quinta-feira, 27 de outubro de 2011

The Velvet Underground - White Light/White Heat

Aproveitando o lançamento de Lulu, de Lou Reed com o Metallica...




Parafraseando a Wikipédia, após vendas decepcionantes do álbum prévio, a relação da banda com Andy Warhol estragou e, consequentemente, Lou Reed e amigos chutaram Andy Warhol da produção, assim como sua afiliada, Nico. Muito possivelmente, este acontecimento encorajou os Velvets a, dentro de seus próprios limites, experimentar muito mais.
                 
Se a heroína foi a droga-inspiração da obra passada, nesta, as anfetaminas e estimulantes diversos tomam esse lugar. Isso não quer dizer que todas as músicas compostas nesse período sejam turbilhões distorcidos emitidos por junkies acelerados, mas algumas, como a faixa homônima e I Heard Her Call My Name chegam bem perto de demonstrar essa descrição, machucando os ouvidos, porém prendendo os pés num ritmo frenético e nervoso. Até o título do álbum, White Light/White Heat, é uma alusão sinestésica aos efeitos da anfetamina.



Continuando a tradição de VU&N, ainda há o bom e velho contraste entre a agressividade (este sim é o álbum frequentemente citado por músicos de estilos de rock influenciados pelo punk, aliás) e a beleza gentil. Here She Comes Now é uma das músicas mais lindas entre as compostas por Lou Reed, que, com acompanhamentos de Sterling Morrison e uma leve viola tocada por John Cale, simplesmente declara seu amor por sua guitarra.
                
Infelizmente, as aventuras da banda com elementos experimentais acaba por quebrar a fluência do álbum. Nem a história curta com fundo musical que é The Gift e o improviso de 17 minutos, Sister Ray, são deveras interessantes. Esta última, felizmente, foi deixada por último na ordem das faixas. Falando em estrutura da obra, a busca por inovação não foi restrita a distorções, improvisos e literatura, como pode-se notar pela produção cavernosa e o fato complementar de que WL/WH foi gravado em dois dias. Desta vez, pelo menos, o efeito beneficia a estética do álbum.



                
White Light/White Heat, enquanto longe de ser a obra prima da banda, certamente merece uma escutada de tempo em tempo. Às vezes é difícil de acreditar que o VU gravou-o em 1968.

Baixar aqui. A senha para extrair os arquivos é g0d1va.

No próximo artigo, The Velvet Underground, o álbum. Sem Andy Warhol e, agora, sem John Cale, a banda sente-se com todo o direito de soar tão agressiva como um gatinho. De uma ótima maneira.

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