quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

The Velvet Underground - The Velvet Underground (1969)

Oi. Quanto tempo. Então...




    Sem John Cale, que perdeu a briga com Lou Reed pela direção artística e musical da banda, foram-se as distorções e o pequeno avant-garde do seu som. Agora, as baladas de Reed predominam - não o pior, porém. Muito pelo contrário - na opinião do (que tenta ser) humilde autor, The Velvet Underground é, sem sombra de dúvida, a melhor obra dentre uma ótima discografia, com apenas uma maçã podre, que, a favor dos propósitos desta série de artigos, não existe.
    A abertura do álbum é uma das mais corajosas e anti-comerciais vistas na história do rock. Embora não sendo a música mais lerda, "Candy Says" surpreende após um White Light/White Heat com um pancadão inicial ao agradar os ouvidos alheios com lindas melodias arpegiadas pela dupla de guitarras de Lou e Sterling Morrison e cantadas pela suavíssima voz do "substituto" de John Cale, o baixista Doug Yule.




    Segue-se com "What Goes On", uma música mais rápida, mais "rock", porém nem tanto. Junto com "I'm Set Free" - cujas confissões poéticas, mas mesmo assim um tanto pastorais, de Reed poderiam facilmente caracterizar uma balada gospel se acompanhadas de um coro de verdade -, esta é um bom exemplo da aura etérea e relaxada transmitida pela instrumentação limpa, porém abafada na medida certa, e os vocais honestos e suaves. A combinação de beleza com distorção dos álbums anteriores retorna nesta faixa, com um solo que complementa estranhamente a groove agradável e o órgão gospelizante, soando como o gralhar de uma gaita de foles passado através de um pedal de distorção. Tal mistura - o agressivo com o bonito - só retorna na penúltima faixa, "The Murder Mystery", que alterna ritmos frenéticos que provêm o fundo para leituras de poesia com interlúdios melódicos por parte de Doug Yule e da baterista Maureen Tucker, em seu debut como vocal.





    Vale também mencionar o trio de músicas lentas após "What Goes On": "Some Kinda Love", uma faixa um tanto meditativa graças ao quase-drone (uma nota repetida constantemente ao longo da canção, artimanha utilizada bastante por John Cale) das guitarras e do canto sedado de Reed; "Pale Blue Eyes", cuja sonoridade contida não esconde o sentimento de um amor perdido e "Jesus", que soa muito bem como a confissão de alguém no fundo do poço. Juntas, estas formam uma progressão curiosa: passam tematicamente pela alegria de um amor sem compromisso, a enfatuação e a perda, e, possivelmente, a depressão e auto-destruição resultantes - cada música é mais devagar que a outra, também. É um fato que o Velvet Underground sempre teve músicas devagares, mas nunca tão vulneráveis e pessoais quanto neste álbum.
    Fechando esse conjunto de músicas que podiam muito bem ter sido gravadas por almas penadas em rumo ao céu, "After Hours", cantada por Maureen Tucker, é a música mais "bonitinha" do repertório dos Velvets. Constituída por um violão e o cantar desafinado de Maureen - que auxilia o tom pessoal da composição -, ela também é uma de suas músicas mais mórbidas. "Heroin" pode ter assustado ao descrever o uso de drogas e a apatia total consequente, mas "After Hours" fala da morte em si, do esquecimento e da solidão.





    Embora a perda de Cale, de acordo com o mesmo, tenha a sua dramaticidade exagerada, ela foi certamente um momento de fôlego para o Velvet Underground, deixando a banda ser mais honesta e abandonar suas pretensões mais abrasivas. O resultado disso é uma coleção de ótimas músicas com ricas texturas sonoras, que convidam quem ouve a relaxar e a ser embalado, mesmo em seus momentos ligeiramente agressivos.

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    Baixar aqui. Está inclusa uma mixagem alternativa do álbum, a chamada "Closet Mix". A senha é whatgoes0n.

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    O próximo álbum, Loaded, é um bicho inteiramente diferente. Uma celebração ao rock ou uma tentativa de vender mais? Veremos.

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