Não há muito o que falar sobre B.B. King que já não tenha sido dito antes - o cara é o rei, e era isso. Claro que quando se trata de olhar para a vasta discografia dele, há discos mais famosos, outros nem tanto. É nessa segunda categoria que se encaixa o nosso post de hoje: Spotlight On Lucille.
Lançada em 1991, trata-se de uma coletânea de material gravado em fins dos anos 1950 e início dos 1960 e que nunca antes haviam sido lançados. Adotando uma sonoridade mais influenciada pelo jazz, B.B. e sua banda estão afiados como sempre, destilando bom gosto e bends ao longo do disco. Composto por 12 faixas instrumentais, o álbum tem um título bastante significativo, já que o destaque é, como não poderia deixar de ser, realmente Lucille, a guitarra que mexe com a cabeça de praticamente todo fã de blues. Dá faixa de abertura, "Slidin' and Glidin'", a faixa de encerramento, "Powerhouse", o que a gente vê é um blues do mais alto quilate executado na mais alta classe.
VA - Goin' Home: A Tribute To Fats Domino (2007) - 320kbps
Disc 1
1 - John Lennon - Ain't That a Shame
2 - Tom Petty & The Heartbreakers - Im Walkin
3 - B.B.King & Ivan Neville's Dumpstaphunk - Goin Home
4 - Elton John - Blueberry Hill
5 - Taj Mahal & The New Orleans Social Club - My Girl Josephine
6 - The Dirty Dozen with Joss Stone and Buddy Guy - Every Night About This Time
7 - Paul McCartney & Allen Toussaint - I Want to Walk You Home
8 - Lenny Kravitz with Rebirth Brass Band - Whole Lotta Loving
9 - Dr.John - Dont Leave Me This Way
10 - Bonnie Raitt - Im in Love Again
11 - Art Neville - Please Dont Leave Me
12 - Robbie Robertson & Galact - Going to the River
13 - Randy Newman - Blue Monday
14 - Robert Plant - It Keeps Rainin
15 - Corinne Bailey Rae - One Night (Of Sin)
1 - Neil Young - Walking to New Orleans
2 - Robert Plant and The Soweto Gospel Choir - Valley of Tears
3 - Norah Jones - My Blue Heaven
4 - Lucinda Williams - Honey Chile
5 - Marc Broussard - Rising Sun
6 - Olu Dara - When I See You
7 - Ben Harper & The Skatalites - Be My Guest
8 - Toots & The Maytals - Let the Four Winds Blow
9 - Willie Nelson - I Hear You Knockin
10 - Irma Thomas & Marcia Ball - I Just Cant Get New Orleans Off My Mind
11 - Bruce Hornsby - Dont Blame It on Me
12 - Herbie Hancock - Im Gonna Be a Wheel Someday
13 - Los Lobos - The Fat Man
14 - Big Chief Monk Boudreaux - So Long
15 - Preservation Hall Jazz Band - When the Saints Go Marching In
A espera foi longa,
longa até demais; mas pelo jeito, tudo aconteceu na hora que era pra acontecer.
Passei os últimos seis anos esperando por uma oportunidade de estar à frente de
Riley Ben King, de poder ver, ouvir e sentir cada bend que o velho Blues Boy
tocasse na sua querida Lucille. Já estava começando a ficar frustrado, afinal,
B.B. já estava com 86 anos e nada de aparecer notícias sobre uma nova vinda ao
Brasil. Este ano, a oportunidade se apresentou: o show cairia no dia 2 de outubro
no teatro Guaíra, lá em Curitiba – e como eu disse tudo aconteceu na hora que
era pra acontecer. Meu aniversário, casualmente, é no dia 2 de outubro; então
vocês podem imaginar o quão ansioso eu estive ao longo dos dois meses de
espera, desde que tinha comprado meu ingresso.
