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sexta-feira, 19 de abril de 2013

Levon Helm - Ramble At The Ryman (2011)


Levon Helm - Ramble At The Ryman (2011) - 320kbps




1 - Ophelia - 3:58
2 - Back To Memphis - 4:54
3 - Fannie Mae - 3:32
4 - Baby Scratch My Back - 4:13
5 - Evangeline - 3:30
6 - No Depression In Heaven - 4:01
7 - Wide River To Cross - 4:43
8 - Deep Elem Blues - 7:11
9 - Anna Lee - 4:01
10 - Rag Mama Rag - 4:21
11 - Time Out For The Blues - 2:43
12 - A Train Robbery - 5:41
13 - The Shape I'm In - 4:43
14 - Chest Fever - 7:03
15 - The Weight - 6:13


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Já faz um ano desde que um dos dias mais tristes na minha trajetória de apreciador musical ocorreu. Há exatos 365 dias, morria Levon Helm, ex-baterista e vocalista da saudosa The Band. Após uma longa e reincidente batalha contra o câncer na garganta, nosso herói do Arkansas perdeu. Certamente a banda do além ganhou uma nova adição, contando com mais um talento sem precedentes.

Já faz um ano... um ano sem nenhum novo vídeo, nenhum novo áudio ou notícia sobre esse querido senhor do Arkansas que embalou os mais diversos momentos da minha vida nos últimos anos, desde os mais calorosos até os mais tristes. Já faz um ano que o mundo não ouve mais a voz de Levon Helm ecoar com um tom paternal através do ar, agora há apenas a saudade. Levon é e sempre será insubstituível. Ainda bem que as gravações estão aí para nos lembrar de quem ele foi.

Ramble At The Ryman foi o último álbum que Helm gravou, até onde me consta, e sua voz assume um tom sublime pelos claros descontos que a doença produziu. Mesmo rouca, sua voz soa corajosa e se sobrepõe às dificuldades, produzindo um disco ao vivo de primeiríssima qualidade. A banda que o acompanhou era composta por sua filha, a talentosa Amy Helm (voz e bandolim), Larry Campbell (guitarra, violino, voz) e sua esposa, Teresa Williams (violão e voz), Steven Bernstein (trompete), Jay Collins (sax), Erik Lawrence (sax), Little Sammy Davis (harmonica), Clark Gayton (trombone, tuba), Tony Leone (bateria), Brian Mitchell (acordeão, órgão, piano e voz) e Paul Ossola (baixo). Além da banda, houve ainda alguns convidados mais do que especiais: Billy Bob Thornton (voz), Buddy Miller (guitarra, voz), John Hiatt (violão, voz), Sam Bush (bandolim, voz) e Sheryl Crow (harpa, voz).


Gravado em 2008 e lançado em 2011, o disco recebeu o prêmio Grammy na categoria Americana. E nada poderia ser mais justo, já que tanto a carreira de Levon quanto a seleção de músicos apresentadas em Ramble At The Ryman representam um profundo mergulho nas tradições musicais norte-americanas. Misturando músicas tradicionais com composições de Robbie Robertson que viraram clássicos da The Band, Levon Helm nos leva a um passeio atemporal e trans-dimensional para uma região da alma onde a música se fixa universalmente.

Começando com "Ophelia", abre-se os trabalhos num nível altíssimo e delicioso. Atravessa-se por clássicos do rock & roll e do blues, como "Back To Memphis" (Chuck Berry), "Fannie Mae" (Ronnie Hawkins) e "Baby Scratch My Back" (Slim Harpo) para poder, então, aterrisar de cabeça em outra canção da The Band: "Evangeline" é uma daquelas canções que parecem ter existido desde sempre nos Estados Unidos, contando a história de uma moça que está a espera do seu amado, que saiu para apostar. "No Depression In Heaven", por outro lado, nos faz pensar de como o paraíso deve estar hoje em dia, com Levon e todos os outros músicos comandando a festa.

A partir daí, temos uma trinca de canções que, para mim, conformam o primeiro (e talvez mais importante) clímax do show: "Wide River To Cross" (de Buddy e Julie Miller) nos guia através do caudaloso rio da vida, deixando que Sam Bush e Buddy Miller conduzam o barco. Logo a frente, "Deep Elem Blues" (canção tradicional) surge com força e malícia, falando sobre o "deep ellum" (distrito da luz vermelha), acompanhado por um sólido trabalho dos naipes de metais. Encerrando essa primeira catárse, vem a sublime "Anna Lee" (Laurelyn Dossett), onde Levon se sobressai, deixando-nos completamente embasbacados e apaixonados.

