Mostrando postagens com marcador Bonnie Raitt. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bonnie Raitt. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Top 10 de 2012 - Ismael Calvi Silveira


Primeiramente, gostaria de salientar que esta lista não obedece a nenhuma espécie de critério técnico. Não sou músico nem crítico musical, apenas um apaixonado por aquilo que entendo como música de qualidade. Portanto, devo deixar bem claro que a escolha dos discos e a ordem desta lista correspondem apenas ao meu gosto e não refletem, de maneira alguma, a opinião de todos os membros do blog. Sem mais delongas, vamos ao que importa:

1º lugar: Dr John – Locked Down



Quando ouvi o primeiro single – Revolution - do novo disco do Dr John, um dos meus maiores ídolos, no site da revista Rolling Stone nos idos de março/abril, eu pirei. Todos os dias eu precisava escutar aquela maravilha ao menos uma única vez – normalmente acabavam sendo várias audições. Quando o disco finalmente foi lançado, foi um frenesi total. Minha namorada estava recém conhecendo o som do Dr John e já estava de saco cheio dele, de tanto que repetia o Locked Down na íntegra no meu winamp.

Considero este o melhor disco da década até agora (2011 e 2012) – e acredito que será difícil aparecer algum lançamento que desbanque o novo petardo do witchdoctor Rabennack. Com faixas como Revolution, Ice Age e Getaway, Dr John consolidou seu retorno ao som da mais alta qualidade. Se vocês quiserem ler a resenha que fiz do álbum, segue o link.


2º lugar: Joe Louis Walker – Hellfire



Muitos de vocês podem nunca ter ouvido falar de Joe Louis Walker já que ele não é um nome tão conhecido por aqui – eu também não o conhecia antes de baixar Hellfire sem pretensão alguma. Vocês já podem imaginar o tamanho da minha surpresa ao ouvir o álbum, já que ele figura no segundo lugar desta lista. Walker está na ativa desde os anos 60, mas só começou a gravar em 86 e de lá pra cá, já lançou 19 discos. Uma sólida carreira que se consolida ainda mais neste belíssimo disco.

A faixa que dá título ao disco é, também, aquela que o abre. Hellfire já define o ritmo: um blues enérgico, marcado pelo excelente trabalho de Walker na guitarra, com um groove marcante e uma temática gospel. What’s It Worth explora a relação entre o órgão, instrumento tradicional do gospel, e a guitarra de Walker, criando um dueto único. Já Soldier For Jesus mergulha no groove, levando as frases religiosas num ritmo de celebração. Cada tema executado no disco vale a pena ser ouvido com muita atenção.


3º lugar: Jack White – Blunderbuss


Jack White ficou conhecido pelo trabalho ao lado de sua ex-mulher, Meg White, na dupla White Stripes. Era um som simples, meio estranho e sem baixo. Depois ele andou por aí com a The Raconteurs e a Dead Weather – nada de muito promissor, ele ainda continuava transitando pelos caminhos mais pop do rock. Todavia, ele já havia dado mostras do seu gosto pelo blues e também do talento como produtor, ao trabalhar com Wanda Jackson no ano passado. Foi por isso que quando fiquei sabendo que ele lançaria um álbum solo, fiquei na expectativa.

E não é que o cara se mostrou capaz de mudar? Unindo influências entre Led Zeppelin e o blues rural, White faz um som nervoso, às vezes com tons de insanidade, que reúne referências de vários lugares diferentes. Freedom At 21 e Hypocritical Kiss mostram um pouco disso. Já o tema título, Blunderbuss, mostra que White aprendeu bastante com Jimmy Page e seu Zeppelin de chumbo. Mas minhas faixas favoritas são a dançante I’m Shakin’ e a apocalíptica Weep Themselves To Sleep.


4º lugar: Willie Nelson – Heroes


Willie Hugh Nelson, também conhecido como o “estranho ruivo”, já é um senhor de 79 anos. Conhecido pelo seu jeito singular de cantar e pela afeição com a marijuana, Willie construiu uma brilhante carreira dentro da country music, participando do surgimento do dito “outlaw country”. Já na “idade de ouro”, Nelson mostra que ainda tem fôlego para impressionar. Ao contrário do filme dos irmãos Cohen estrelado por Tommy Lee Jones (No Country For Old Men), Willie exibe que os EUA também são um país para homens velhos.

