VA - Country Funk Vol.II [1967-1974] (2014) - 320kbps
1 - Billy Swan - Don't Be Cruel - 4:41
2 - Bob Darin - Me and Mr. Hohner - 3:18
3 - Hoyt Axton - California Women - 2:21
4 - Townes Van Zandt - Hunger Child Blues - 3:13
5 - Thomas Jefferson Kaye - Collection Box - 4:05
6 - Willie Nelson - Shotgun Willie - 2:42
7 - Jackie DeShannon - The Weight - 3:02
8 - Gene Clark & Doug Dillard - Don't Let Me Down - 3:51
9 - Bill Wilson - Pay Day Give Away - 4:01
10 - Dolly Parton - Getting Happy - 2:39
11 - Larry Williams & Johnny Watson with The Kaleidoscope - Nobody - 2:36
12 - Jim Ford - Rising Sign - 3:43
13 - JJ Cale - Cajun Moon - 2:17
14 - Donnie Fritts - Sumpin Funky Going On - 2:52
15 - Kenny Rogers & The First Edition - Tulsa Turnaround - 3:40
16 - Great Speckled Bird - Long Long Time To Get Old - 3:09
17 - Willis Alan Ramsey - Northeast Texas Women - 5:53
Delaney & Bonnie and Friends - D & B Together (1972) - 224kbps
1 - Only You Know And I Know - 3:28
2 - Wade In The River Of Jordan - 2:12
3 - Sound Of The City - 2:40
4 - Well, Well - 3:03
5 - I Know How It Feels To Be Lonely - 3:40
6 - Comin' Home - 3:15
7 - Move 'Em Out - 2:53
8 - Big Change Comin' - 3:25
9 - A Good Thing (I'm On Fire) - 2:15
10 - Groupie (Superstar) - 2:50
11 - I Know Something Good About You - 4:12
12 - Country Life - 3:39
1.The Virgin (3:39) 2.With Tomorrow (2:27) 3.White Light (3:39) 4.Because of You (4:04) 5.One in a Hundred (3:35) 6.For a Spanish Guitar (5:00) 7.Where My Love Lies Asleep (4:22) 8.Tears of Rage (4:14) 9.1975 (3:55)
Gene Clark – vocals, acoustic guitar Jesse Ed Davis – electric guitar Chris Ethridge – bass Gary Mallaber – drums Mike Utley – organ Ben Sidran – piano
Hoje, dia 26 de junho, é dia de festa. Estamos todos nós, fãs daquilo que veio a se convencionar como "Americana", cheio de motivos para estarmos celebrando: hoje completam 38 anos do lançamento de "The Basement Tapes", o registro oficial da primeira colaboração entre Bob Dylan e The Band, um encontro que mudaria o rumo da música norte-americana. Apesar de ter sido lançado apenas em 1975, as sessões que geraram "The Basement Tapes" ocorreram em 1967 e já circulavam, por baixo dos panos, como bootlegs. Vejamos, então, do que se trataram estas sessões e qual a importância deste disco chamado "The Basement Tapes".
Depois de uma extensa turnê mundial entre 65 e 66, apoiado pelos The Hawks (era assim que eles eram chamados antes de virarem The Band), Bob se encontrava cansado e havia caído em uma certa desgraça com seu público, que até o chamava de "Judas" por ter abraçado uma sonoridade mais próxima ao rock n roll. Quando retornou aos EUA, seu agente havia marcado mais inúmeras apresentações através do país, que acabaram sendo todas canceladas por um grande infortúnio. Em 29 de julho de 66, Dylan sofreu um acidente de moto que mudaria tudo. Como o próprio Bardo declarou, em entrevista cedida em 69: "Eu tive um pavoroso acidente que me deixou fora da ativa por um tempo, e eu não percebi a importância daquele acidente pelo menos até ter se passado um ano. Eu percebi que havia sido um acidente real. Quer dizer, eu pensei que eu apenas me levantaria e voltaria a fazer o que eu fazia antes... mas eu não podia mais fazer isso"
Em sua casa, próxima a Woodstock, Dylan mudou seu estilo de vida durante o ano de 67. Os Hawks foram chamados para comparecer à cidade para gravar com Dylan, e alugaram a Big Pink (casa que os rapazes tornariam famosa dois anos depois, ao lançar seu disco de estreia, Music From Big Pink). Nesse tempo que estiveram juntos, por vários meses, Dylan se reaproximou da música norte-americana de raiz e apresentou os caras da The Band a esse universo, já que até ali, eles eram estritamente músicos de rock. Entre a gravação de versões para antigas canções tradicionais e a composição de novos temas, uma certa sinergia surgiu entre mentor e alunos. O porão do Big Pink fornecia o pano de fundo caseiro, intimista, para o disco; a banda trabalhava para deixar Bob à vontade; e Dylan, por sua vez, destilava seu humor através da genialidade na composição. Havia algo ali de cunho bastante familiar, caseiro. E é disso que trata "The Basement Tapes" e os demais bootlegs: um ambiente rural, quieto e profundamente familiar.