Seguindo os trabalhos, vem a animada "Rag Mama Rag", ótimo tema de Robertson, para recompor o ritmo embalado da apresentação. "Time Out For The Blues" (de Dan Hart e Buddy Starcher) e "A Train Robbery" (Paul Kennerly) mantém o nível, transitando competentemente entre o blues e o contry. Passa essa fase intermediária, tudo se incendeia com mais uma trinca digna dos deuses. Para encerrar o show no Ryman, Levon escolheu três pérolas da The Band compostas por Robbie Robertson.

"The Shape I'm In" diz muito sobre nosso protagonista, como o refrão já anuncia "oh, you don't know the shape I'm in". Daí, progredimos para a apaixonante "Chest Fever", que fala sobre a doença que resta depois que uma mulher abandona um homem. Para fechar com chave de ouro, não poderia ter sido escolhida outra canção que não "The Weight". O tema representa a essência da extinta The Band e, de acordo com alguns cronistas musicais americanos, ela também é o símbolo daquilo que é americano por excelência. O que sobra, ao término da audição deste ótimo álbum, é um gostinho por mais e, hoje em dia, uma terna sensação de saudade.



terça-feira, 2 de abril de 2013

Levon Helm - Levon Helm & The RCO All-Stars (1977)


Levon Helm - Levon Helm & The RCO All-Stars (1977) - 192kbps




1 - Washer Woman - 3:15
2 - The Tie That - 4:35
3 - You Got Me - 4:16
4 - Blues so Bad - 4:15
5 - Sing, Sing, Sing - 3:51
6 - Milk Cow Boogie - 3:11
7 - Rain Down Tears - 5:20
8 - A Mood I Was In - 3:41
9 - Havana Moon - 4:28
10 - That's My Home - 3:23


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The RCO All-Stars trata-se da união dos músicos favoritos de Levon Helm, ex-baterista da The Band. Nomes como Dr John (guitarra e piano), Paul Butterfield (harmônica), Booker T. Jones (órgão), Donald "Duck" Dunn (baixo), Steve Cropper (guitarra), Garth Hudson (acordião) e Robbie Robertson (guitarra) estão entre os mais conhecidos que integraram o projeto. Além deles, há também dois músicos que estiveram na The Hawks com Levon: Henry Glover (bandleader e arranjador) e Fred Carter (guitarra); e ainda Alan Rubin, Howard Johnson, Ray Kinney e Lou Marini nos naipes de metais; Emmeretta Marks, John Flamingo e Jeanette Baker nos vocais de apoio.

O resultado final foram quarenta minutos de música orgânica, que flui suavemente através das raízes americanas, alternando entre o blues e o country rock, carregadas por um groove sacana que caracterizou os Booker T & The M.G.s e a carreira do nosso bom Dr John. Os principais destaques ficam por cinta de "Washer Woman", a faixa de abertura, "Blues So Bad", a única composição de Levon Helm no disco, "Rain Down Tears", e "That's My Home", o grand finale. Aproveitem!

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Adeus, sr Helm

Hoje o mundo ficou um lugar um pouco mais pobre de talento e alma.

Levon Helm (26 de maio de 1940 - 19 de abril de 2012)


No começo desta tarde, Levon Helm, ex-baterista e vocalista da The Band, morreu. Sua luta contra o câncer é uma história longa e dura, como são todas as batalhas contra esta vil doença. Agora, pelo menos, Levon está livre da dor e da aflição da doente condição humana.

Eu já estava sabendo da notícia desde às quatro da tarde, mas como estava gravitando em função da universidade, não tinha tido muito tempo pra digerir o que isso significava para mim. Agora que estou em casa, a situação é diferente e eu me encontro aos prantos.

Sempre fui um cara bastante inflexível nas minhas posições musicais e, portanto, as bandas que marcaram a atual fase da minha vida foram realmente muito significantes na minha história. Levon Helm e a The Band, junto com o blues, com a soul music e vários outros grandes artistas fizeram com que eu me redescobrisse e com que eu redescobrisse o mundo.

Essa era em que vivemos pode parecer muito acessível, ou fácil, devido às grandes inovações tecnológicas, mas a verdade é que a coisa anda difícil. Para quem gosta das músicas que nós gostamos, viver hoje em dia é um desafio. Viver nos dias atuais é ter de conviver com a dor da perda, com a eterna saudade que não nos abandonará jamais. Se por um lado temos acesso a mais músicas, com elas vêm as lembranças dos grandes homens e mulheres que estão nos deixando sós - e cada dia numa proporção ainda maior.

Pelo menos agora Levon Helm está descansando. Se existir mesmo um outro lado, ele estará feliz junto Rick e Richard, além de tantos outros amigos que já se foram. Mas apesar de tudo, o legado de Helm e da banda continua aí. Estas lembranças que nos vem em forma de música vão continuar a mudar nossas vidas, e a mudar as vidas de muitas outras pessoas que ainda estão por nascer. E essa é a beleza da existência.

Ficam aqui meus pêsames à família de Levon, a todos os seus amigos e fãs. Descanse em paz, eterno mestre.


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