VA - Goin' Home: A Tribute To Fats Domino (2007) - 320kbps
Disc 1
1 - John Lennon - Ain't That a Shame
2 - Tom Petty & The Heartbreakers - Im Walkin
3 - B.B.King & Ivan Neville's Dumpstaphunk - Goin Home
4 - Elton John - Blueberry Hill
5 - Taj Mahal & The New Orleans Social Club - My Girl Josephine
6 - The Dirty Dozen with Joss Stone and Buddy Guy - Every Night About This Time
7 - Paul McCartney & Allen Toussaint - I Want to Walk You Home
8 - Lenny Kravitz with Rebirth Brass Band - Whole Lotta Loving
9 - Dr.John - Dont Leave Me This Way
10 - Bonnie Raitt - Im in Love Again
11 - Art Neville - Please Dont Leave Me
12 - Robbie Robertson & Galact - Going to the River
13 - Randy Newman - Blue Monday
14 - Robert Plant - It Keeps Rainin
15 - Corinne Bailey Rae - One Night (Of Sin)
1 - Neil Young - Walking to New Orleans
2 - Robert Plant and The Soweto Gospel Choir - Valley of Tears
3 - Norah Jones - My Blue Heaven
4 - Lucinda Williams - Honey Chile
5 - Marc Broussard - Rising Sun
6 - Olu Dara - When I See You
7 - Ben Harper & The Skatalites - Be My Guest
8 - Toots & The Maytals - Let the Four Winds Blow
9 - Willie Nelson - I Hear You Knockin
10 - Irma Thomas & Marcia Ball - I Just Cant Get New Orleans Off My Mind
11 - Bruce Hornsby - Dont Blame It on Me
12 - Herbie Hancock - Im Gonna Be a Wheel Someday
13 - Los Lobos - The Fat Man
14 - Big Chief Monk Boudreaux - So Long
15 - Preservation Hall Jazz Band - When the Saints Go Marching In
2 - No Wonder – 5:45
3 - Falling Off the Face of the Earth – 3:35
4 - Far From Home – 3:47
5 - It's a Dream – 6:31
6 - Prairie Wind – 7:34
7 - Here for You – 4:32
8 - This Old Guitar – 5:32
9 - He Was the King – 6:08
10 - When God Made Me – 4:05
Neil Young - acoustic guitar, electric guitar, harmonica, piano, vocals
Ben Keith - Dobro, pedal steel, slide guitar
Spooner Oldham - piano, Hammond B3 organ, Wurlitzer electric piano
Rick Rosas - bass
Karl Himmel - drums, percussion
Chad Cromwell - drums, percussion
Grant Boatwright - acoustic guitar, backing vocals
Clinton Gregory - fiddle on "No Wonder"
Wayne Jackson - horns
Thomas McGinley - horns
Emmylou Harris - special guest vocalist
Pegi Young - backing vocals
Diana Dewitt - backing vocals
Anthony Crawford - backing vocals
Gary Pigg - backing vocals
Curtis Wright - backing vocals
Chuck Cochran - string arranger
Primeiramente, gostaria de salientar que esta lista não obedece a nenhuma espécie de critério técnico. Não sou músico nem crítico musical, apenas um apaixonado por aquilo que entendo como música de qualidade. Portanto, devo deixar bem claro que a escolha dos discos e a ordem desta lista correspondem apenas ao meu gosto e não refletem, de maneira alguma, a opinião de todos os membros do blog. Sem mais delongas, vamos ao que importa:
1º lugar: Dr John – Locked Down
Quando ouvi o primeiro single – Revolution - do novo disco do Dr John, um dos meus maiores ídolos, no site da revista Rolling Stone nos idos de março/abril, eu pirei. Todos os dias eu precisava escutar aquela maravilha ao menos uma única vez – normalmente acabavam sendo várias audições. Quando o disco finalmente foi lançado, foi um frenesi total. Minha namorada estava recém conhecendo o som do Dr John e já estava de saco cheio dele, de tanto que repetia o Locked Down na íntegra no meu winamp.
