The Wandering - Go On Now, You Can’t Stay Here (2012) - 320kbps
1 - Sittin' On Top of the World - 2:40 2 - Mr. Spaceman - 2:46 3 - Lovin' Him Was Easier Than Anything I'll Ever Do Again - 4:00 4 - Sentimental Blues - 2:45 5 - Old Joe Clark - 2:39 6 - Love, Life and Money - 2:39 7 - Glory, Glory - 4:21 8 - The Outlaw - 2:52 9 - If I Had Possession Over Judgment Day - 4:26 10 - The Blues Jumped a Rabbit - 3:35 11 - In The Pines - 2:24 12 - You Are My Sunshine - 2:59
Luther Dickinson Valerie June Shannon McNally Amy LaVere Sharde "fifemastor" Thomas
O Grateful Dead foi uma das maiores bandas de rock da história, não há dúvidas sobre isso. Os caras formaram uma identidade única, com uma sonoridade que influenciou gerações de artistas. Mas nem só de rock viveram os deadheads: não, há muito mais fundido naquele som que transitava entre a psicodelia, o blues, o country e outros estilos de raiz, constituindo, junto com gente como a The Band, por exemplo, as bases do que hoje é chamado de "Americana" (a saber, um gênero que une essas raízes em um som único). The Music Never Stopped, coletânea lançada em 1995 pela Shanachie Records, constitui-se, portanto, como uma viagem através dessas origens musicais dos Deads. A coletânea reúne versões originais de músicas que o Grateful Dead já gravou e a capa, da autoria de Robert Crumb, mostra esses artistas tocando para um grupo de deadheads.
Começando com Obray Ramsey, um instrumentista das antigas conhecido pelo seu trabalho com o banjo, The Music... nos leva através do folk, do country, do blues, do R&B e do early rock n roll junto com gente graúda como as lendas Woody Guthrie, Bob Dylan, Marty Robbins, Merle Haggard, Rev. Gary Davis, Howlin' Wolf, Jimmy Reed, Bobby "Blue" Bland, Chuck Berry e Buddy Holly. Mas, além dessas unanimidades, há espaço também pra gente que, como o Obray, não chegou a ficar muito conhecida por aqui, como o cantor de country blues Henry Thomas, e Bonnie Dobson, cantora e compostiora canadense de folk, além das maravilhosas Dixie Cups, tradicionalíssimo grupo de Nova Orleans, e do cantor e guitarrista das Bahamas, Joseph Spence. Olhando para os nomes representados nessa coletânea, dá pra notar que a "Americana" já tinha começada a surgir muito antes de o nome sequer ser cogitado. Também podemos concluir que a riqueza musical do Grateful Dead se deve, além do talento dos caras, a essa variedade de influências onde eles buscaram inspiração
1 - Rock Me On The Water - 3:37
2 - Crazy Arms - 3:29
3 - I Won't Be Hangin' Round - 2:59
4 - I Still Miss Someone - 2:37
5 - In My Reply - 3:28
6 - I Fall To Pieces - 3:06
7 - Ramblin' 'Round - 3:17
8 - Birds - 2:58
9 - I Ain't Always Been Faithful - 2:47
10 - Rescue Me - 2:45
1 - Climb Up On My Music - 4:43
2 - A Most Disgusting Song - 4:43
3 - I Think Of You - 3:19
4 - Heikki's Suburbia Bus Tour - 3:15
5 - Silver Words - 2:04
6 - Sandrevan Lullaby-Lifestyles - 6:37
7 - To Whom It May Concern - 3:15
8 - It Started Out So Nice - 3:46
9 - Halfway Up The Stairs - 2:17
10 - Cause - 5:27
11 - Can't Get Away - 3:57
12 - Street Boy - 3:47
13 - I'll Slip Away - 2:53
Hoje, dia 26 de junho, é dia de festa. Estamos todos nós, fãs daquilo que veio a se convencionar como "Americana", cheio de motivos para estarmos celebrando: hoje completam 38 anos do lançamento de "The Basement Tapes", o registro oficial da primeira colaboração entre Bob Dylan e The Band, um encontro que mudaria o rumo da música norte-americana. Apesar de ter sido lançado apenas em 1975, as sessões que geraram "The Basement Tapes" ocorreram em 1967 e já circulavam, por baixo dos panos, como bootlegs. Vejamos, então, do que se trataram estas sessões e qual a importância deste disco chamado "The Basement Tapes".
