é chamado de "Americana" (a saber, um gênero que une essas raízes em um som único). The Music Never Stopped, coletânea lançada em 1995 pela Shanachie Records, constitui-se, portanto, como uma viagem através dessas origens musicais dos Deads. A coletânea reúne versões originais de músicas que o Grateful Dead já gravou e a capa, da autoria de Robert Crumb, mostra esses artistas tocando para um grupo de deadheads.
Começando com Obray Ramsey, um instrumentista das antigas conhecido pelo seu trabalho com o banjo, The Music... nos leva através do folk, do country, do blues, do R&B e do early rock n roll junto com gente graúda como as lendas Woody Guthrie, Bob Dylan, Marty Robbins, Merle Haggard, Rev. Gary Davis, Howlin' Wolf, Jimmy Reed, Bobby "Blue" Bland, Chuck Berry e Buddy Holly. Mas, além dessas unanimidades, há espaço também pra gente que, como o Obray, não chegou a ficar muito conhecida por aqui, como o cantor de country blues Henry Thomas, e Bonnie Dobson, cantora e compostiora canadense de folk, além das maravilhosas Dixie Cups, tradicionalíssimo grupo de Nova Orleans, e do cantor e guitarrista das Bahamas, Joseph Spence. Olhando para os nomes representados nessa coletânea, dá pra notar que a "Americana" já tinha começada a surgir muito antes de o nome sequer ser cogitado. Também podemos concluir que a riqueza musical do Grateful Dead se deve, além do talento dos caras, a essa variedade de influências onde eles buscaram inspiração
Fred McDowell nasceu entre 1904 e 1907 no Tennessee, na pequena Rosswell, perto de Memphis. Filho de agricultores, Fred seguiu a mesma trajetória de boa parte da primeira geração dos músicos de country blues: trabalhou na lavoura e depois em um moinho, nas horas vagas, tocava em festas locais - às vezes ganhava uns trocados, às vezes não recebia nada. Recebeu o apelido, "Mississippi", mais tarde na vida, quando se mudou para Como, no referido estado. Foi lá que, em 1959, o lendário folclorista Alax Lomax "descobriu" McDowell e o apresentou para o resto do mundo.
Figura chave do "renascimento" do blues nos anos 60, Mississippi Fred McDowell tem por marca registrada o slide, técnica que aprendeu ao ver um primo do pai executá-la usando um osso. O bottleneck do hill country blues de Fred marcou época em canções como "Shake 'Em On Down" e "You Got To Move", e também através dos músicos que ele influenciou, como Bonnie Raitt e os Rolling Stones. Apesar da admiração que ele recebia dos músicos de rock, McDowell afirmou: "I don't play no rock 'n' roll."
A famosa frase dá nome a este disco que postamos hoje, I Do Not Play No Rock 'n' Roll, a primeira gravação em que Fred McDowell fez com uma guitarra elétrica. Reunindo um punhado bem selecionado de standards do blues, Fred mostra pro mundo que ele não toca rock, mas sim um estilo de blues que difere daquele que ficaria famoso em Chicago, através de nomes como Muddy Waters. A audição desse clássico nos leva para um lugar diferente do Mississippi: enquanto Muddy é associado com a tradição do Delta, McDowell uniu as influências do Tennessee com aquelas do norte do Mississippi. Esse legado foi carregado por uma porção de gente, em especial Junior Kimbrough e R.L. Burnside.
Mas voltemos ao disco: nele nos deparamos com uma hora de pura excelência musical. Abrindo com a obrigatória "Baby Please Don't Go" e encerrando com a clássica "You Ain't Gonna Worry My Life Anymore", Fred McDowell destila categoria com agressividade contida, calculada; tudo soa sujo, meio cru - e aí reside o charme do hill country blues. Uma audição mais do que recomendada para todo o fã de blues.
Não há muito o que falar sobre B.B. King que já não tenha sido dito antes - o cara é o rei, e era isso. Claro que quando se trata de olhar para a vasta discografia dele, há discos mais famosos, outros nem tanto. É nessa segunda categoria que se encaixa o nosso post de hoje: Spotlight On Lucille.
Lançada em 1991, trata-se de uma coletânea de material gravado em fins dos anos 1950 e início dos 1960 e que nunca antes haviam sido lançados. Adotando uma sonoridade mais influenciada pelo jazz, B.B. e sua banda estão afiados como sempre, destilando bom gosto e bends ao longo do disco. Composto por 12 faixas instrumentais, o álbum tem um título bastante significativo, já que o destaque é, como não poderia deixar de ser, realmente Lucille, a guitarra que mexe com a cabeça de praticamente todo fã de blues. Dá faixa de abertura, "Slidin' and Glidin'", a faixa de encerramento, "Powerhouse", o que a gente vê é um blues do mais alto quilate executado na mais alta classe.