Considero este o melhor disco da década até agora (2011 e 2012) – e acredito que será difícil aparecer algum lançamento que desbanque o novo petardo do witchdoctor Rabennack. Com faixas como Revolution, Ice Age e Getaway, Dr John consolidou seu retorno ao som da mais alta qualidade. Se vocês quiserem ler a resenha que fiz do álbum, segue o link.
2º lugar: Joe Louis Walker – Hellfire
Muitos de vocês podem nunca ter ouvido falar de Joe Louis Walker já que ele não é um nome tão conhecido por aqui – eu também não o conhecia antes de baixar Hellfire sem pretensão alguma. Vocês já podem imaginar o tamanho da minha surpresa ao ouvir o álbum, já que ele figura no segundo lugar desta lista. Walker está na ativa desde os anos 60, mas só começou a gravar em 86 e de lá pra cá, já lançou 19 discos. Uma sólida carreira que se consolida ainda mais neste belíssimo disco.
A faixa que dá título ao disco é, também, aquela que o abre. Hellfire já define o ritmo: um blues enérgico, marcado pelo excelente trabalho de Walker na guitarra, com um groove marcante e uma temática gospel. What’s It Worth explora a relação entre o órgão, instrumento tradicional do gospel, e a guitarra de Walker, criando um dueto único. Já Soldier For Jesus mergulha no groove, levando as frases religiosas num ritmo de celebração. Cada tema executado no disco vale a pena ser ouvido com muita atenção.
3º lugar: Jack White – Blunderbuss
Jack White ficou conhecido pelo trabalho ao lado de sua ex-mulher, Meg White, na dupla White Stripes. Era um som simples, meio estranho e sem baixo. Depois ele andou por aí com a The Raconteurs e a Dead Weather – nada de muito promissor, ele ainda continuava transitando pelos caminhos mais pop do rock. Todavia, ele já havia dado mostras do seu gosto pelo blues e também do talento como produtor, ao trabalhar com Wanda Jackson no ano passado. Foi por isso que quando fiquei sabendo que ele lançaria um álbum solo, fiquei na expectativa.
E não é que o cara se mostrou capaz de mudar? Unindo influências entre Led Zeppelin e o blues rural, White faz um som nervoso, às vezes com tons de insanidade, que reúne referências de vários lugares diferentes. Freedom At 21 e Hypocritical Kiss mostram um pouco disso. Já o tema título, Blunderbuss, mostra que White aprendeu bastante com Jimmy Page e seu Zeppelin de chumbo. Mas minhas faixas favoritas são a dançante I’m Shakin’ e a apocalíptica Weep Themselves To Sleep.
4º lugar: Willie Nelson – Heroes
Willie Hugh Nelson, também conhecido como o “estranho ruivo”, já é um senhor de 79 anos. Conhecido pelo seu jeito singular de cantar e pela afeição com a marijuana, Willie construiu uma brilhante carreira dentro da country music, participando do surgimento do dito “outlaw country”. Já na “idade de ouro”, Nelson mostra que ainda tem fôlego para impressionar. Ao contrário do filme dos irmãos Cohen estrelado por Tommy Lee Jones (No Country For Old Men), Willie exibe que os EUA também são um país para homens velhos.
Junto de seus filhos, Lukas (que tem um timbre vocal muito semelhante ao do pai) e Micah Nelson, e mais um time de estrelas (Merle Haggard, Kris Kristtoferson, Sheryl Crow, Ray Price, Billy Joe Shaver, Jamey Johnson e até mesmo Snoop Dogg), Willie Nelson produziu 14 pérolas do country. Num mundo como o de Nashville, lotado de gente com pouco talento e muita propaganda, Heroes soa como um alívio nostálgico. Canções como All That There Is To This Song e Just Breathe resgatam a essência do country, essência essa que Willie nunca perdeu.