O tempo parecia se
arrastar até o dois de outubro. Completar 23 anos era o que menos importava; o
que realmente martelava em meu cérebro é que eu precisava ver um show do Rei do
Blues. Quando finalmente chegou a hora de partir, eu me sentia pronto. Já
estava imerso na atmosfera certa depois de passar várias horas consecutivas
ouvindo cada fase da carreira de King. Cheguei a Curitiba ainda de manhã, junto
com um ex-colega, e passamos o dia tentando achar algo que nos ocupasse até a
hora do show, que começaria às 21h. Cerveja vai, cerveja vem – é chegada a hora
do último descanso antes de ir para o Teatro Guaíra para retirar os ingressos.
A
última longa espera
Retirados os ingressos,
ainda faltava uma hora e meia para o show. Foram, provavelmente, os 90 minutos
mais longos da minha vida. Como o concerto estava marcado para as nove da
noite, acreditei que, no máximo, às oito e meia as portas já teriam sido
abertas – doce engano; houve um atraso de alguns minutos que pareceram dias. Eu
suava, quase tremia, suspirava tensa e longamente enquanto os portões do
paraíso não se abriam.
A
orquestra maioral
Abriram-se as portas e
todos corremos para dentro. Estranhamente não houve revista nem nada do gênero,
passamos direto pelos seguranças e nos dirigimos ao segundo andar do teatro
para ingressar no auditório onde aconteceria o evento. No meu caso, tive mais
dois lances de escada para subir. O tempo foi passando e as pessoas foram se
acomodando em seus lugares. Era quase nove e meia da noite quando finalmente
foi anunciado o show da banda de abertura – uma banda da qual eu ainda não
havia ouvido falar. Fiquei apreensivo, a princípio, pois não havia sido
anunciado em nenhum lugar que haveria uma banda de abertura – e já estávamos
meia hora atrasados.
O hoster da casa
anunciou e os caras entraram no palco: Big Time Orchestra, nossa orquestra
maioral. Uma banda de swing no melhor estilo Big Bad Voodoo Daddy, os caras
entraram já mandando um som autoral. E o tom da apresentação foi uma mescla entre
sons próprios e versões muito bem boladas: eu não podia deixar de sorrir e de
dançar sentado na minha cadeira lá no fundo do teatro, no balcão 2. Era meu
aniversário e os caras estavam dando um ritmo de festa ao evento. Dos covers,
dou destaque especial a uma ótima versão de “Have You Ever Seen The Rain”, do
Creedence Clearwater Revival, e “Mr Pinestripe Suit”, do Big Bad Voodoo Daddy.
O show dos rapazes finalmente chegava ao fim – era hora de preparar o palco
para a entrada do Rei e seus comparsas.
A
melhor banda do mundo
Assim que o palco foi
arrumado, o hoster da casa anunciou a banda de B.B. King. A galera foi à
loucura e eu já estava tremendo de ansiedade, mal pude conter o balançar das
minhas pernas. Os caras passaram o som rapidinho, dando uma última conferida
nos volumes e na equalização e logo estavam no palco. Eu avisei para a moça ao
meu lado que ainda demoraria para o Rei entrar em cena, pois era um costume
antigo deixar a banda tocar dois ou três músicas primeiro. Dito e feito: os
caras tocaram. E tocaram muito bem! Uma cozinha sólida feito uma rocha ditava o
ritmo, enquanto Boogaloo, o bandleader, comandava não só a excelente sessão de
metais, mas todo mundo. O guitarrista, Charles Dennis, é uma fera e roubou a
cena! O cara foi simplesmente demais, o show todo. Mas logo era chegada do
maior membro da banda aparecer: depois de três canções, o apresentador oficial
do B.B., que viaja com ele para todos os cantos, avisou que o Rei estava
chegando.
O
maior maestro do blues
Com o anúncio, a galera
foi ao frenesi – e eu travei. Estava tão nervoso que mal podia pensar no que
estava sentindo, mas agora vejo que foi uma mistura de muita coisa. Para ser
sincero, quando King entrou no palco, quase chorei – era difícil de acreditar
que, enfim, eu estava presente em um show dele e, ainda por cima, justo no dia
do meu aniversário!