É claro que o lançamento oficial, tão afastado das sessões originais, gerou polêmicas e controvérsias. A seleção de faixas, 24 ao todo, não representam todo o material composto em 67 e, na verdade, tem 8 músicas que nem sequer contam com a participação de Dylan. De acordo com Robbie Robertson, principal responsável pela seleção das canções que entraram no álbum, isso aconteceu porque nem ele, nem Bob Dylan e nem Garth Hudson tinham acesso a todas as gravações originais. Criou-se um clima tenso, também, ao redor do disco: alguns críticos acreditavam que a inclusão das oito músicas da The Band era a forma de Robertson afirmar que o grupo fora tão ativo nas Basement Tapes quanto o Bardo. Para os mesmos críticos, isso era um sacrilégio, já que as faixas da The Band "atrapalhavam a unidade do material de Dylan".
Mas polêmicas à parte, o álbum é, na minha singela opinião, sensacional. Há, nele, algumas de minhas canções favoritas da parceria Dylan/Band. "Goin' To Acapulco" certamente seria minha escolha primária, mas "Clothes Line Saga", "Too Much Of Nothing", "You Ain't Goin' Nowhere" e, é claro, "This Wheel's On Fire" não podem ficar muito pra trás. Acredito, inclusive, que essas canções servem muito bem para dar uma amostra geral da unidade do álbum. As temáticas mais frequentes foram o nada, sinalizando para o caráter descompromissado das sessões de gravação: eram apenas amigos se divertindo. E, nesse meio tempo, Bob Dylan pôde se reinventar e, também, se redescobrir. De certa forma, "The Basement Tapes" ia na contramão de outros álbums gravados em 67, como, por exemplo, o Sargeant Pepper Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Como afirmou Bob em uma entrevista datada de 78: "Eu não sabia como gravar da mesma forma que as outras pessoas fazem, e eu nem queria. Os Beatles tinham recém lançado Sgt. Pepper, que eu não curti nem um pouco. Achei ele um álbum bastante indulgente, apesar de as músicas neles seram realmente boas. Eu não achava que toda aquele produção fosse necessária."
De qualquer forma, o que surgiu a partir disso foi o princípio de um novo jeito de se fazer (e mesmo de se pensar) música. Uma abordagem mais direta, sem tanta produção, que mergulhava em um universo ancestral de sonoridades que formaram a identidade musical norte-americana. "The Basement Tapes" e os outros bootlegs foram instrumentais na construção do "roots rock" e do "americana", eles materializaram um som tornado uníssono, que até então era uma multiplicidade enorme de estilos. Country, folk, blues... tudo foi jogado dentro do caldeirão, temperado com um rock suave e mexido até ferver e formar algo novo e único - algo genuinamente americano. E isso fica claro se nós dermos uma ouvida na discografia da The Band, por exemplo. Como explicou Joanna Colangelo, do site No Depression, no seu artigo "The Weight: Quando uma canção se torna um hino", o som da The Band, ou mais especificamente a canção "The Weight", representam a própria essência daquilo que é genuinamente americano.
Aquilo que foi alguns meses na vida de seis amigos acabou se tornando eterno na história da música. Horas de gravação se transformaram em um legado extenso de influência e de celebração. E é exatamente por isso que comemoramos hoje, 38 anos depois do lançamento da versão oficial daquelas gravações, as "The Basement Tapes".
Já faz um ano desde que um dos dias mais tristes na minha trajetória de apreciador musical ocorreu. Há exatos 365 dias, morria Levon Helm, ex-baterista e vocalista da saudosa The Band. Após uma longa e reincidente batalha contra o câncer na garganta, nosso herói do Arkansas perdeu. Certamente a banda do além ganhou uma nova adição, contando com mais um talento sem precedentes.