Depois de um tempo parados, finalmente estamos de volta à ativa! E pra começar bem esse novo ano, vamos iniciar os trabalhos com uma verdadeira pedrada para os amantes do blues. Trata-se de um disco completo: guitarras afiadas, vocais potentes, uma cozinha sólida e canções fenomenais. Também é um disco de um cara que passa um pouco longe daqueles figurões habituais que dominam o imaginário sobre o estilo, ainda que não seja, nem de perto, um completo desconhecido.
Estou falando de Luther Allison, cidadão de uma cidadezinha do Arkansas chamada Widener, mas que logo cedo se mandou pra Chicago junto com a família. O pequeno Luther era mais um caso daqueles rapazes que aprendem a tocar um instrumento sozinhos, mas que, com a ajuda do destino, encontram um mentor para guiá-los. Allison foi ainda mais sortudo: o rapaz foi encorajado por gente grande como as lendas Howlin' Wolf e Freddie King, além de ter tocado com caras como James Cotton, Otis Rush e Magic Sam.
Escolado na malandragem do West Side de Chicago, Luther se fez um guitarrista de mão cheia, e, graças ao estímulo de Freddie King, acabou virando um vocalista de respeito. Sua música exalam esse ambiente: ela é crua, agressiva e carregada de emoções. Em "Bad News Is Coming", disco que estamos postando, temos um punhado de standards do blues da Windy City para comprovar isso: "Little Red Rooster", "Evil Is Going On", "Rock Me Baby" e "Dust My Broom" dão corpo a uma obra sólida, criando uma consistência especial para abrir espaço pra cereja do bolo. A faixa que dá título ao disco é, absolutamente, um clássico: uma letra tipicamente blue dá o pano de fundo para que Luther arranque nossos corações com sua guitarra. E isso pra não falar num momento de pura inspiração: um solfejo de tirar o fôlego e nos deixar incrédulos! Na minha humilde opinião, "Bad News Is Coming" é o melhor trabalho de Allison - e um dos melhores álbuns do blues de Chicago.
Portanto, se você ainda não conhece bem o blues, ou se apenas não ouviu falar em Luther Allison, fica aqui a recomendação de por onde começar.
Albert King - Blues at Sunrise: Live at Montreux 1973 - (1988) - 320kbps
1 - Don't Burn Down The Bridge (Cause You Might Wanna Come Back Across) - 4:28
2 - I Believe To My Soul - 4:56
3 - For The Love Of A Woman - 3:57
4 - Blues At Sunrise - 10:05
5 - I'll Play The Blues For You - 6:35
6 - Little Brother (Make A Way) - 5:44
7 - Roadhouse Blues - 10:04
1 - Memphis Slim U.S.A.
2 - Sassy Mae
3 - Little Piece of Mind
4 - Gotta Find My Baby
5 - Banana Oil
6 - Blue and Lonesome
7 - Two of a Kind
8 - She's Allright
9 - Blues All Around My Head
10 - Wish Me Well
11 - Four Years of Torment
12 - Gotta Find My Baby - (previously unreleased)
13 - Slim Was Just Kiddin'
14 - Jive Time Bounce
15 - Backbone Boogie
16 - (alternate take) Memphis Slim U.S.A. - (previously unreleased)
17 - (alternate take) She's Allright - (previously unreleased)
18 - (alternate take) Blues All Around My Head - (previously unreleased)
19 - (alternate take) Blue and Lonesome - (previously unreleased)
Twenty First Street Stomp, The Piano Blues of St Louis é mais uma coletânea sólida organizada pela Yazoo Records, gravadora especialidade em empreitadas do gênero. A coletânea reúne alguns dos nomes mais fundamentais do piano blues de St. Louis, ajudando a reconstruir algumas das experiências que deram forma ao som associado à cidade. Sem dúvida, vale a pena conferir. Abaixo segue um trecho explicativo extraído do booklet e traduzido:
"St. Louis já era uma cidade dominada pelos pianos muito antes da subida blues à proeminência. Ao final da década de 1890, o ragtime estava a todo vapor, e muitos desses famosos pianistas de ragtime, incluindo Scott Joplin, Tom Turpin e Louis Chauvin fizeram de St. Louis a sua cidade. A influente casa de publicação de ragtime, John Stark & Son, também teve o seu quartel general instalado em St. Louis de 1900 a 1927, exceto por alguns anos em que Stark tentou sua sorte em Nova Iorque. Através de toda a América e mesmo além, as vendas de partituras eram massivas e introduziram inúmeros iniciantes no ragtime às composições de Joplin e outros pianistas de St. Louis. Casas como o Turpin's Rosebud Cafe floresciam, assim como outros saloons e lugares mais rudes no distrito de Chestnut Valley, próximos das ruas Chestnut e Market. Muitas dessas casas davam sustento para uma legião de pianistas de ragtime. Entretanto, quando as gravações de blues surgiram em meados dos anos 1920, o ragtime se encontrava em um declínio terminal, mesmo que Stark tenha continuado publicando partituras de ragtime até 1924. O Distrito foi fechado em 1915, muitos professores de ragtime, como Joplin (1917) e Turpin (1922), haviam falecido, e o próprio Stark morreu em 1927. A essa altura, o ataque violento do jazz e de outras formas sincopadas de música popular tinham, inevitavelmente, transformado o som do ragtime em algo ultrapassado.
