domingo, 3 de junho de 2012

Neil Young & Crazy Horse - Zuma (1975)



Um homem alto, com feições duras, sua jaqueta de lenhador um destaque modesto entre roupas modestas. Porém, ao abrir sua boca, o que sai dela é um canto idiossincraticamente agudo, ora vindo de um jovem com muito a descobrir na vida, de um anjo nervoso e angustiado, ou de um velho refletindo sobre angústias do passado. Entre os seus braços, há um honesto violão de aço ou sua característica guitarra elétrica Gibson, cujo som parece ouro líquido flutuando. Este é Neil Young, um dos grandes ícones da música rock, desde o seu início até os tempos atuais, no qual ele se encontra inteiro e verdadeiramente, por se dizer, "young".




"Zuma" é o sétimo álbum na variada discografia do artista, o segundo gravado inteiramente com a excelente backing band Crazy Horse - reformada com o guitarrista Frank Sampedro, depois da morte de Danny Whitten em 1972 - e, simultaneamente, uma aproximação e um distanciamento dos trabalhos anteriores de Young. Em termos de som, a maioria das canções nele são composições simples, mais próximas do repertório de "Everybody Knows This Is Nowhere", porém com uma sonoridade mais limpa e menos utilização de backing vocals.




O distanciamento mencionado também ocorre sonoramente, é claro, mas é impossível de deixar de mencionar as diferenças temáticas presentes no disco. Enquanto em "Harvest" e "On The Beach", por exemplo, Young cantou algumas das músicas mais melancólicas de sua carreira, "Zuma" parece representá-lo saindo do poço cavado, ainda um pouco machucado, porém se recuperando. Onde se encontrava amargura, agora há aceitação - "but there's nothing I can say/to make him go away/don't cry no tears around me" - e até a procura de um novo amor, apesar dos próprios defeitos do eu-lírico - ou, diria, o próprio Young.




E apesar da relativa leveza conferida à maioria das músicas devido não só às melodias facilmente compreensíveis, mas também ao alívio de complicações passadas, faixas como "Drive Back", talvez dura e má demais para o seu próprio bem, e a incrível "Danger Bird", que representa em forma de som o bater de asas de um pássaro de pedra, são densas e provêm um balanceio necessário às músicas mais "inocentes". No outro lado do espectro dos pesos, estão a faixa final, "Through My Sails", e "Pardon My Heart", duas canções irmãs na sua beleza e gentileza quase etérea - a primeira navega, não, flutua por águas em busca de novas sensações; e a segunda é um lamento e uma celebração às complicações do amor, expressado especialmente por backing vocals ecoantes e uma inesperada, porém relaxada guitarra passada por um efeito de delay. Com o seu ar transcendental, elas convidam o ouvinte a se deitar e deixar-se desaparecer no éter.




Mas antes do fim - literalmente, pois é a penúltima faixa - está a música mais conhecida entre todas aqui: "Cortez The Killer". Nela, a simplicidade de Young brilha através de três acordes e solos sem firula por sete minutos e meio e uma romantização inocente dum período histórico. É uma pena que a gravação de estúdio acabe com um fade-out um tanto abrupto - ela poderia ter sido facilmente estendida por mais alguns apreciáveis minutos. Felizmente, Neil Young costuma retificar este detalhe ao vivo:




"Zuma" é simples e não desafia o ouvinte. Mas Neil Young não precisa de complicações, de músicas de vinte minutos, solos desnecessariamente virtuosos e altas instrumentações extras - o que importa é o sentimento transmitido. Baixar aqui, em 320 kbps. Senha: c0rtez

Um comentário:

  1. El día que descubrí a Neil Young puse la aguja de mi tocadiscos en los surcos de este, para mi, impactante disco,ZUMA, hoy practicamente tengo todos los álbumes de este grandioso Young.

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