Após o excelente homônimo, cuja sonoridade foi um tanto diferente do catálogo da banda até o momento, o Velvet Underground traz algumas mudanças, de novo, ao seu som, tornando-lhe mais agressivo, porém mantendo os timbres limpos, o que culmina numa mistura que remete às canções mais "normais" do debut. Com essas mudanças, vêm o novo estilo vocal de Lou Reed, mais "engraçadinho" em suas performances, para bem ou para mal, e o foco mais folk da maioria das letras, mostrando uma apreciação por narrativas tanto em terceira, quanto em primeira pessoa envolvendo personagens, objetos e locais com nomes próprios, os quais conferem um caráter mais literário e referencial a estas.
Porém, ao mesmo tempo em que essas adições enriquecedoras foram implementadas, perdeu-se muito do peso e das nuances encontradas em composições anteriores. O próprio título do álbum, Loaded, refere à demanda da produtora de que a banda fizesse músicas mais "diretas", com a intenção destas acabarem virando singles. O que, felizmente, não arruina a qualidade das músicas, porém deixa muitas delas soando ocas e dispensáveis, como, por exemplo, "I Found A Reason", cuja versão demo, gravada ao estilo country-folk, deixa uma impressão melhor que a da própria versão final, que soa como uma reprodução um tanto estéril das confissões gospel do álbum anterior.
Quanto ao bom de Loaded, as duas músicas verdadeiramente singles em sua essência, "Sweet Jane" e "Rock and Roll", são delícias pop com ótimas melodias e ritmos que nem mesmo a jocosidade às vezes exagerada de Lou Reed estraga. "Oh! Sweet Nuthin'" é uma boa canção, também, porém não ótima, pois seus solos meio country, coro contido e estrutura a la "Hey Jude" ou "You Can't Always Get What You Want" falham a transcender a esterilidade geral do álbum.
Loaded acaba não sendo a despedida merecida da banda - tanto por perder muito do que tornava o Velvet Underground interessante no passado, quanto por ter sido seguido pelo desastre encabeçado por Doug Yule e os produtores, Squeeze -, mas (sempre há um mas) merece algumas ouvidas, por mais que em menor quantidade em relação às obras passadas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário