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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

The Velvet Underground - Loaded (1970)



    Após o excelente homônimo, cuja sonoridade foi um tanto diferente do catálogo da banda até o momento, o Velvet Underground traz algumas mudanças, de novo, ao seu som, tornando-lhe mais agressivo, porém mantendo os timbres limpos, o que culmina numa mistura que remete às canções mais "normais" do debut. Com essas mudanças, vêm o novo estilo vocal de Lou Reed, mais "engraçadinho" em suas performances, para bem ou para mal, e o foco mais folk da maioria das letras, mostrando uma apreciação por narrativas tanto em terceira, quanto em primeira pessoa envolvendo personagens, objetos e locais com nomes próprios, os quais conferem um caráter mais literário e referencial a estas.
    Porém, ao mesmo tempo em que essas adições enriquecedoras foram implementadas, perdeu-se muito do peso e das nuances encontradas em composições anteriores. O próprio título do álbum, Loaded, refere à demanda da produtora de que a banda fizesse músicas mais "diretas", com a intenção destas acabarem virando singles. O que, felizmente, não arruina a qualidade das músicas, porém deixa muitas delas soando ocas e dispensáveis, como, por exemplo, "I Found A Reason", cuja versão demo, gravada ao estilo country-folk, deixa uma impressão melhor que a da própria versão final, que soa como uma reprodução um tanto estéril das confissões gospel do álbum anterior.




    Quanto ao bom de Loaded, as duas músicas verdadeiramente singles em sua essência, "Sweet Jane" e "Rock and Roll", são delícias pop com ótimas melodias e ritmos que nem mesmo a jocosidade às vezes exagerada de Lou Reed estraga. "Oh! Sweet Nuthin'" é uma boa canção, também, porém não ótima, pois seus solos meio country, coro contido e estrutura a la "Hey Jude" ou "You Can't Always Get What You Want" falham a transcender a esterilidade geral do álbum.





    Loaded acaba não sendo a despedida merecida da banda - tanto por perder muito do que tornava o Velvet Underground interessante no passado, quanto por ter sido seguido pelo desastre encabeçado por Doug Yule e os produtores, Squeeze -, mas (sempre há um mas) merece algumas ouvidas, por mais que em menor quantidade em relação às obras passadas.




Baixar aqui e aqui. Incluída está a versão de dois CDs, com demos e outtakes. A senha para todos os arquivos é j4n3.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

The Velvet Underground - The Velvet Underground (1969)

Oi. Quanto tempo. Então...




    Sem John Cale, que perdeu a briga com Lou Reed pela direção artística e musical da banda, foram-se as distorções e o pequeno avant-garde do seu som. Agora, as baladas de Reed predominam - não o pior, porém. Muito pelo contrário - na opinião do (que tenta ser) humilde autor, The Velvet Underground é, sem sombra de dúvida, a melhor obra dentre uma ótima discografia, com apenas uma maçã podre, que, a favor dos propósitos desta série de artigos, não existe.
    A abertura do álbum é uma das mais corajosas e anti-comerciais vistas na história do rock. Embora não sendo a música mais lerda, "Candy Says" surpreende após um White Light/White Heat com um pancadão inicial ao agradar os ouvidos alheios com lindas melodias arpegiadas pela dupla de guitarras de Lou e Sterling Morrison e cantadas pela suavíssima voz do "substituto" de John Cale, o baixista Doug Yule.




    Segue-se com "What Goes On", uma música mais rápida, mais "rock", porém nem tanto. Junto com "I'm Set Free" - cujas confissões poéticas, mas mesmo assim um tanto pastorais, de Reed poderiam facilmente caracterizar uma balada gospel se acompanhadas de um coro de verdade -, esta é um bom exemplo da aura etérea e relaxada transmitida pela instrumentação limpa, porém abafada na medida certa, e os vocais honestos e suaves. A combinação de beleza com distorção dos álbums anteriores retorna nesta faixa, com um solo que complementa estranhamente a groove agradável e o órgão gospelizante, soando como o gralhar de uma gaita de foles passado através de um pedal de distorção. Tal mistura - o agressivo com o bonito - só retorna na penúltima faixa, "The Murder Mystery", que alterna ritmos frenéticos que provêm o fundo para leituras de poesia com interlúdios melódicos por parte de Doug Yule e da baterista Maureen Tucker, em seu debut como vocal.





    Vale também mencionar o trio de músicas lentas após "What Goes On": "Some Kinda Love", uma faixa um tanto meditativa graças ao quase-drone (uma nota repetida constantemente ao longo da canção, artimanha utilizada bastante por John Cale) das guitarras e do canto sedado de Reed; "Pale Blue Eyes", cuja sonoridade contida não esconde o sentimento de um amor perdido e "Jesus", que soa muito bem como a confissão de alguém no fundo do poço. Juntas, estas formam uma progressão curiosa: passam tematicamente pela alegria de um amor sem compromisso, a enfatuação e a perda, e, possivelmente, a depressão e auto-destruição resultantes - cada música é mais devagar que a outra, também. É um fato que o Velvet Underground sempre teve músicas devagares, mas nunca tão vulneráveis e pessoais quanto neste álbum.
    Fechando esse conjunto de músicas que podiam muito bem ter sido gravadas por almas penadas em rumo ao céu, "After Hours", cantada por Maureen Tucker, é a música mais "bonitinha" do repertório dos Velvets. Constituída por um violão e o cantar desafinado de Maureen - que auxilia o tom pessoal da composição -, ela também é uma de suas músicas mais mórbidas. "Heroin" pode ter assustado ao descrever o uso de drogas e a apatia total consequente, mas "After Hours" fala da morte em si, do esquecimento e da solidão.





