Se você é uma daquelas pessoas curiosas que gosta do rock feito no final dos 60, início dos anos 70, se você aprecia um bom som de guitarra, boas canções e nunca ouviu falar de Lowell George ou de sua banda, Little Feat, então caro amigo, você tem alguns motivos para prosseguir lendo essas linhas. O cantor e compositor Jackson Brownie certa vez o definiu como o "Orson Welles do rock", devido a sua técnica apurada de fazer rápidas passagens de acorde, que constroem mosaicos sonoros absurdamente inusitados, e ao mesmo tempo, simples e criativos. George bateu as botas, sozinho em um quarto de hotel, na cidade de Arlington, Virginia. Era o dia 29 de junho de 1979, o músico de 34 anos foi encontrado morto na sua cama em meio a uma parafernália de drogas. Sua história com o Feat fabricou no mínimo duas obras-primas do rock. Sailin’ Shoes (1972) e Dixie Chicken (1973).
Sailin’ Shoes nos apresenta clássicos como o rock alto astral Easy To Sleep, a ironia de Cold, Cold , Cold e a energia de Trip Face Boogie. O blues tem sua representação em faixas como Apolitical Blues e Cat Fever. Mas a versão definitiva de Willin’, clássico absoluto do Little Feat e Trouble, uma cowboy song que foi regravada sete anos depois pela artista country Nicolette Larson, tem seu lugar no meu toplist oficial. E também podemos falar de Texas Rose Cafe, aquele tipo de som que parece agrupar três ou quatro canções dentro de um mesmo tema, como mudanças de andamento e nuanças que parecem colocar o ouvinte numa deliciosa arapuca.
Vale lembrar que grande parte dos músicos do Feat trabalhou como banda de apoio de Frank Zappa no final dos anos 60. Lá estão o talentoso pianista Billy Payne, o criativo baterista Richard Hayward e claro, o mentor intelectual do conjunto americano, Mister Lowell George. O Bom Vagabundo recomenda. Bom divertimento.
Por Peter Tramp, direto de Nowhere Refugee Mountain