O blues já estava rodando há um bom tempo já nos anos 20, apesar de ainda não ter alcançado nenhuma forma consagrada. St. Louis Blues (1914) não foi a primeira música de blues a ser publicado (essa honra fica para Aunt Hagar's Blues, publicada em 1910), mas como seu compositor, W.C. Handy, era um grande auto-propagandista, acreditava-se que ela era a original. O próprio Handy assumiu o título de "Pai do Blues", além de ter escrito e promovido muitas músicas de blues junto com sua orquestra e sua companhia de publicação.
Se a popularidade do ragtime foi nutrida pelo negócio de publicação de partituras, então o blues era filho da indústria fonográfica. Já se era o tempo em que era preciso uma ênfase na técnica e no virtuosismo, saber a ler partituras e embarcar em anos de estudo. No seu lugar veio praticamente a antítese: agora se dependia do instinto, confiava-se em emoções cruas e fortes, linhas melódicas expressivas, com esparsos acompanhamentos delicados. Poucos dos pianistas de blues tinham qualquer treinamento formal, e ainda assim alguns de seus feitos se comparam às mais sensíveis e expressivas experiências de qualquer outro gênero. O gramofone forneceu os meios para disseminar essas novas canções e novos estilos de acompanhamento para uma grande audiência, muito além daquela da imediata localidade do artista.
É frequentemente assumido que muitos estilos regionais de blues já existiam através do país nos anos 20, mas hoje devemos temperar essa suposição com o conhecimento de que muito do que saiu em vinil pelas companhias fonográficas era filtrado através de "caçadores de talentos", que ouviam e selecionavam quais músicos deviam ser mandados para os estúdios de gravação. Portanto, um estilo regional pode ser o resultado muito mais do gosto individual do observador de uma gravadora e do que representar a totalidade da música de uma comunidade em particular. Em St. Louis o maior caçador de talentos era Jesse Johnson, proprietário da Deluxe Music Shoppe no número 2234 da Market Street. St. Louis não tinha seu próprio estúdio de gravação, e portanto Johnson precisava mandar os músicos que havia selecionado para Chicago ou Nova Iorque para que pudessem gravar. Johnson, um proeminente homem de negócios negro, também atuava como agente ou administrador de alguns músicos e é dito que ele chegava a ficar com uma comissão de 50% em alguns casos. Dentre muitas das atividades que Johnson desenvolvia, estavam a promoção de danças em salões de baile e abordo de barcos a vapor, além do agenciamento e agendamento dos shows de algumas populares big bands, como as bandas de Louis Armstrong, Jimmy Lanceford e Duke Ellington, em St. Louis e no centro-oeste do país. Apesar da influência que os gostos pessoais de Johnson claramente exerceram, parece haver pouca dúvida que houve, de fato, uma distinta sonoridade do piano blues em St. Louis, já que mesmo os artistas que não eram gerenciados por Johnson possuíam aquele som oco e a qualidade vibrante que é tão associada com a escola de pianistas de St. Louis." (Excerto do booklet escrito por Bob Hall, tradução livre)
1 - Watermelon Man - 5:18 2 - Hold That Plane - 4:43 3 - I'm Ready - 5:04 4 - My Time After Awhile - 7:44 5 - You Don't Love Me - 4:17 6 - Come See About Me - 8:40 7 - Hello San Francisco - 5:24