Junto de seus filhos, Lukas (que tem um timbre vocal muito semelhante ao do pai) e Micah Nelson, e mais um time de estrelas (Merle Haggard, Kris Kristtoferson, Sheryl Crow, Ray Price, Billy Joe Shaver, Jamey Johnson e até mesmo Snoop Dogg), Willie Nelson produziu 14 pérolas do country. Num mundo como o de Nashville, lotado de gente com pouco talento e muita propaganda, Heroes soa como um alívio nostálgico. Canções como All That There Is To This Song e Just Breathe resgatam a essência do country, essência essa que Willie nunca perdeu.


5º lugar: Neil Young & Crazy Horse – Americana


Depois de oito anos sem gravar nada com a Crazy Horse, Neil Young se juntou a seus velhos parceiros para dar a luz a um belo trabalho, muito melhor do que seus últimos lançamentos individuais (como o péssimo Le Noise). Unidos novamente, sua primeira contribuição esse ano foi Americana, um disco que, como o título indica, é um tributo às raízes da música americana.

Fazendo ótimos arranjos roqueiros de canções tradicionais, Young e seus comparsas do louco cavalo conseguiram criar um ótimo clima que poderia muito bem pertencer a um disco gravado nos anos 70. Sons como Oh Susannah, Gallows Pole ou Get A Job deram sinais de que Young estava finalmente voltando ao caminho da boa música.


6º lugar: Quantic And Alice Russell with Combo Bárbaro – Look Around The Corner


Quantic, que também atende por Will Holland, é um DJ britânico que atualmente reside na Colômbia. Por lá o cara já fez diversos trabalhos, inclusive o ótimo Tropidelico, de 2007, no qual ele misturou o funk a influências caribenhas e alguns ritmos eletrônicos. Vale a pena dar uma conferida! Já Alice Russell é uma cantora de blue eye soul lá da terra da Rainha, que costuma lançar seus discos pela mesma gravadora que Quantic, a Tru Thoughts.

Juntos, eles fizeram uma união bastante acertada. Os vocais de Russell casaram muito bem com o instrumental grooveado do Combo Bárbaro, comandado por Quantic. Canções como Here Again e Look Around The Corner marcam este ótimo trabalho, que recomendo do começo ao fim.


7º lugar: Ricky Skaggs – Music To My Ears


Skaggs é um mestre do bandolim desde as antigas. Quando criança, o cara tocou com Bill Monroe e Earl Scruggs, dois dos maiores nomes do bluegrass. De lá para cá, ele próprio veio se constituindo enquanto um dos símbolos do bluegrass, ainda que tenha assumido o arriscado caminho das experimentações mais recentemente. No disco novo, Music To My Ears, Skaggs traz um prato cheio para os fãs de country e de bluegrass. Misturando uma abordagem “tradicional” com elementos mais “modernos”, ele produziu uma sonoridade bem bacana. O grande destaque fica por Soldier’s Son, gravada em parceria como Barry Gibb, ex-Bee Gees.


8º lugar: ZZ Top – La Futura


Os barbudos do Texas mostraram que ainda estão em forma. La Futura é, provavelmente, um dos melhores discos da carreira dos caras e traz um rock cru, recheado com blues, acompanhado por uma pegada firme e liderado por um belo trabalho de guitarra do grande Billy Gibbons. I Gotsa Get Paid e It’s Too Easy Mañana dão o tom do disco.


9º lugar: Bonnie Raitt – Slipstream


Bonnie vem trabalhando muito desde os anos 70, pavimentando seu caminho em várias áreas, como o blues, o country e o rock. Com um slide nas mãos, essa senhora de 63 anos veio a 2012 para sedimentar ainda mais a sua sólida carreira. Slipstream reúne todo o seu repertório de influências de sempre, apresentadas de forma suave, com um embalo maroto. As baladas You Can’t Fail Me Now e God Only Knows são, com certeza, uma boa referência do que é este disco.


10° lugar: Graveyard – Lights Out


Graveyard é uma banda sueca relativamente jovem, estão na estrada apenas desde 2006. Mas nesse tempo já lançaram três álbuns, e dois deles da maior qualidade possível. Numa linha de revival setentista, os caras unem o hard rock a um fraseado de blues, lembrando os áureos tempos do rock – mas não se enganem, eles conseguiram transcender a barreira da semelhança e criar uma identidade própria. Endless Night e Goliath ficam como uma boa introdução para o que é Lights Out.