Depois de uma extensa turnê mundial entre 65 e 66, apoiado pelos The Hawks (era assim que eles eram chamados antes de virarem The Band), Bob se encontrava cansado e havia caído em uma certa desgraça com seu público, que até o chamava de "Judas" por ter abraçado uma sonoridade mais próxima ao rock n roll. Quando retornou aos EUA, seu agente havia marcado mais inúmeras apresentações através do país, que acabaram sendo todas canceladas por um grande infortúnio. Em 29 de julho de 66, Dylan sofreu um acidente de moto que mudaria tudo. Como o próprio Bardo declarou, em entrevista cedida em 69: "Eu tive um pavoroso acidente que me deixou fora da ativa por um tempo, e eu não percebi a importância daquele acidente pelo menos até ter se passado um ano. Eu percebi que havia sido um acidente real. Quer dizer, eu pensei que eu apenas me levantaria e voltaria a fazer o que eu fazia antes... mas eu não podia mais fazer isso"
Em sua casa, próxima a Woodstock, Dylan mudou seu estilo de vida durante o ano de 67. Os Hawks foram chamados para comparecer à cidade para gravar com Dylan, e alugaram a Big Pink (casa que os rapazes tornariam famosa dois anos depois, ao lançar seu disco de estreia, Music From Big Pink). Nesse tempo que estiveram juntos, por vários meses, Dylan se reaproximou da música norte-americana de raiz e apresentou os caras da The Band a esse universo, já que até ali, eles eram estritamente músicos de rock. Entre a gravação de versões para antigas canções tradicionais e a composição de novos temas, uma certa sinergia surgiu entre mentor e alunos. O porão do Big Pink fornecia o pano de fundo caseiro, intimista, para o disco; a banda trabalhava para deixar Bob à vontade; e Dylan, por sua vez, destilava seu humor através da genialidade na composição. Havia algo ali de cunho bastante familiar, caseiro. E é disso que trata "The Basement Tapes" e os demais bootlegs: um ambiente rural, quieto e profundamente familiar.
É claro que o lançamento oficial, tão afastado das sessões originais, gerou polêmicas e controvérsias. A seleção de faixas, 24 ao todo, não representam todo o material composto em 67 e, na verdade, tem 8 músicas que nem sequer contam com a participação de Dylan. De acordo com Robbie Robertson, principal responsável pela seleção das canções que entraram no álbum, isso aconteceu porque nem ele, nem Bob Dylan e nem Garth Hudson tinham acesso a todas as gravações originais. Criou-se um clima tenso, também, ao redor do disco: alguns críticos acreditavam que a inclusão das oito músicas da The Band era a forma de Robertson afirmar que o grupo fora tão ativo nas Basement Tapes quanto o Bardo. Para os mesmos críticos, isso era um sacrilégio, já que as faixas da The Band "atrapalhavam a unidade do material de Dylan".
Mas polêmicas à parte, o álbum é, na minha singela opinião, sensacional. Há, nele, algumas de minhas canções favoritas da parceria Dylan/Band. "Goin' To Acapulco" certamente seria minha escolha primária, mas "Clothes Line Saga", "Too Much Of Nothing", "You Ain't Goin' Nowhere" e, é claro, "This Wheel's On Fire" não podem ficar muito pra trás. Acredito, inclusive, que essas canções servem muito bem para dar uma amostra geral da unidade do álbum. As temáticas mais frequentes foram o nada, sinalizando para o caráter descompromissado das sessões de gravação: eram apenas amigos se divertindo. E, nesse meio tempo, Bob Dylan pôde se reinventar e, também, se redescobrir. De certa forma, "The Basement Tapes" ia na contramão de outros álbums gravados em 67, como, por exemplo, o Sargeant Pepper Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Como afirmou Bob em uma entrevista datada de 78: "Eu não sabia como gravar da mesma forma que as outras pessoas fazem, e eu nem queria. Os Beatles tinham recém lançado Sgt. Pepper, que eu não curti nem um pouco. Achei ele um álbum bastante indulgente, apesar de as músicas neles seram realmente boas. Eu não achava que toda aquele produção fosse necessária."