Já faz um ano... um ano sem nenhum novo vídeo, nenhum novo áudio ou notícia sobre esse querido senhor do Arkansas que embalou os mais diversos momentos da minha vida nos últimos anos, desde os mais calorosos até os mais tristes. Já faz um ano que o mundo não ouve mais a voz de Levon Helm ecoar com um tom paternal através do ar, agora há apenas a saudade. Levon é e sempre será insubstituível. Ainda bem que as gravações estão aí para nos lembrar de quem ele foi.
Ramble At The Ryman foi o último álbum que Helm gravou, até onde me consta, e sua voz assume um tom sublime pelos claros descontos que a doença produziu. Mesmo rouca, sua voz soa corajosa e se sobrepõe às dificuldades, produzindo um disco ao vivo de primeiríssima qualidade. A banda que o acompanhou era composta por sua filha, a talentosa Amy Helm (voz e bandolim), Larry Campbell (guitarra, violino, voz) e sua esposa, Teresa Williams (violão e voz), Steven Bernstein (trompete), Jay Collins (sax), Erik Lawrence (sax), Little Sammy Davis (harmonica), Clark Gayton (trombone, tuba), Tony Leone (bateria), Brian Mitchell (acordeão, órgão, piano e voz) e Paul Ossola (baixo). Além da banda, houve ainda alguns convidados mais do que especiais: Billy Bob Thornton (voz), Buddy Miller (guitarra, voz), John Hiatt (violão, voz), Sam Bush (bandolim, voz) e Sheryl Crow (harpa, voz).
Gravado em 2008 e lançado em 2011, o disco recebeu o prêmio Grammy na categoria Americana. E nada poderia ser mais justo, já que tanto a carreira de Levon quanto a seleção de músicos apresentadas em Ramble At The Ryman representam um profundo mergulho nas tradições musicais norte-americanas. Misturando músicas tradicionais com composições de Robbie Robertson que viraram clássicos da The Band, Levon Helm nos leva a um passeio atemporal e trans-dimensional para uma região da alma onde a música se fixa universalmente.
Começando com "Ophelia", abre-se os trabalhos num nível altíssimo e delicioso. Atravessa-se por clássicos do rock & roll e do blues, como "Back To Memphis" (Chuck Berry), "Fannie Mae" (Ronnie Hawkins) e "Baby Scratch My Back" (Slim Harpo) para poder, então, aterrisar de cabeça em outra canção da The Band: "Evangeline" é uma daquelas canções que parecem ter existido desde sempre nos Estados Unidos, contando a história de uma moça que está a espera do seu amado, que saiu para apostar. "No Depression In Heaven", por outro lado, nos faz pensar de como o paraíso deve estar hoje em dia, com Levon e todos os outros músicos comandando a festa.
A partir daí, temos uma trinca de canções que, para mim, conformam o primeiro (e talvez mais importante) clímax do show: "Wide River To Cross" (de Buddy e Julie Miller) nos guia através do caudaloso rio da vida, deixando que Sam Bush e Buddy Miller conduzam o barco. Logo a frente, "Deep Elem Blues" (canção tradicional) surge com força e malícia, falando sobre o "deep ellum" (distrito da luz vermelha), acompanhado por um sólido trabalho dos naipes de metais. Encerrando essa primeira catárse, vem a sublime "Anna Lee" (Laurelyn Dossett), onde Levon se sobressai, deixando-nos completamente embasbacados e apaixonados.
Seguindo os trabalhos, vem a animada "Rag Mama Rag", ótimo tema de Robertson, para recompor o ritmo embalado da apresentação. "Time Out For The Blues" (de Dan Hart e Buddy Starcher) e "A Train Robbery" (Paul Kennerly) mantém o nível, transitando competentemente entre o blues e o contry. Passa essa fase intermediária, tudo se incendeia com mais uma trinca digna dos deuses. Para encerrar o show no Ryman, Levon escolheu três pérolas da The Band compostas por Robbie Robertson.
"The Shape I'm In" diz muito sobre nosso protagonista, como o refrão já anuncia "oh, you don't know the shape I'm in". Daí, progredimos para a apaixonante "Chest Fever", que fala sobre a doença que resta depois que uma mulher abandona um homem. Para fechar com chave de ouro, não poderia ter sido escolhida outra canção que não "The Weight". O tema representa a essência da extinta The Band e, de acordo com alguns cronistas musicais americanos, ela também é o símbolo daquilo que é americano por excelência. O que sobra, ao término da audição deste ótimo álbum, é um gostinho por mais e, hoje em dia, uma terna sensação de saudade.