10 melhores músicas do ano

1 – Ricky Skaggs & Barry Gibbs – Soldier’s Son
2 – Dr John – My Children, My Angel
3 – Dr John – Revolution
4 – Willie Nelson & Lukas Nelson – Just Breathe
5 - Bonnie Raitt – You Can’t Fail Me Now
6 – Neil Young & Crazy Horse – Gallows Pole
7 – Joe Louis Walker – What’s It Worth
8 – Jack White – Weep Themselves To Sleep
9 – Quantic & Alice Russell with The Combo Bárbaro – Here Again
10 – Dr John – God’s Sure Good

E eras isso! Um abraço a todos e um bom final de ano!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Bonnie Raitt - Luck Of The Draw (1991)


Bonnie Raitt - Luck Of The Draw (1991) - VBR




1 - Something To Talk About - 3:47
2 - Good Man, Good Woman - 3:33
3 - I Can't Make You Love Me - 5:32
4 - Tangled And Dark - 4:52
5 - Come To Me - 4:20
6 - No Business - 4:24
7 - One Part Be My Lover - 5:06
8 - Not The Only One - 5:03
9 - Papa Come Quick (Jody And Chico) - 2:43
10 - Slow Ride - 3:59
11 - Luck Of The Draw - 5:17
12 - All At Once


Baixar AQUI!


___________________________________________________________
Há exatos 63 anos, vinha à vida uma das muitas bençãos musicais desse mundo. Em 1949, Bonnie Lynn Raitt nasceu em Burbank, cidade que fica próxima a Hollywood, e que justamente por isso ficou conhecida como "capital mundial da mídia". Filha de um astro da Broadway, John Raitt, com uma pianista, Marjorie Haydock, a pequena Bonnie cresceu sempre cercada pela música. Ainda antes de entrar na carreira musical, uma jovem Raitt se via completando os cursos de Relações Socias e Estudos Africanos na Radcliffe College de Harvard. Esse gosto pelas ações sociais nunca abandonou a moça, que sempre buscou fazer uso de sua música para conscientizar as pessoas, mesmo que através de pequenos gestos, como dedicatórias nas contra-capas de discos.

Os artistas que influenciaram Bonnie foram muitos, mas talvez devamos começar pelos que ficaram conhecidos como grandes amigos da cantora e guitarrista: primeiro Lowell George, falecido vocalista, guitarrista e compositor da banda de southern rock Little Feat - Mais do que um grande amigo de Bonnie, especula-se que Lowell também teria sido uma espécie de "mentor". Além de Lowell George, outro grande amigo de Miss Raitt foi um dos maiores mestre do blues: John Lee Hooker - Bonnie chegou, inclusive, a gravar uma faixa com Hooker, I'm In The Mood, para o disco The Healer, lançado pelo bluesman em 89. 

John Lee Hooker
Lowell George













Citar só essas duas amizades já seria suficiente para exemplificar as influências de Bonnie Raitt, mas o fato é que ela tem mesmo muito bom gosto na hora de escolher inspirações. Alguns exemplos são: o bardo folk Bob Dylan, além de Odetta, James Taylor, etc.; as lendas do blues Sippie Wallace, Howlin' Wolf, Junior Wells, entre outras; no rock, podemos apontar a (para mim) insuperável The Band, além dos grandes Rolling Stones; há, também, espaço para o soul de Allen Toussaint e para o rhythm and blues de Ruth Brown. Realmente, é uma galeria especialmente qualificada de boas influências para quem quiser começar no blues, no rock ou no folk - ou ainda, como no caso de Bonnie, em todos esses estilos ao mesmo tempo.

Bonnie Raitt e Sippie Wallace

Com uma carreira que se extende por quatro décadas, Bonnie Raitt se transformou em uma verdadeira lenda do blues e do rock americano. Dona Bonnie construiu uma identidade própria ao misturar os vários gêneros que já citamos. Pitadas de blues, folk, country e rock foram sendo suavemente cozidas no caldeirão de uma doce voz, mexida pelo caloroso talento com o slide. O primeiro disco de miss Raitt foi lançado em 71, e de lá para cá já são 16 gravações em estúdio ao todo. Apesar de ter começado cedo nos anos 70, foi só no final da década de 80 que nossa blueswoman realmente conseguiu um grande sucesso comercial. Foi com o ótimo Nick of Time, de 89, que Bonnie chegou ao primeiro lugar da Billboard 200, além de coletar três prêmios Grammy. O disco que vamos postar hoje, contudo, é o que deu sequência ao sucesso de Raitt: Luck Of The Draw, de 91.