VA - Let Me Squeeze Your Lemon: The Ultimate Rude Blues Collection (2003) - 320kbps
Disc 1
1 - Catfish Blues - Bobo Thomas 2 - I Want A Bowlegged Woman - Bull Moose Jackson 3 - Hard Lead Pencil - The Honeydripper 4 - Litle Red Dress (Drawers) - Jimmie Gordon 5 - Love Operation - Barrel House Annie 6 - Blue Bloomer Blues - Alex Moore 7 - Let Me Squeeze Your Lemon - Charlie Pickett 8 - Doodle Hole Blues - Charlie Lincoln 9 - One More Greasing - Georgia Pine Boy 10 - Kitchen Man - Bessie Smith 11 - You Got To Give Me Some Of It - Buddy Moss 12 - Dressed With The Drawers - Carl Rafferty 13 - Aint Got Nobody To Grind My Coffee - Clara Smith 14 - Lemon Man - Dan Pickett 15 - Bed Spring Poker - Mississippi Sheiks 16 - Show Me What Youve Got - Kansas City Kitty And Georgia Tom 17 - I Want My Hands On It - Big Bill Broonzy 18 - Im A Rattlesnakin Daddy - Blind Boy Fuller 19 - I Think You Need A Shot - Champion Jack Dupree 20 - Bumble Bee - Memphis Minnie 21 - The Best Jockey In Town - Lonnie Johnson 22 - Dont Like The Way You Do - Blind Squire Turner 23 - My Daddy Was A Jockey - John Lee Hooker 24 - Pig Meat Papa - Leadbelly
1 - Sweet Honey Hole - Blind Boy Fuller 2 - Banana In Your Fruitbasket - Bo Carter 3 - Mouses Ear Blues - Cliff Carlisle 4 - I Want Plenty Of Grease In My Frying Pan - Margaret Carter 5 - Let Me Play With Your Poodle - Lightnin Hopkins 6 - I Let My Daddy Do That - Hattie Hart 7 - She Want To Sell My Monkey - Tampa Red 8 - Im A Mighty Tight Woman - Sippie Wallace 9 - Phonograph Blues - Robert Johnson 10 - She Shook Her Gin - Barbecue Bobb 11 - How You Want It Done - Big Bill Broonzy 12 - Bed Springs Blues - Jimmie Gordon 13 - Fish House Blues - Kansas City Kitty And Georgia Tom 14 - I Want My Fanny Brown - Wynonie Harris 15 - Ive Got Ford Movements In My Hips - Cleo Gibson 16 - Mother Fuyer - Dirty Red 17 -Good Cabbage - Victoria Spivey 18 - It Aint The Meat - The Swallows 19 - My Babys Playground - Roosevelt Sykes 20 - Dirty Butter - Minnie Wallace 21 - Wipe It Off - Lonnie Johnson 22 - My Man O War - Lizzie Miles 23 - Shes Got Good Dry Goods - Little Buddy Doyle 24 - Dont Give My Land Away - James Stump Johnson 25 - Cigarette Blues - Bo Carter
1.Lifes Too Short (3:58) 2.200 Lbs Of Heavenly Joy (4:05) 3.Good Morning Blues (3:13) 4.Itll Be Me (2:45) 5.Who Will The Next Fool Be (2:38) 6.Linda Lu (3:21) 7.St James Infirmary Blues (4:06) 8.Odd Man Out (3:46) 9.Roberta (2:28) 10.Baptism By Fire (3:51) 11.Think (4:01) 12.Hanging Up My Heart For You (3:08) 13.Mess Of Blues (2:40) 14.Sally Suzas (3:25) 15.My Babe (3:25) 16.End Of The Road (1:56) 17.Slow Down (2:50) 18.Glory Of Love (3:26) 19.Mam And Dads Waltz (2:34)
Hoje, dia 26 de junho, é dia de festa. Estamos todos nós, fãs daquilo que veio a se convencionar como "Americana", cheio de motivos para estarmos celebrando: hoje completam 38 anos do lançamento de "The Basement Tapes", o registro oficial da primeira colaboração entre Bob Dylan e The Band, um encontro que mudaria o rumo da música norte-americana. Apesar de ter sido lançado apenas em 1975, as sessões que geraram "The Basement Tapes" ocorreram em 1967 e já circulavam, por baixo dos panos, como bootlegs. Vejamos, então, do que se trataram estas sessões e qual a importância deste disco chamado "The Basement Tapes".