Do norte dos Estados Unidos, lá no distante estado do Michigan, surgiu, ainda nos anos 60, um projeto "espacial" de uma misturança de country, blues e rock 'n' roll. Mas calma lá, antes que vocês achem que estou enlouquecendo, devo explicar: trata-se da Commander Cody & His Lost Planet Airmen, grupo cujo nome saiu da combinação de filmes baratos de ficção, onde havia um personagem chamado Commando Cody, e de um título chamado "Lost Planet Airmen".
Surgida em 1967, a banda tem um molde que relembra as trupes de sucesso do country rock (como Buffalo Springfield, Flying Burrito Brothers e The Byrds). A galera dos Lost Planet Airmen, ao contrário das bandas supracitadas, nunca alçou vôos muito altos nas paradas de sucesso norte-americanas, apesar de terem firmado contratos com grandes gravadoras, como a Paramount e a Warner. Seu maior sucesso comercial foi o homônimo Commander Cody & His Lost Planet Airmen, de 1975, o 4º disco de estúdio da banda.
Lost In The Ozone, o álbum de estreia, é uma joia preciosa que merece ser explorada, dilapidada com cuidado. O sublime trabalho de Bobby Black à frente da steel guitar, unido com o talento das guitarra solo e base de Bill Kirchen e John Tichy, além do violino afiado de Andy Stein, servem para estabelecer o clima "interiorano" propício ao mais delicioso country e ao agitado western swing. Já o piano do próprio Commander Cody (George Frayne) estabelece um ritmo mais acelerado, mais sulista, flertando diretamente com o boogie-woogie, enquanto o baixo de Paul "Buffalo" Barlow mantém as coisas dentro dos eixos.
Em sons como "Family Bible" e "Lost In The Ozone", podemos ver o elemento country, mas se pularmos para "Midnight Shift" e "Hot Rod Lincoln", entramos no terreno do rockabilly e do western swing. Já na faixa final, "Beat Me Daddy, Eight To The Bar", há uma mistura animada entre o jump blues, com Andy Stein tocando sax, e aquele princípio do rock n roll, carregado por nomes como Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis. A união de todos os elementos presentes neste disco o torna uma espécie de "aula" da música americana e é curioso que ele tenha permanecido tão obscuro, já que sua qualidade é facilmente averiguável.
Hoje é um dia triste para o blues e para o rock: morreu, aos 68 anos, Graham Alvin Barnes, mais conhecido como Alvin Lee. No site oficial do cantor e guitarrista, os filhos de Lee (Jasmin, Evi e Suzanne) declararam: "É com grande pesar que nós anunciamos que Alvin faleceu, inesperadamente, hoje cedo, depois de complicações imprevistas após uma cirurgia de rotina. Nós perdemos um pai e companheiro maravilhoso e muito amado, já o mundo perdeu um músico verdadeiramente talentoso".
Nessas horas, é duro encontrar alguma palavra de conforto para a família, para os amigo ou mesmo para os fãs. Nesses últimos anos, o blues tem ficado cada vez mais triste conforme vemos vários grandes artistas partindo desta para melhor. O que se pode dizer é que, apesar de suas mortes, seu legado permanece e este fato deve ser celebrado.
Alvin Lee ficou conhecido pelo seu trabalho à frente do Ten Years After, clássica banda de blues rock com a qual gravou pedradas como o cover de "Good Morning Little School Girl" ou "I'm Going Home", mesmo com faixas com uma espécie de sensibilidade mais aflorada, como "Love Like A Man", ou ainda um grandioso slow blues de partir o coração entitulado "The Bluest Blues". Em 43 anos na ativa, Lee lançou 11 álbuns junto do Ten Years After e 13 em carreira solo.
Além destes trabalhos, há aquele que eu considero como o melhor de todos os já gravados por Lee: On The Road To Freedom, feito com a companhia de um ilustre desconhecido, Mylon LeFevre. Mylon era um cantor de gospel pouco conhecido até o esta união com Alvin, e, acredito, continuou sua carreira sem nunca chegar a um grande reconhecimento mesmo após ela. Juntos no time de estrelas que ajudou a pôr esse projeto em vinil, estavam nomes como: o Beatle George Harrison, o pianista Steve Winwood, o ex-Faces Ron Wood e os bateristas Jim Capaldi e Mick Fleetwood.
E é em homenagem a este grande músico que hoje postamos este grande disco.