B.B. sentou em sua
cadeira depois de saudar a platéia, falou um pouco conosco e tocou um tema
instrumental antes de realmente começar o show. E que começo! Já sem fôlego, vi
e ouvi o rei mandar uma excelentíssima I Need You So – e acho que isso é uma
síntese do que eu sentia naquele exato momento; eu realmente precisava muito
dele, da música dele. A galera assobiava, aplaudia nos intervalos, todo mundo
pirando na magia que rolava no ar, emanada de um simpático senhor de 87 anos de
idade.
De I Need You So, fomos
para Rock Me Baby e B.B. seguiu brincando com a plateia. Eu já estava me
soltando mais, a tensão havia se dissipado, dando lugar a um sentimento sublime
de realização. Dancei, ainda que sentado, freneticamente ao som de Rock Me Baby
e logo o público aterrissou de cabeça na chave para a autoestrada. De Key To
The Highway, seguimos em velocidade moderada até um som bastante inusitado: You
Are My Sunshine. Sempre brincando e comandando o público, o maior maestro do
blues guiou a plateia na cantoria e fez com que repetíssemos em uníssono: “You are my sunshine, my only sunshine/You
make me happy when skies are gray/You'll never know dear, how much I love
you/Please don't take my sunshine away”. E era verdade: ele era o raio de
sol que iluminava a lua naquela noite em Curitiba. Logo ele mandou When Love
Comes To Town e eu já estava exultante.
O que se via era um
B.B. consciente de sua idade, dando espaço para os músicos da banda aparecerem
também, e o público soube reconhecer isso, aplaudindo insanamente a cada bom
solo. Mas nada no mundo poderia me preparar para o próximo ato daquela ópera da
minha vida, ainda que eu tivesse esperado impacientemente por ela: The Thrill
Is Gone; ainda que numa versão encurtada, ainda era A música. Eu explodi
internamente e novamente me peguei quase aos prantos. Era demais, surreal. Com
uma breve dedicatória a um casal, B.B. emendou Guess Who logo na sequência – eu
já sentia que poderia morrer feliz, já estava completo, musicalmente falando.
Aí veio uma canção do
disco novo, One Kind Favor de 2008, chamada See That My Grave Is Kept Clean.
Tudo corria perfeitamente e eu já não podia deixar de sorrir. A seguir houve um
tema instrumental que não pude reconhecer, mas logo chegamos a mais
brincadeiras e uma interação fantástica com o público. Ele estava se preparando
para mais um pouco de You Are My Sunshine quando o Rei nos disse que Willie
Nelson era uma de suas pessoas favoritas. Como ele já havia feito em Thrill Is
Gone/Guess Who, B.B. encaixou perfeitamente aquele excerto ao jazz standard
When The Saints Go Marching In. Nesse momento senti um pouco de vergonha dos
meus companheiros de teatro: quando B.B. pedia para que cantassem, eles não
acompanharam, ou não souberam acompanhar, não sei dizer ao certo.
Vendo que dali não
tinha mais o que tirar, King seguiu a canção até o seu fim. Anunciando que a
apresentação estava acabando, Riley perguntou-nos se ele poderia tocar mais uma
canção. O coro de vozes extenuadas, mas sedentas por mais emoção rugiu: YES! E
apesar dos vários pedidos que emergiram da platéia, quem manda no espetáculo é
o maestro – e ele decidiu que a peça encerraria com um som muito emblemático:
Everyday I Have The Blues. E era bem assim que eu me sentia: dali pra frente,
eu teria o blues todos os dias. A confortante recordação de uma noite
fantástica me acompanhará para sempre.