5º lugar: Neil Young & Crazy Horse – Americana
Depois de oito anos sem gravar nada com a Crazy Horse, Neil Young se juntou a seus velhos parceiros para dar a luz a um belo trabalho, muito melhor do que seus últimos lançamentos individuais (como o péssimo Le Noise). Unidos novamente, sua primeira contribuição esse ano foi Americana, um disco que, como o título indica, é um tributo às raízes da música americana.
Fazendo ótimos arranjos roqueiros de canções tradicionais, Young e seus comparsas do louco cavalo conseguiram criar um ótimo clima que poderia muito bem pertencer a um disco gravado nos anos 70. Sons como Oh Susannah, Gallows Pole ou Get A Job deram sinais de que Young estava finalmente voltando ao caminho da boa música.
6º lugar: Quantic And Alice Russell with Combo Bárbaro – Look Around The Corner
Quantic, que também atende por Will Holland, é um DJ britânico que atualmente reside na Colômbia. Por lá o cara já fez diversos trabalhos, inclusive o ótimo Tropidelico, de 2007, no qual ele misturou o funk a influências caribenhas e alguns ritmos eletrônicos. Vale a pena dar uma conferida! Já Alice Russell é uma cantora de blue eye soul lá da terra da Rainha, que costuma lançar seus discos pela mesma gravadora que Quantic, a Tru Thoughts.
Juntos, eles fizeram uma união bastante acertada. Os vocais de Russell casaram muito bem com o instrumental grooveado do Combo Bárbaro, comandado por Quantic. Canções como Here Again e Look Around The Corner marcam este ótimo trabalho, que recomendo do começo ao fim.
7º lugar: Ricky Skaggs – Music To My Ears
Skaggs é um mestre do bandolim desde as antigas. Quando criança, o cara tocou com Bill Monroe e Earl Scruggs, dois dos maiores nomes do bluegrass. De lá para cá, ele próprio veio se constituindo enquanto um dos símbolos do bluegrass, ainda que tenha assumido o arriscado caminho das experimentações mais recentemente. No disco novo, Music To My Ears, Skaggs traz um prato cheio para os fãs de country e de bluegrass. Misturando uma abordagem “tradicional” com elementos mais “modernos”, ele produziu uma sonoridade bem bacana. O grande destaque fica por Soldier’s Son, gravada em parceria como Barry Gibb, ex-Bee Gees.
8º lugar: ZZ Top – La Futura
Os barbudos do Texas mostraram que ainda estão em forma. La Futura é, provavelmente, um dos melhores discos da carreira dos caras e traz um rock cru, recheado com blues, acompanhado por uma pegada firme e liderado por um belo trabalho de guitarra do grande Billy Gibbons. I Gotsa Get Paid e It’s Too Easy Mañana dão o tom do disco.
9º lugar: Bonnie Raitt – Slipstream
Bonnie vem trabalhando muito desde os anos 70, pavimentando seu caminho em várias áreas, como o blues, o country e o rock. Com um slide nas mãos, essa senhora de 63 anos veio a 2012 para sedimentar ainda mais a sua sólida carreira. Slipstream reúne todo o seu repertório de influências de sempre, apresentadas de forma suave, com um embalo maroto. As baladas You Can’t Fail Me Now e God Only Knows são, com certeza, uma boa referência do que é este disco.
10° lugar: Graveyard – Lights Out
Graveyard é uma banda sueca relativamente jovem, estão na estrada apenas desde 2006. Mas nesse tempo já lançaram três álbuns, e dois deles da maior qualidade possível. Numa linha de revival setentista, os caras unem o hard rock a um fraseado de blues, lembrando os áureos tempos do rock – mas não se enganem, eles conseguiram transcender a barreira da semelhança e criar uma identidade própria. Endless Night e Goliath ficam como uma boa introdução para o que é Lights Out.