De qualquer forma, o que surgiu a partir disso foi o princípio de um novo jeito de se fazer (e mesmo de se pensar) música. Uma abordagem mais direta, sem tanta produção, que mergulhava em um universo ancestral de sonoridades que formaram a identidade musical norte-americana. "The Basement Tapes" e os outros bootlegs foram instrumentais na construção do "roots rock" e do "americana", eles materializaram um som tornado uníssono, que até então era uma multiplicidade enorme de estilos. Country, folk, blues... tudo foi jogado dentro do caldeirão, temperado com um rock suave e mexido até ferver e formar algo novo e único - algo genuinamente americano. E isso fica claro se nós dermos uma ouvida na discografia da The Band, por exemplo. Como explicou Joanna Colangelo, do site No Depression, no seu artigo "The Weight: Quando uma canção se torna um hino", o som da The Band, ou mais especificamente a canção "The Weight", representam a própria essência daquilo que é genuinamente americano.
Aquilo que foi alguns meses na vida de seis amigos acabou se tornando eterno na história da música. Horas de gravação se transformaram em um legado extenso de influência e de celebração. E é exatamente por isso que comemoramos hoje, 38 anos depois do lançamento da versão oficial daquelas gravações, as "The Basement Tapes".
1 - Can't Get Away - 4:28 2 - Street Boy - 4:36 3 - Like Janis - 2:48 4 - I Think Of You - 3:51 5 - I'll Slip Away - 3:44 6 - A Most Disgusting Song - 4:32 7 - Forget It - 2:08 8 - Inner City Blues - 3:44 9 - Half Way Up The Stairs - 1:25 10 - To Whom It May Concern - 7:34
Já faz um ano desde que um dos dias mais tristes na minha trajetória de apreciador musical ocorreu. Há exatos 365 dias, morria Levon Helm, ex-baterista e vocalista da saudosa The Band. Após uma longa e reincidente batalha contra o câncer na garganta, nosso herói do Arkansas perdeu. Certamente a banda do além ganhou uma nova adição, contando com mais um talento sem precedentes.
Já faz um ano... um ano sem nenhum novo vídeo, nenhum novo áudio ou notícia sobre esse querido senhor do Arkansas que embalou os mais diversos momentos da minha vida nos últimos anos, desde os mais calorosos até os mais tristes. Já faz um ano que o mundo não ouve mais a voz de Levon Helm ecoar com um tom paternal através do ar, agora há apenas a saudade. Levon é e sempre será insubstituível. Ainda bem que as gravações estão aí para nos lembrar de quem ele foi.
Ramble At The Ryman foi o último álbum que Helm gravou, até onde me consta, e sua voz assume um tom sublime pelos claros descontos que a doença produziu. Mesmo rouca, sua voz soa corajosa e se sobrepõe às dificuldades, produzindo um disco ao vivo de primeiríssima qualidade. A banda que o acompanhou era composta por sua filha, a talentosa Amy Helm (voz e bandolim), Larry Campbell (guitarra, violino, voz) e sua esposa, Teresa Williams (violão e voz), Steven Bernstein (trompete), Jay Collins (sax), Erik Lawrence (sax), Little Sammy Davis (harmonica), Clark Gayton (trombone, tuba), Tony Leone (bateria), Brian Mitchell (acordeão, órgão, piano e voz) e Paul Ossola (baixo). Além da banda, houve ainda alguns convidados mais do que especiais: Billy Bob Thornton (voz), Buddy Miller (guitarra, voz), John Hiatt (violão, voz), Sam Bush (bandolim, voz) e Sheryl Crow (harpa, voz).
Gravado em 2008 e lançado em 2011, o disco recebeu o prêmio Grammy na categoria Americana. E nada poderia ser mais justo, já que tanto a carreira de Levon quanto a seleção de músicos apresentadas em Ramble At The Ryman representam um profundo mergulho nas tradições musicais norte-americanas. Misturando músicas tradicionais com composições de Robbie Robertson que viraram clássicos da The Band, Levon Helm nos leva a um passeio atemporal e trans-dimensional para uma região da alma onde a música se fixa universalmente.