(P.S.: Não fui eu quem gravou os vídeos, portanto peço desculpas caso a qualidade esteja baixo, mas foi o que pude encontrar pra vocês)
O advento rock & roll, o R&B e a soul music haviam tirado o espaço dos músicos de blues já no fim dos anos 50 - o choro do Mississippi era um estilo decadente e desinteressante, alvo de muito preconceito. BB King disse sobre essa situação, no documentário The Road To Memphis, da série The Blues (de Martin Scorcese): "Foi como me sentir negro de novo", por ser discriminado por estar tocando o blues.
Porém, em meados dos anos 60, tudo mudou. A década de ouro do rock trouxe à tona, novamente, o mundo do blues. Com a infinidade de bandas de rock inglesas que tiravam sua maior inspiração do blues, o público britânico queria saber quem eram os criadores daquele som que tanto os enlouquecia. Através deste interesse além mar, os próprios americanos voltaram a dar bola para suas raízes.
Mas para explicar direito este post, vamos nos focar apenas no pessoal da terra da Rainha: seu crescente interesse em bandas como The Rolling Stones, Fleetwood Mac, entre outras, deu aos bluesmen um público novo - e este público demandava a presença de seus ídolos. Mediante esta oportunidade, surgiram vários discos épicos de grandes bluesmen americanos, com a participação especial dos roqueiros britânicos.
Nomes como Howlin' Wolf, Muddy Waters, John Lee Hooker e, é claro, B.B. King começaram a circular por Londres - e apartir de lá, pelo resto da Europa. As "London Sessions" foram, na minha opinião, um passo importante na "dominação mundial" blueseira (e da música afro-americana como um todo).
B.B. King nasceu Riley Ben King em Itta Bena, Mississippi em 1925. Primo do saudoso Bukka White, virou B.B. (Blues Boy) quando trabalhou na famosa estação de rádio WDIA nos anos 40. Nessa época, assistiu a T-Bone Walker pela primeira vez e descobriu algo que mudaria sua vida. Nas palavras do rei: "Quando o vi pela primeira vez, eu sabia que precisava de uma [guitarra elétrica] pra mim".
Dessa nova influência, junto com suas antigas raízes rurais, fortemente inspiradas no blues cru de Blind Lemon Jefferson, surgiu o estilo que marcaria o mundo. As mãos de um homem que trata seu instrumento como se fosse uma mulher (Lucille), ou melhor, a mulher mais importante do mundo. Um som único e distinto, com solos que tocam o fundo da alma de qualquer pessoa sensível a esse tipo de música.
B.B., como Rei do Blues e lenda viva do gênero, tocou com muita gente. Albert King, James Brown, Buddy Guy, Eric Clapton... A lista continua durante muito, muito tempo. Mas uma dessas parcerias mais marcantes é a que gerou este álbum. O dueto com Bobby "Blue" Bland rendeu dois discos ao vivo, frutos de apresentações inesquecíveis.
Bobby nasceu em Rosemark, no Tennessee, em 1930, mas foi ainda garoto pra Memphis. Por lá, começou a cantar gospel. Mas seu envolvimento com os músicos da famosa Beale Street (entre os quais B.B. estava incluso) o fez mudar para uma mistura de blues, R&B e soul. Seu vocal característico, muito poderoso, é a marca de sua carreira.
Quando mais de duas vozes expressivas se juntam pra cantar, é certo que teremos um clássico. E aqui não podia ser diferente. Eu, particularmente, sou suspeito pra falar, já que meu bluesman favorito é o B.B. King, além de eu também ser fã de carteirinha do Bobby Bland.
Mas de qualquer forma, continuemos: a união entre o choro de Lucille e as vozes carregadas de sentimento dos dois amigos é o ponto alto de cada faixa deste álbum. É impossível de descrever a sensação de pôr esse disco pra tocar inteiro e deixar que o som dele acalme a sua alma.