O álbum é marcado por várias composições de respeito, como a faixa título "On The Road To Freedom" (de autoria de Lee), "So Sad (No Love Of His Own)" (escrita por Harrison), "Carry My Load" (também de Lee) e "Rockin' 'til The Sun Goes Down" (da dupla Lee e LeFevre), há ainda uma canção de Ron Wood que é bastante divertida, "Let'em Say What They Will". Mas devemos atentar, de fato, para os trabalhos vocais de Alvin e Mylon, que foram acompanhados por Harrison, Tim Hinkley, Boz Burrell e Mike Patto nos backings. Além disso, Bob Black, o encarregado pela steel guitar, também deve ser elogiado por todo o seu esforço. O resultado final é uma obra linda, cheia de sensibilidade e musicalidade.
Linda Ronstadt é uma daquelas artistas que dispensa muitas explicações. A então garotinha saída de Tucson, Arizona, trilhou um longo caminho para se afirmar como uma referência tanto no country quanto no rock e, por fim, tornar-se uma verdadeira diva da música americana. O caminho foi acompanhado de mudanças sutis, grandes sucessos, parcerias importantes, ativismo político e muita sensibilidade ao interpretar as mais diversas canções.
Em Heart Like A Wheel, seu quinto trabalho de estúdio, Linda produziu um verdadeiro clássico. Acompanhada pelos membros da banda Eagles e mais alguns bons músicos, como o cantor-compositor J.D. Souther, Ronstadt produziu uma seleção de 10 belíssimas canções, todas com arranjos que contribuem para destacar sua voz ímpar. Seja no grande sucesso, "You're No Good", ou quando ela derrete nossos corações, em "Dark End Of The Street", ou no cover de um hit de Lowell George e da Little Feat, "Willin", Linda e sua banda acertaram em todos os aspectos.
Há quase 39 anos de seu lançamento, Heart Like A Wheel continua definitivo. Ele é, acredito, a melhor forma de começar a conhecer a carreira desta mulher que ajuda a aquecer nossos corações e embalar nossas vidas e paixões, como a boa cantora de country que Linda Ronstadt é.
Various Artists - Delta Swamp Rock Vol. 2: More Sounds From The South 1968-75 (2012) - 320kbps
1 - Area Code 615 — Ruby
2 - Captain Beyond — Sufficiently Breathless
3 - Bobbie Gentry — Touch 'Em With Love
4 - Cowboy — Houston
5 - Marshall Tucker Band — Fire On The Mountain
6 - Cher — For What It's Worth
7 - Bobby Lance — Somewhere In Between
8 - Tony Joe White — Who's Making Love
9 - Barefoot Jerry — The Minstrel Is Free At Last
10 - Gregg Allman — Midnight Rider
11 - Bobbie Gentry — Something In The Way He Moves
12 - Area Code 615 — Devil Weed And Me
13 - Chet Atkins And Jerry Reed — Tennessee Stud
14 - Joe South — No Fence Around Me
15 - Cowboy — Road Gravy Chase
16 - Lynyrd Skynyrd — Free Bird [Muscle Shoals Original Version]
17 - Grinderswitch — Let The South Wind Blow
18 - Captain Beyond — Thousand Days Of Yesterdays
19 - The Box Tops — Deep In Kentucky
20 - Earl Scruggs — Lonesome And A Long Way From Home
Don Nix é um daqueles casos (não tão) raros (infelizmente) de gente com muito talento mas que não conseguiu tanta repercussão, apesar de ser bem conhecido e cotado entre os músicos. Nascido em 1941 em Memphis, Don ficou conhecido pelo mundo como saxofonista da banda The Mar-Kays, primeira banda da casa da Stax Records, que já contava com Booker T. Jones, Steve Cropper, Donald "Duck" Dunn e Al Jackson (que viriam a formar a segunda banda da casa, Booker T. And The MGs), além de Isaac Hayes.
Apesar de ser um excelente músico, Don se sobressai mesmo é na hora de produzir. Ele já trabalhou com gente como Leon Russell (na Shelter Records), com Albert King e Freddie King (na Stax), George Harrison (no Concert For Bangladesh) e John Mayall & The Blusbreakers, entre outros tantos. Como se isso não bastasse, Nix também é um baita compositor: sabe o sucesso Going Down, que Freddie King gravou? Então, é de autoria de Don Nix!