Começando com "Ophelia", abre-se os trabalhos num nível altíssimo e delicioso. Atravessa-se por clássicos do rock & roll e do blues, como "Back To Memphis" (Chuck Berry), "Fannie Mae" (Ronnie Hawkins) e "Baby Scratch My Back" (Slim Harpo) para poder, então, aterrisar de cabeça em outra canção da The Band: "Evangeline" é uma daquelas canções que parecem ter existido desde sempre nos Estados Unidos, contando a história de uma moça que está a espera do seu amado, que saiu para apostar. "No Depression In Heaven", por outro lado, nos faz pensar de como o paraíso deve estar hoje em dia, com Levon e todos os outros músicos comandando a festa.
A partir daí, temos uma trinca de canções que, para mim, conformam o primeiro (e talvez mais importante) clímax do show: "Wide River To Cross" (de Buddy e Julie Miller) nos guia através do caudaloso rio da vida, deixando que Sam Bush e Buddy Miller conduzam o barco. Logo a frente, "Deep Elem Blues" (canção tradicional) surge com força e malícia, falando sobre o "deep ellum" (distrito da luz vermelha), acompanhado por um sólido trabalho dos naipes de metais. Encerrando essa primeira catárse, vem a sublime "Anna Lee" (Laurelyn Dossett), onde Levon se sobressai, deixando-nos completamente embasbacados e apaixonados.
Seguindo os trabalhos, vem a animada "Rag Mama Rag", ótimo tema de Robertson, para recompor o ritmo embalado da apresentação. "Time Out For The Blues" (de Dan Hart e Buddy Starcher) e "A Train Robbery" (Paul Kennerly) mantém o nível, transitando competentemente entre o blues e o contry. Passa essa fase intermediária, tudo se incendeia com mais uma trinca digna dos deuses. Para encerrar o show no Ryman, Levon escolheu três pérolas da The Band compostas por Robbie Robertson.
"The Shape I'm In" diz muito sobre nosso protagonista, como o refrão já anuncia "oh, you don't know the shape I'm in". Daí, progredimos para a apaixonante "Chest Fever", que fala sobre a doença que resta depois que uma mulher abandona um homem. Para fechar com chave de ouro, não poderia ter sido escolhida outra canção que não "The Weight". O tema representa a essência da extinta The Band e, de acordo com alguns cronistas musicais americanos, ela também é o símbolo daquilo que é americano por excelência. O que sobra, ao término da audição deste ótimo álbum, é um gostinho por mais e, hoje em dia, uma terna sensação de saudade.
Eis o áudio do programa de sábado passado, que contou com a participação mais do que especial do Oly Jr. Além do milonga blues, também rolou um especial com os blues do Bob Dylan.
Há situações em que a vida nos presenteia com gratas surpresas ao nos apresentar a combinações transcedentais. E foi assim que se sucedeu quando encontrei o disco das ZoZo Ssters na internet. O que começou como curiosidade musical terminou como a mais completa admiração.
Eu já estava bastante familiarizado com o trabalho de Linda Ronstadt, como não poderia deixar de ser. Uma senhora que hoje, aos 65 anos de idade, se afirma como uma das maiores e mais versáteis vozes de sua geração. Conhecida como "Rainha do Rock", a verdade é que Ronstadt viajou pelos mais diversos estilos com uma facilidade impressionante, seja como protagonista ou coadjuvante. Muitos são os músicos que já foram presenteados e engrandecidos pelo apoio desta soprano, alguns como Frank Zappa e Gram Parsons.
No outro lado do dueto que compõe este álbum reside Ann Savoy. Até pôr Adieu False Heart para rodar, eu ainda não a tinha ouvido cantar. E, meus caros, não exagero ao afirmar que eu não tinha ideia do que estava perdendo! Escolada no cajun, tradição francesa que vive no coração da Louisiana, a voz de Ann completa a de Ronstadt, criando uma harmonia sutil e apaixonante.
Em faixas como "Adieu False Heart", "I Can't Get Over You", "Go Away From My Window" e "The One I Love Is Gone", as duas intérpretes montaram uma verdadeira opereta para celebrar o amor. Entre o folk e o cajun transita também o country, além de influências vocais sutis do jazz e da música erudita. Não há repreensão a ser feita ao trabalho das ZoZo Sisters, como a dupla se intitulou, nem à banda que as acompanha. Impera neste disco um clima completo de paixões suaves, amores confessos ou perdidos e um acolhimento caloroso e familiar.