Abrindo com o clássico standard Three O'Clock Blues, o LP é repleto de canções importantes da história do estilo nasci nas plantações de algodão americanas. It's My Own Fault, Goin' Down Slow, ou o ótimo medley de Good To Be Back Home, Driving Wheel, Rock Me Baby, Black Night, Cherry Red, It's My Own Fault, Three O'Clock In The Morning, Oh, Come Back Baby, Chains Of Love e Gonna Get Me An Old Woman. Mas a música mais marcante do álbum é, com certeza, a que o encerra: I Like To Live The Love. Ouça e confira o que eu digo.
Aproveitem sem moderação!
(Peço desculpas por, novamente, não ter achado um vídeo das músicas do disco, mas, novamente, estes aqui servem muito bem para esse propósito)
1 - Blues Boy Tune - 3:29
2 - Bad Case Of Love - 5:28
3 - I'll Survive - 4:53
4 - Mean Ole' World - 4:29
5 - Blues Man - 5:19
6 - Broken Promise - 3:33
7 - Darlin' what Happened - 5:26
8 - Shake It Up And Go - 3:10
9 - Blues We Like - 5:08
10 - Good Man Gone Bad - 3:20
11 - If I Lost You - 4:57
12 - Tell Me Baby - 3:26
13 - I Got Some Outside Help I Don't Need - 4:37
14 - Blues in "G" - 3:28
15 - If That Ain't It I Quit - 3:20
1 - If You Love Me (With Van Morison) - 5:47
2 - The Thrill Is Gone (With Tracy Chapman) - 5:01
3 - Rock Me Baby (With Eric Clapton) - 6:37
4 - Please Send me Someone To Love (With Mick Hucknail) - 4:15
5 - Baby I Love You (With Bonnie Raitt) - 4:01
6 - Ain't Nobody Home (with D'Angelo) - 5:00
7 - Pauly's Birthday Boogie (With Jools Holland) - 3:39
8 - There Must Be A Better World Somewhere (With Doctor John) - 4:29
9 - Confessin' The Blues (With Marty Stuard) - 4:22
10 - Hummingbird (With Dionne Warwick) - 4:20
11 - Bring It Home To Me (With Paul Carrack) - 3:10
12 - Paying The Cost To Be The Boss (With The Rolling Stones) - 3:34
13 - Let The Good Times Roll (With Zucchero) - 5:12
14 - Dangerous Mood (With Joe Cocker) - 4:54
15 - Keep It Coming (With Heavy D) - 3:54
16 - Cryin' Won't Help You Babe (With David Gilmour and Paul Carrack) - 3:54
17 - Night Life (With Willie Nelson) - 4:32
1 - See That My Grave Is Kept Clean - 4:49
2 - I Get So Weary - 4:17
3 - Get These Blues Off Me - 4:30
4 - How Many More Years - 3:10
5 - Waiting For Your Call - 6:02
6 - My Love Is Down - 5:25
7 - The World Is Gone Wrong - 4:24
8 - Blues Before Sunrise - 4:21
9 - Midnight Blues - 3:49
10 - Backwater Blues - 7:36
11 - Sitting On Top Of The World - 3:41
12 - Tomorrow Night - 5:00
BB King & Eric Clapton - Riding With The King (2000) - 128bkps
1 - Riding With The King - 4:23
2 - Ten Long Years - 4:40
3 - Key To The Highway - 3:39
4 - Marry You - 4:59
5 - Three O'Clock Blues - 8:36
6 - Help The Poor - 5:06
7 - I Wanna Be - 4:45
8 - Worried Life Blues - 4:25
9 - Days Of Old - 3:00
10 - When My Heart Beats Like A Hammer - 7:09
11 - Hold On I'm Coming - 6:20
12 - Come Rain Or Come Shine - 4:11
1 - Opening - 1:16
2 - To Know You Is To Love You - 4:03
3 - I Believe In My Soul - 6:11
4 - Why I Sing The Blues - 6:13
5 - Ain't Nobody Home - 3:09
6 - Sweet Sixteen - 7:01
7 - The Thrill Is Gone - 4:32
8 - Guess Who - 4:53
9 - I Like To Live The Love - 4:11
10 - Closing - 0:56