Capa do disco Nick of Time, de 1989.

Segundo a artista, ela queria provar ao mundo que Nick of Time não havia sido um mero golpe de sorte. Já tendo abandonado a bebida há mais tempo, Bonnie se afastou do mundo numa espécie de "retiro criativo", refugiando-se no norte da Califórnia - o que ela chamou de "campo de treinamento de composição" (songwriting boot camp). Com esforço e com a co-produção de Don Was (que já trabalhou com nomes como B-52's, Rolling Stones, Elton John, Bob Dylan, entre outros), o resultado foi um sucesso absoluto. Luck Of The Draw é, até hoje, o disco mais vendido de Bonnie (até 2010, o disco Nick of Time havia vendido 5 milhões de cópias, enquanto seu sucessor, Luck Of The Draw já alcançara sete milhões de vendas).

CD de Luck Of The Draw

Canções compostas por Raitt como "Tangled And Dark" e "Come to Me" mostram um lado com mais groove e balanço, mas já a faixa "All At Once" dá um sabor bastante íntimo e apaixonado ao disco. Além destas composições originais, há também o maior sucesso de Raitt: I Can't Make You Love Me, escrita por Mike Reid e Allen Shemblin, um grito desesperado por amor. Bonnie Raitt é competente tocando os mais diversos tipos de música, nas mais variadas levadas, mas seu talento para encarnar as baladas de amor (ou de amor perdido) é único. Algo que devemos depositar na conta de suas influências do blues tradicional e também do country. Enfim, Luck of The Draw é um álbum fantástico que mostra várias facetas de uma artista versátil e talentosa. Vale muito a pena conferir!

Com isso, ficam aqui nossos desejos de felicidades e muita música à senhora Bonnie Lynn Raitt!


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Bonnie Raitt, John Hammond, Lowell George & Freebo - Supersonic Studios (1972)

Bonnie Raitt, John Hammond, Lowell George & Freebo - Supersonic Studios (1972) - 192kbps




1 - Intro - 0:37
2 - Love Me Like A Man - 4:30
3 - Under The Falling Sky - 3:22
4 - Talk - 1:00
5 - Love Has No Pride - 4:23
6 - Talk - 1:27
7 - Going Down Louisiana - 3:55
8 - Talk - 1:44
9 - Can't Find My Way Home - 3:58
10 - Tuning - 2:47
11 - Big Road - 4:25
12 - You Got To Know How - 3:50
13 - Talk - 1:42
14 - Apolitical Blues - 3:30
15 - Talk - 1:01
16 - Come Ride In My Automobile - 2:15
17 - Talk - 0:55
18 - As The Years Go Passing By - 4:44
19 - Watching My Pony Ride - 5:25
20 - I Can't Be Satisfied - 7:21
21 - Sky Is Cryin' - 5:20
22 - Tuning - 4:05
23 - Honest I Do - 4:54
24 - Talk - 1:31
25 - It's Too Late - 5:07


Baixar aqui!

________________________________________
Bonnie Raitt, John Hammond, Lowell George... Todos nomes de peso da música americana, cada um com uma grande carreira solo ou, no caso de Lowell, com uma banda (a Little Feat). Mas em outubro de 1972, esses três grandes músicos se encontraram no Supersonic Studios, em Hempstead, Nova Iorque. Junto com eles, há também o baixista Freebo, que além de trabalhar com Bonnie, já foi músico de estúdio pra gente como Ringo Starr, John Mayall, Aaron Neville, Dr. John, entre outros.

E com esses quatro juntos, não podia dar em outra coisa! Uma belíssima sessão do mais puro blues, explorando clássicos, standards e algumas composições dos próprios músicos. O evento ainda contou com a transmissão da rádio WLIR, transformando uma sessão intimista entre amigos neste ótimo bootleg.

Apesar de o áudio não ser dos melhores, dá pra sacar muito bem a qualidade do som desse pessoal. Os vocais suaves de Bonnie Raitt casados com o slide de Lowell George, a guitarra de John Hammond Jr e o baixão de Freebo. Esta é, definitivamente, uma peça pra colecionadores. Todos aqueles que amam o bom e velho blues devem ouvir a mágica dessa sessão.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...