10 melhores músicas do ano
1 – Ricky Skaggs & Barry Gibbs – Soldier’s Son
2 – Dr John – My Children, My Angel
3 – Dr John – Revolution
4 – Willie Nelson & Lukas Nelson – Just Breathe
5 - Bonnie Raitt – You Can’t Fail Me Now
6 – Neil Young & Crazy Horse – Gallows Pole
7 – Joe Louis Walker – What’s It Worth
8 – Jack White – Weep Themselves To Sleep
9 – Quantic & Alice Russell with The Combo Bárbaro – Here Again
10 – Dr John – God’s Sure Good
E eras isso! Um abraço a todos e um bom final de ano!
Um homem alto, com feições duras, sua jaqueta de lenhador um destaque modesto entre roupas modestas. Porém, ao abrir sua boca, o que sai dela é um canto idiossincraticamente agudo, ora vindo de um jovem com muito a descobrir na vida, de um anjo nervoso e angustiado, ou de um velho refletindo sobre angústias do passado. Entre os seus braços, há um honesto violão de aço ou sua característica guitarra elétrica Gibson, cujo som parece ouro líquido flutuando. Este é Neil Young, um dos grandes ícones da música rock, desde o seu início até os tempos atuais, no qual ele se encontra inteiro e verdadeiramente, por se dizer, "young".
"Zuma" é o sétimo álbum na variada discografia do artista, o segundo gravado inteiramente com a excelente backing band Crazy Horse - reformada com o guitarrista Frank Sampedro, depois da morte de Danny Whitten em 1972 - e, simultaneamente, uma aproximação e um distanciamento dos trabalhos anteriores de Young. Em termos de som, a maioria das canções nele são composições simples, mais próximas do repertório de "Everybody Knows This Is Nowhere", porém com uma sonoridade mais limpa e menos utilização de backing vocals.
O distanciamento mencionado também ocorre sonoramente, é claro, mas é impossível de deixar de mencionar as diferenças temáticas presentes no disco. Enquanto em "Harvest" e "On The Beach", por exemplo, Young cantou algumas das músicas mais melancólicas de sua carreira, "Zuma" parece representá-lo saindo do poço cavado, ainda um pouco machucado, porém se recuperando. Onde se encontrava amargura, agora há aceitação - "but there's nothing I can say/to make him go away/don't cry no tears around me" - e até a procura de um novo amor, apesar dos próprios defeitos do eu-lírico - ou, diria, o próprio Young.
E apesar da relativa leveza conferida à maioria das músicas devido não só às melodias facilmente compreensíveis, mas também ao alívio de complicações passadas, faixas como "Drive Back", talvez dura e má demais para o seu próprio bem, e a incrível "Danger Bird", que representa em forma de som o bater de asas de um pássaro de pedra, são densas e provêm um balanceio necessário às músicas mais "inocentes". No outro lado do espectro dos pesos, estão a faixa final, "Through My Sails", e "Pardon My Heart", duas canções irmãs na sua beleza e gentileza quase etérea - a primeira navega, não, flutua por águas em busca de novas sensações; e a segunda é um lamento e uma celebração às complicações do amor, expressado especialmente por backing vocals ecoantes e uma inesperada, porém relaxada guitarra passada por um efeito de delay. Com o seu ar transcendental, elas convidam o ouvinte a se deitar e deixar-se desaparecer no éter.
Mas antes do fim - literalmente, pois é a penúltima faixa - está a música mais conhecida entre todas aqui: "Cortez The Killer". Nela, a simplicidade de Young brilha através de três acordes e solos sem firula por sete minutos e meio e uma romantização inocente dum período histórico. É uma pena que a gravação de estúdio acabe com um fade-out um tanto abrupto - ela poderia ter sido facilmente estendida por mais alguns apreciáveis minutos. Felizmente, Neil Young costuma retificar este detalhe ao vivo:
"Zuma" é simples e não desafia o ouvinte. Mas Neil Young não precisa de complicações, de músicas de vinte minutos, solos desnecessariamente virtuosos e altas instrumentações extras - o que importa é o sentimento transmitido. Baixar aqui, em 320 kbps. Senha: c0rtez