Poucos grupos são dotados de tantos talentos individuais - e que se completam tão suavemente - quanto o The Byrds em sua formação original. Juntando em suas fileiras Roger McGuinn, Gene Clark, David Crosby, Chris Hillman e Michael Clarke, o aniversariante do dia, a banda participou de maneira instrumental na criação do subgênero que viria a ser conhecido como "folk rock".
Fundindo diversas tendências e competências, os caras conseguiram deixar sua marca na história da música, ainda que esta formação original tenha durado muito pouco tempo - mas o suficiente para lançar "Mr. Tambourine Man", seu disco de estreia, e esta maravilha que estamos postando aqui, o ótimo "Turn! Turn! Turn!".
A seleção de faixas para o disco foi cuidadosamente elaborada, construindo uma mescla de influências folk e country munidas com uma roupagem de rock n roll. Os trabalhos de composição foram bem divididos entre Clark, McGuinn e Crosby. "It Won't Be Wrong" é uma bela peça saída da parceria entre Roger McGuinn e seu amigo Harvey Gerst, um tema sutil que nos diz como o amor não pode ser errado. Há também uma parceria entre McGuinn e David Crosby, a doce "Wait And See", que traz as lindas e tradicionais harmonias vocais que caracterizaram o trabalho da banda.
Além destas faixas, é preciso destacar duas criações de Gene Clark: "Set You Free This Time" e "The World Turns Around Her". Em termos de composições próprias, eu arriscaria dizer que estas são as duas gemas de "Turn! Turn! Turn!" - mas nem só de músicas originais é feito um belo disco. Este, na verdade, contou com duas canções do maior compositor da música folk, o sr Bob Dylan: "Lay Down A Weary Tune" e "The Times They Are A-Changing" ganham novas interpretações, dotadas agora de um refinamento técnico que falta ao bardo que as compôs.
A faixa título, "Turn! Turn! Turn!", é de autoria de Pete Seeger e, talvez, seja um dos maiores clássicos dos Byrds. Vocais sublimes, guitarras bem arranjadas e uma levada contagiante tornaram esta execução num dos marcos do então emergente folk-rock. Também gostaria de chamar a atenção para a "Oh! Susannah", cuja interpretação não deixa nada a dever para todas as outras canções já mencionadas.
Nesta edição que estamos postando aqui há mais do que só as faixas originais. Trata-se de um reissue de 1996 que, como não poderia deixar de ser, conta com um belo set de extras. "She Don't Care About Time", um belo single, além do primeiro take da música; as primeiras versões de "The Times They Are A-Changin" e "It's All Over Baby Blue", ambas as músicas de autoria de Bob Dylan; um mix alternativo de "The World Turns Around Her"; e, por fim, duas composições da banda: "The Day Walk (Never Before)", de Gene Clark, e a instrumental "Stranger In A Strange Land", de David Crosby.
1 – Tell Me A Tale - 4:12
2 – I’m Getting Ready - 2:24
3 – I’ll Get Along - 3:30
4 – Rest - 3:52
5 – Home Again - 3:32
6 – Bones - 3:51
7 – Always Waiting - 4:31
8 – I Won’t Lie - 4:06
9 – Any Day Will Do Fine - 3:41
10 – Worry Walks Beside Me
O Velho Oeste, como ficou conhecido aqui no Brasil, é uma parte muito importante da cultura norte-americana. Muitos acadêmicos dizem que a fronteira do oeste selvagem era onde o americano genuíno se produzia, o dito “self-made man” (o homem que vence na vida por si só, independente e livre). Pode-se ver o quão relevante isto é se analisarmos a quantidade de filmes, séries, livros e músicas produzidas lá na terra do Tio Sam sobre aquelas paragens desérticas de sol escaldante.
Lá daquelas terras e daquela época, remanesceram várias figuras histórias e folclóricas. Uma das mais conhecidas delas acabou ganhando seu próprio disco conceitual de country/folk music e, por isso, está ganhando espaço aqui no 4oldtimes: trata-se de ninguém mais, ninguém menos do que Jesse James, um cara que ficou conhecido como uma espécie de “Robin Hood” do Oeste.