Depois de uma extensa turnê mundial entre 65 e 66, apoiado pelos The Hawks (era assim que eles eram chamados antes de virarem The Band), Bob se encontrava cansado e havia caído em uma certa desgraça com seu público, que até o chamava de "Judas" por ter abraçado uma sonoridade mais próxima ao rock n roll. Quando retornou aos EUA, seu agente havia marcado mais inúmeras apresentações através do país, que acabaram sendo todas canceladas por um grande infortúnio. Em 29 de julho de 66, Dylan sofreu um acidente de moto que mudaria tudo. Como o próprio Bardo declarou, em entrevista cedida em 69: "Eu tive um pavoroso acidente que me deixou fora da ativa por um tempo, e eu não percebi a importância daquele acidente pelo menos até ter se passado um ano. Eu percebi que havia sido um acidente real. Quer dizer, eu pensei que eu apenas me levantaria e voltaria a fazer o que eu fazia antes... mas eu não podia mais fazer isso"
Em sua casa, próxima a Woodstock, Dylan mudou seu estilo de vida durante o ano de 67. Os Hawks foram chamados para comparecer à cidade para gravar com Dylan, e alugaram a Big Pink (casa que os rapazes tornariam famosa dois anos depois, ao lançar seu disco de estreia, Music From Big Pink). Nesse tempo que estiveram juntos, por vários meses, Dylan se reaproximou da música norte-americana de raiz e apresentou os caras da The Band a esse universo, já que até ali, eles eram estritamente músicos de rock. Entre a gravação de versões para antigas canções tradicionais e a composição de novos temas, uma certa sinergia surgiu entre mentor e alunos. O porão do Big Pink fornecia o pano de fundo caseiro, intimista, para o disco; a banda trabalhava para deixar Bob à vontade; e Dylan, por sua vez, destilava seu humor através da genialidade na composição. Havia algo ali de cunho bastante familiar, caseiro. E é disso que trata "The Basement Tapes" e os demais bootlegs: um ambiente rural, quieto e profundamente familiar.
É claro que o lançamento oficial, tão afastado das sessões originais, gerou polêmicas e controvérsias. A seleção de faixas, 24 ao todo, não representam todo o material composto em 67 e, na verdade, tem 8 músicas que nem sequer contam com a participação de Dylan. De acordo com Robbie Robertson, principal responsável pela seleção das canções que entraram no álbum, isso aconteceu porque nem ele, nem Bob Dylan e nem Garth Hudson tinham acesso a todas as gravações originais. Criou-se um clima tenso, também, ao redor do disco: alguns críticos acreditavam que a inclusão das oito músicas da The Band era a forma de Robertson afirmar que o grupo fora tão ativo nas Basement Tapes quanto o Bardo. Para os mesmos críticos, isso era um sacrilégio, já que as faixas da The Band "atrapalhavam a unidade do material de Dylan".
Mas polêmicas à parte, o álbum é, na minha singela opinião, sensacional. Há, nele, algumas de minhas canções favoritas da parceria Dylan/Band. "Goin' To Acapulco" certamente seria minha escolha primária, mas "Clothes Line Saga", "Too Much Of Nothing", "You Ain't Goin' Nowhere" e, é claro, "This Wheel's On Fire" não podem ficar muito pra trás. Acredito, inclusive, que essas canções servem muito bem para dar uma amostra geral da unidade do álbum. As temáticas mais frequentes foram o nada, sinalizando para o caráter descompromissado das sessões de gravação: eram apenas amigos se divertindo. E, nesse meio tempo, Bob Dylan pôde se reinventar e, também, se redescobrir. De certa forma, "The Basement Tapes" ia na contramão de outros álbums gravados em 67, como, por exemplo, o Sargeant Pepper Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Como afirmou Bob em uma entrevista datada de 78: "Eu não sabia como gravar da mesma forma que as outras pessoas fazem, e eu nem queria. Os Beatles tinham recém lançado Sgt. Pepper, que eu não curti nem um pouco. Achei ele um álbum bastante indulgente, apesar de as músicas neles seram realmente boas. Eu não achava que toda aquele produção fosse necessária."