Sua carreira solo, no entanto, nunca foi conhecida, apesar da qualidade das canções. Nix é um músico multifacetado cuja obra compreende uma grande gama de estilos: do southern rock ao soul, passando pelo blues, pelo country e pelo gospel. Tudo isso pode ser encontrado nos trabalhos que o cara lançou sozinho, bem como no projeto Alabama State Troupers (que pode ser encontrado aqui).
Esse disco que estamos postando é uma prova disso. Living By The Days é o segundo álbum lançado por Don Nix depois de ter saído dos Mar-Kays. O trabalho é recheado de pérolas, entre trabalhos autorais e covers. Os maiores destaques que tenho para dar são Shape I'm In (não confundir com a música da The Band), faixa que abre os trabalhos; a balada que dá título à gravação, Living By The Days; a faixa que vem logo na sequência: a embalada Going Back To Iuka, também gravada por Albert King; e a canção que fecha o disco: a poderosa e emocionada My Train's Done Come And Gone.
Há bandas que não fazem sucesso e são muito boas; há outras que não são tão boas, mas fazem muito sucesso; há bandas que emplacam vários hits; e há aquelas que ficam conhecidas como "one hit wonders". Apesar de não ser exatamente o caso dos Eagles, precisamos reconhecer que muitas pessoas entraram em contato com o som da banda através de Hotel California e, eventualmente, esta é a única música deles que essas pessoas conhecem.
Entretanto, além de Hotel California, o trabalho de Don Henley, Glenn Frey, Bernie Leadon e Randy Meisner conta com inúmeras pérolas. Um country rock repleto de belas baladas, com algumas levadas empolgantes e bonitas harmonias. Há traços de influências como Flying Burrito Brothers e morando nas entrelinhas há até algum peso, embora os Eagles tenham traçado um caminho mais suave, buscando conforto numa boa aproximação com um country mais pop.
O debut da banda, Eagles (1972), já os lançou ao estrelato. Desde cedo Henley e companhia declaravam a mescla entre o rock, o country e o pop, alterando entre canções mais animadas e baladas melodiosas. Abrindo o disco, temos de cara um dos maiores sucessos da banda: Take It Easy, composta por Glenn Frey e Jackson Browne - e é este som que dá o tom a todos os outros que vêm na sequência. Witchy Woman, a segunda faixa, tem um pegada mais voltada para blues e tem um refrão que pode se mostrar agradavelmente grudento. Outro destaque é a balada Most Of Us Are Sad, de Glenn Frey, e suas afinadas harmonias vocais. Há ainda outra canção da qual gosto muito: Take The Devil, que me lembra de Crosby, Stills & Nash, mas com uma levada country, ao invés de folk.
Poucos grupos são dotados de tantos talentos individuais - e que se completam tão suavemente - quanto o The Byrds em sua formação original. Juntando em suas fileiras Roger McGuinn, Gene Clark, David Crosby, Chris Hillman e Michael Clarke, o aniversariante do dia, a banda participou de maneira instrumental na criação do subgênero que viria a ser conhecido como "folk rock".
Fundindo diversas tendências e competências, os caras conseguiram deixar sua marca na história da música, ainda que esta formação original tenha durado muito pouco tempo - mas o suficiente para lançar "Mr. Tambourine Man", seu disco de estreia, e esta maravilha que estamos postando aqui, o ótimo "Turn! Turn! Turn!".
A seleção de faixas para o disco foi cuidadosamente elaborada, construindo uma mescla de influências folk e country munidas com uma roupagem de rock n roll. Os trabalhos de composição foram bem divididos entre Clark, McGuinn e Crosby. "It Won't Be Wrong" é uma bela peça saída da parceria entre Roger McGuinn e seu amigo Harvey Gerst, um tema sutil que nos diz como o amor não pode ser errado. Há também uma parceria entre McGuinn e David Crosby, a doce "Wait And See", que traz as lindas e tradicionais harmonias vocais que caracterizaram o trabalho da banda.
Além destas faixas, é preciso destacar duas criações de Gene Clark: "Set You Free This Time" e "The World Turns Around Her". Em termos de composições próprias, eu arriscaria dizer que estas são as duas gemas de "Turn! Turn! Turn!" - mas nem só de músicas originais é feito um belo disco. Este, na verdade, contou com duas canções do maior compositor da música folk, o sr Bob Dylan: "Lay Down A Weary Tune" e "The Times They Are A-Changing" ganham novas interpretações, dotadas agora de um refinamento técnico que falta ao bardo que as compôs.