    Embora a perda de Cale, de acordo com o mesmo, tenha a sua dramaticidade exagerada, ela foi certamente um momento de fôlego para o Velvet Underground, deixando a banda ser mais honesta e abandonar suas pretensões mais abrasivas. O resultado disso é uma coleção de ótimas músicas com ricas texturas sonoras, que convidam quem ouve a relaxar e a ser embalado, mesmo em seus momentos ligeiramente agressivos.

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    Baixar aqui. Está inclusa uma mixagem alternativa do álbum, a chamada "Closet Mix". A senha é whatgoes0n.

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    O próximo álbum, Loaded, é um bicho inteiramente diferente. Uma celebração ao rock ou uma tentativa de vender mais? Veremos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

The Velvet Underground - White Light/White Heat

Aproveitando o lançamento de Lulu, de Lou Reed com o Metallica...




Parafraseando a Wikipédia, após vendas decepcionantes do álbum prévio, a relação da banda com Andy Warhol estragou e, consequentemente, Lou Reed e amigos chutaram Andy Warhol da produção, assim como sua afiliada, Nico. Muito possivelmente, este acontecimento encorajou os Velvets a, dentro de seus próprios limites, experimentar muito mais.
                 
Se a heroína foi a droga-inspiração da obra passada, nesta, as anfetaminas e estimulantes diversos tomam esse lugar. Isso não quer dizer que todas as músicas compostas nesse período sejam turbilhões distorcidos emitidos por junkies acelerados, mas algumas, como a faixa homônima e I Heard Her Call My Name chegam bem perto de demonstrar essa descrição, machucando os ouvidos, porém prendendo os pés num ritmo frenético e nervoso. Até o título do álbum, White Light/White Heat, é uma alusão sinestésica aos efeitos da anfetamina.



Continuando a tradição de VU&N, ainda há o bom e velho contraste entre a agressividade (este sim é o álbum frequentemente citado por músicos de estilos de rock influenciados pelo punk, aliás) e a beleza gentil. Here She Comes Now é uma das músicas mais lindas entre as compostas por Lou Reed, que, com acompanhamentos de Sterling Morrison e uma leve viola tocada por John Cale, simplesmente declara seu amor por sua guitarra.
                
Infelizmente, as aventuras da banda com elementos experimentais acaba por quebrar a fluência do álbum. Nem a história curta com fundo musical que é The Gift e o improviso de 17 minutos, Sister Ray, são deveras interessantes. Esta última, felizmente, foi deixada por último na ordem das faixas. Falando em estrutura da obra, a busca por inovação não foi restrita a distorções, improvisos e literatura, como pode-se notar pela produção cavernosa e o fato complementar de que WL/WH foi gravado em dois dias. Desta vez, pelo menos, o efeito beneficia a estética do álbum.



                
White Light/White Heat, enquanto longe de ser a obra prima da banda, certamente merece uma escutada de tempo em tempo. Às vezes é difícil de acreditar que o VU gravou-o em 1968.

Baixar aqui. A senha para extrair os arquivos é g0d1va.

No próximo artigo, The Velvet Underground, o álbum. Sem Andy Warhol e, agora, sem John Cale, a banda sente-se com todo o direito de soar tão agressiva como um gatinho. De uma ótima maneira.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

The Velvet Underground - The Velvet Underground and Nico

The Velvet Underground - The Velvet Underground & Nico


Olá. Tô afim de discutir The Velvet Underground.






Quando se fala da evolução do rock 'n' roll, é impossível deixar de citar a banda norte-americana Velvet Underground, assim como o seu líder, Lou Reed. O VU foi crucial na transição do rock para o punk, com uma conexão embora nem tão reconhecível na sonoridade, porém mais intensa no que se diz quanto às estruturas de suas músicas e suas temáticas.

Seu primeiro álbum saiu no final dos anos 60, associado, influenciado e produzido pelo ícone da cena alternativa de Nova York da época, Andy Warhol. Ou seja, não só ocorrem participações de uma das superstars de Warhol, Nico, com seus vocais graves e desajeitados, porém até com algum charme, mas a estética da banda, tanto em termos sonoros, quanto nas próprias letras, é impulsionada a uma direção experimental típica do artista.





Tal experimentalidade funciona em faixas como Heroin e Venus in Furs, imortalizadas por suas descrições irrestritas de uso de drogas e sadomasoquismo, entre mais, e algum grau de barulho dissonante gritado por guitarras com afinações inortodoxas e a viola elétrica de John Cale. As outras músicas "noise", the Black Angel's Death Song e European Son, não são tão impactantes, mas também não sofrem muito com a barulheira.

Há também um lado mais melódico da banda demonstrado no álbum - uma prévia da gentil obra homônima da banda gravada pouco tempo depois.





Voltando ao ponto do processo de evolução, The Velvet Underground & Nico é crucial para a história do rock, pois não tem medo de ser sujo, barulhento, drogado e ao mesmo tempo delicado e gentil, muito como um dos travestis pelos quais Lou Reed é obcecado - e ainda por cima embalado numa deliciosa aura, por falta de uma descrição melhor, underground. Esse contraste é de grande importância, porém, ecoando a performance financeira da banda, foi desvalorizado em favor da agressão sonora-temática mais tarde vista em bandas de punk rock.

Baixar aqui. A senha para extrair os arquivos é h3r0in.


A seguir, o cume e o abismo do experimentalismo, White Light/White Heat.
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