De qualquer forma, o que surgiu a partir disso foi o princípio de um novo jeito de se fazer (e mesmo de se pensar) música. Uma abordagem mais direta, sem tanta produção, que mergulhava em um universo ancestral de sonoridades que formaram a identidade musical norte-americana. "The Basement Tapes" e os outros bootlegs foram instrumentais na construção do "roots rock" e do "americana", eles materializaram um som tornado uníssono, que até então era uma multiplicidade enorme de estilos. Country, folk, blues... tudo foi jogado dentro do caldeirão, temperado com um rock suave e mexido até ferver e formar algo novo e único - algo genuinamente americano. E isso fica claro se nós dermos uma ouvida na discografia da The Band, por exemplo. Como explicou Joanna Colangelo, do site No Depression, no seu artigo "The Weight: Quando uma canção se torna um hino", o som da The Band, ou mais especificamente a canção "The Weight", representam a própria essência daquilo que é genuinamente americano.
Aquilo que foi alguns meses na vida de seis amigos acabou se tornando eterno na história da música. Horas de gravação se transformaram em um legado extenso de influência e de celebração. E é exatamente por isso que comemoramos hoje, 38 anos depois do lançamento da versão oficial daquelas gravações, as "The Basement Tapes".
1.Call Me The Breeze (2:39)
2.Call The Doctor (2:28)
3.Don T Go To Strangers (2:25)
4.After Midnight (2:22)
5.Woman I Have (2:39)
6.Magnolia (3:23)
7.Clyde (2:33)
8.Crazy Mama (2:25)
9.Nowhere To Run (2:27)
10.River Runs Deep (2:42)
11.Bringing It Back (2:45)
12.Crying Eyes (3:14)
JJ Cale - guitar, vocals
Karl Himmel - drums
Chuck Browning - drums
Tim Drummond - drums
Carl Radle - bass
Norbert Putnam - bass
Bob Wilson - piano
David Briggs - piano, organ
Jerry Whitehurst - piano
Weldon Myrick - steel guitar
Buddy Spicher - fiddle
Shorty Lavender - fiddle
Walter Hayness - dobro
Mac Gayden - slide guitar
Ed Colis - harmonica
Diane Davidson - backing vocals
Cover artwork by Rabon link
Engineer - James Long
O propósito de When The Sun Goes: The Secret History Of Rock and Roll parece bastante claro, sendo anunciado já pelo seu próprio título. Ao cair das luzes, há a trajetória "secreta" de um rock n roll que não surgiu do nada, que não é algo tão original quanto algumas pessoas gostam de pensar que é. Não: o rock n roll tem um devir histórico que pode ser traçado até as plantações de algodão do sul dos Estados Unidos, para a vida social das populações negras que lá residiam e trabalhavam. É a partir do blues e dos negro spirituals, em especial - mas também do jazz, que o conceito de "rock n roll" começa a se formar. Little Richard certa vez se queixou que o termo "rock n roll" era usado para descrever o que os brancos faziam, enquanto que o som deles, o rock original, era chamado de "rhythm and blues".
A coletânea, que reúne 100 canções que retratam um período de tempo que vai do meio dos anos 20 a meados dos anos 50, tem um propósito bastante pedagógico, a meu ver. Ela cumpre a função não só de dar voz a esses protagonistas por vezes ignorados, mas também de estabelecer um pouco esse percurso que a música negra percorre até ser apropriada e transformada em rock n roll. Mas, conforme disse Ron Wynn, do site No Depression:
"O problema como ver o material nesses discos como 'pré-rock 'n' roll', é que isso diminui a sua importância como a identidade musical da vida negra anterior à era dos direitos civis. Muitos dos cantores, guitarristas, pianistas e artistas apontados nas 100 canções da coleção, mesmo aqueles que não tiveram grandes hits, não eram figuras obscuras dentro da comunidade afro-americana. Antes pelo contrário, eles eram parte de uma cena que evoluía e que era tão vital e significante quanto qualquer coisa que tenha vindo depois" (Se quiser conferir a resenha do cara, veja aqui)
Portanto, é preciso dar crédito ao blues por seus próprios méritos, e não apenas como uma ante-sala do rock. O que podemos ver aqui, inclusive, é que algumas das canções que figuram entre as 100 selecionadas aqui acabaram sendo reproduzidas por bandas de rock, tamanha sua qualidade. São os casos, por exemplo, de "Baby, Please Don't Go", de Big Joe Williams, e "Statesboro Blues", de Blind Willie McTell - e isso só para ficar com os exemplos mais óbvios. Para além dos blues, há também números de gospel e folk, também parte constituinte dessas raízes da música americana, além de gêneros mais obscuros, como o som cajun de Amède Ardoin.
Meu conselho a vocês, portanto, é que ouçam atentamente à cada canção e tentem perceber o caráter de aula de história da música que há em ouvir uma coletânea como esta.