A faixa título, "Turn! Turn! Turn!", é de autoria de Pete Seeger e, talvez, seja um dos maiores clássicos dos Byrds. Vocais sublimes, guitarras bem arranjadas e uma levada contagiante tornaram esta execução num dos marcos do então emergente folk-rock. Também gostaria de chamar a atenção para a "Oh! Susannah", cuja interpretação não deixa nada a dever para todas as outras canções já mencionadas.
Nesta edição que estamos postando aqui há mais do que só as faixas originais. Trata-se de um reissue de 1996 que, como não poderia deixar de ser, conta com um belo set de extras. "She Don't Care About Time", um belo single, além do primeiro take da música; as primeiras versões de "The Times They Are A-Changin" e "It's All Over Baby Blue", ambas as músicas de autoria de Bob Dylan; um mix alternativo de "The World Turns Around Her"; e, por fim, duas composições da banda: "The Day Walk (Never Before)", de Gene Clark, e a instrumental "Stranger In A Strange Land", de David Crosby.
Há vários músicos que ficam conhecidos por seus trabalhos com outros músicos, como Leon Russel, por exemplo. Há quem fique famoso por conta própria e atrele a si a imagem de figura principal na música, como Johnny Cash. Mas há quem atinja sucesso nas duas frentes, e esse é o caso de Emmylou Harris, uma senhora saída de Birmingham, Alabama.
Dona de uma voz angelical repleta de ternura e suavidade, a sra. Harris se tornou um ícone da música country, em especial, e também do folk e do rock. Suas primeiras inspirações já davam, mais ou menos, o tom que ela seguiria: foi aprendendo canções de Pete Seeger, Bob Dylan e Joan Baez que Emmylou entrou no sedutor mundo da música - e de lá nunca mais saiu.
Harris já trabalhou apoiando Bob Dylan, Willie Nelson, Roy Orbison, Mark Knopfler... Enfim, uma infinidade de grandes nomes. Mas sua participação mais significativa (especialmente para ela) foi com Gram Parsons, alguém que poderíamos chamar de "alma gêmea" de Emmylou Harris. Apesar de curto, seu envolvimento foi intenso e isso se nota em "Boulder To Birmingham", uma das canções mais conhecidas de Emmylou - e que foi justamente feita após a trágica morte de Parsons, em 73. Como disse sua amiga, Linda Ronstadt: "[Bolder to Birmingham] foi o começo de um esforço para processar o acontecido que duraria uma vida inteira".
Tristeza à parte, sua colaboração com Parsons também lhe conferiu personalidade. Uma personalidade que Emmylou desenvolveu ao longo de uma extensiva carreira que já dura mais de quatro décadas. Com 21 álbuns de estúdio em seu trabalho solo, este anjo do country já foi reconhecido 12 vezes com Grammys, alguns pelas produções individuais, alguns pelas colaborações.
No fim das contas, Emmylou Harris já se estabeleceu como "diva do country" há muito tempo e este post traz uma coleção de rarides e preciosidades esquecidas, como o nome da coletânea nos diz, para que possamos relembrar um pouco a trajetória desta mulher de fortes sentimentos e voz suave.
Gram Parsons foi uma daquelas figuras únicas que conseguiu influenciar profundamente a música de sua geração durante uma curta passagem pela Terra. Em meio a uma vida pessoal que permanece em grande parte anônima, a amizade com caras como Keith Richards, e uma relação muito próxima e tumultuada com as drogas, Gram é um dos responsáveis pela consolidação de sub-gênero musical bem particular: o country rock. E tudo isso em 10 anos de carreira e pouco mais de 26 de vida.
Grievous Angel foi seu segundo álbum solo, e seu último. Parsons morreria antes de conseguir ver seu disco chegar às lojas. Mas apesar da época atribulada de sua vida, repleta de abusos constantes de narcóticos, Gram conseguiu reunir tempo e clareza suficiente para produzir um repertório repleto com sua habitual classe e sutileza. Acompanhado por Emmylou Harris, seu último amor, membros da antiga banda de Elvis (TCB Band) Glen Hardin (piano), James Burton (guitarra), Emory Gordy Jr. (baixo), Ronnie Tutt (bateria), além de Herb Pettersen (violão) e Al Perkins (steel guitar), entre outros convidados especiais como Linda Ronstadt.