Jesse Woodson James esteve envolvido em tudo o que você possa imaginar: até em guerrilhas da Guerra Civil americana, na qual lutou pelo Sul. Depois disso, esteve em gangues junto com seu irmão, entre outros associados. Matou, roubou bancos, roubou trens; enfim, fez o diabo a quatro! E isso durou até que em 1882 foi abatido por Robert Ford (há um filme mais recente que conta este episódio. Chama-se "O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford", foi lançado em 2007, e conta com Brad Pitt como James e Casey Affleck no papel de Ford).
Para contar a história desta espécie de anti-herói nacional, um cidadão lá da Inglaterra, Paul Kennerly, que também compôs um disco conceitual sobre a Guerra Civil (chamado White Mansions) e foi casado com Emmylou Harris no final dos anos 80. Com as refinadas composições de Kennerly, dignas de um ‘caipira’ americano, só faltava o cast para cantar as ótimas canções: e é nessa hora que entraram em campo Levon Helm (ex-The Band), Johnny Cash, Charlie Daniels, Emmylou Harris, entre outros.
No álbum, foi dado a cada cantor um papel diferente. Cada um interpreta uma pessoa importante para contar a história de James, e coube a Levon Helm fazer o papel principal, o próprio Jesse. Com um conjunto assim de talentos, nada poderia dar errado: e não deu. O resultado final é um LP de muita classe, digno da memória do velho fora-da-lei. Esse é daqueles discos que é pra se curtir de cabo a rabo numa sentada!
Ah, e antes que eu me esqueça: este não é o lançamento original, de 1980. Trata-se, na verdade, de um relançamento de 1999, que conta com a faixa bonus Train Robbery, interpretada pelo próprio Kennerly. Dito isto, aproveitem!
Elenco:
Johnny Cash como Frank James (vocais)
Rosanne Cash como Ma Samuel (vocais)
Doniwan Cowart como Robert Ford (vocais)
Martin Cowart como Charley Ford (vocais)
Rodney Crowell como The Officer (vocais)
Charlie Daniels como Cole Younger (vocais, violino, slide)
Emmylou Harris como Zerelda James (vocais, violão)
Levon Helm como Jesse James (vocais, bateria, harmonica)
Paul Kennerley como Sheriff Timberlake (vocais, guitarra)
Albert Lee como Jim Younger (vocais, guitarra, bandolim)
Esta tarde eu estava assistindo a um filme que eu havia baixado há bastante tempo já: Pat Garrett & Billy the Kid, um faroeste antigo de 1973. Logo de cara já se percebe algo notório sobre o filme: a trilha sonora foi composta por Bob Dylan. E ao ouvir a voz anasalada do bardo ressoando na tv, lembrei que eu tinha, ainda há mais tempo, este disco, Pat Garret & Billy the Kid, no computador.
O filme conta a história de um Pat Garrett (interpretado por James Coburn) já velho, que foi eleito xerife de uma pequena cidade, mas cheia de poderosos rancheiros, para prender William Bonney, o notório Billy the Kid (que é ninguém menos que Kris Kristofferson). Já a trilha sonora, se não é o melhor trabalho de Dylan (que, aliás, também faz uma ponta no filme), é boa e interessante de se conhecer. Quem curte a carreira de Bob certamente gostará deste álbum também. Quanto à película, fica a recomendação para aqueles que tiverem interesse em assistir: é um filme bem bacana.
Já que esta é uma coletânea caseira (eu que a fiz), o texto será rápido, meramente explicativo: recentemente viajei para a casa dos meus avós e fiz uma seleção musical para a viagem. Pensei em organizar uma coletânea com aquelas músicas aqui pro blog, mas nesta noite insone, resolvi ir além: vasculhei todas as minhas músicas atrás daquelas que tivessem uma temática relacionada a viagens. A lista, como vocês podem imaginar, é bem maior do que estas 16 faixas que foram parar na coletânea, e isto significa que, como a The Soul Acts, a Old Country Road terá mais "capítulos" futuramente. Espero que gostem!