O registro abre com Return Of The Grievous Angel, um som que Parsons compôs para o disco e que é marcado pelo dueto de Harris e Parsons, além da finésse do violino de Byron Berline. Hearts on Fire é a canção que marca a paixão silenciosa que acalentou Gram e Emmylou. I Can't Dance, música de Tom Hall, dá um ritmo levemente mais animado a um disco que é marcado por um ar sublime de baladas country. Outro destaque é certamente Love Hurts, composta por Boudleaux Bryant e gravada por Roy Orbison.
Nada, porém, se sobrepõe à forma como a tracklist se encerra. Mesmo que tenha sido feito sem a sapiência do que viria em breve, In My Hour of Darkness era o anúncio da tragédia vindoura. Composta por Parsons e arranjada por Harris, a música tem por refrão "Na minha hora de escuridão, no meu tempo de necessidade, oh Senhor, concedeme-me visão, oh Senhor, concede-me velocidade". Quem poderia saber?
Apesar da falta de sucessos comerciais nos últimos trabalhos de sua carreira, Gram foi decisivo para dar vitalidade à miscigenação do country com o rock. Como ele mesmo nos disse em In My Hour of Darkness: "But he was just a country boy, his simple songs confess/And the music he had in him so very few possess" (Mas ele era um rapaz do interior, suas canções simples confessam/E a música que ele tinha nele, muito poucos possuem).
Banda:
Gram Parsons: vocais, violão
Emmylou Harris: vocais (exceto em "Brass Buttons")
Glen D. Hardin: piano, piano elétrico
James Burton: guitarra solo
Emory Gordy, Jr.: baixo
Ronnie Tutt: bateria
Herb Pedersen: violão base (guitarra base em "I Can't Dance")
Al Perkins: steel guitar
Convidados:
Bernie Leadon: guitarra solo em "Hearts on Fire", dobro em "In My Hour of Darkness"
Byron Berline: violino em "Return of the Grievous Angel", "Medley" e "In My Hour of Darkness", mandolin no "Medley"
N.D. Smart: bateria em "Hearts on Fire" e "In My Hour of Darkness"
Steve Snyder: vibes no "Medley"
Linda Ronstadt: harmonia vocal em "In My Hour of Darkness"
Kim Fowley, Phil Kaufman, Ed Tickner, Jane & Jon Doe: sons de fundo no "Medley"
1 - Where the Soul Never Dies - 3:26
2 - Will the Circle Be Unbroken - 2:44
3 - Rock of Ages - 2:19
4 - Long Road Ahead - 3:27
5 - Faded Love - 4:05
6 - Talkin' about Jesus - 6:53
7 - Come On In My Kitchen - 2:44
8 - Don't Deceive Me (Please Don't Go) - 3:56
9 - Never Ending Song of Love - 3:22
10 - Sing My Way Home - 4:05
11 - Goin' Down the Road Feelin' Bad - 5:14
12 - Lonesome and a Long Way from Home - 3:55
Delaney Bramlett - guitar, vocals, arranger
Bonnie Bramlett - vocals
Duane Allman - guitar
Stephen Stills- vocals
Ben Benay - guitar
Joe Cocker - vocals
Kenny Gradney - bass guitar
John Hartford - banjo, fiddle
Eddie James - guitar
Jim Keltner - drums
Bobby Keys - saxophone
Dave Mason - guitar
Gram Parsons - guitar, vocals
Carl Radle - bass guitar
Leon Russell - piano, keyboards
Clarence White - guitar, vocals
Bobby Whitlock - vocals
Jay York - backing vocals
Johnny Bramlett - Samsonite Briefcase
Não há realmente muito o que eu possa dizer sobre Willie Nelson que já não tenha sido dito. Porém, algumas constatações se fazem necessárias: este homem é um dos maiores nomes da música country, e um dos pioneiros do outlaw country, junto com Johnny Cash e Waylon Jennings. Outra coisa que preciso dizer é que este cidadão é como vinho e uísque: quando mais velho, melhor.
Isto é o que temos visto em discos como: Across The Borderline, de 1993; Run That By Me One More Time, gravado junto com Ray Price em 2003; e Songbird, um finíssimo álbum produzido por Ryan Adams em 2006.
Nesse meio, o bom e velho Willie teve tempo pra capturar uma bela pérola ao vivo, junto de seus camaradas. Trata-se de Outlaws and Angels, cd que posto aqui, gravado em 2004. O disco conta com nomes de peso nas participações especiais, tais como: Al Green, Carole King, Keith Richards, Jerry Lee Lewis e Merle Haggard, entre outros coadjuvantes de luxo que figuram em meio a esta constelação de músicos.