quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Various Artists - Twenty First St. Stomp, The Piano Blues Of St. Louis (2002)

Various Artists - Twenty First St. Stomp, The Piano Blues Of St. Louis (2002) - 320kbps




1 - Stump Johnson - Kind Babe Blues - 2:57
2 - Henry Brown - Henry Brown Blues - 3:00
3 - Mary Johnson - Black Men Blues - 2:58
4 - Sparks Brothers - 4-11-44 - 3:13
5 - Eddie Miller - Good Jelly Blues - 2:54
6 - Peetie Wheatstraw - Ice And Snow Blues - 2:36
7 - Charlie 'Speck' Pertum - Harvest Moon Blues - 2:57
8 - Charles McFadden - Low Down Rounders Blues - 3:25
9 - Roosevelt Sykes - Drinkin' Woman Blues - 2:49
10 - Walter Davis - West Coast Blues - 3:23
11 - Stump Johnson - Don't Give My Lard Away - 2:48
12 - Stump Johnson - Bound To Be A Monkey - 3:05
13 - Henry Brown - Twenty First St. Stomp - 2:43
14 - Eddie Miller - Whoopee - 2:59
15 - Sparks Brothers - East Chicago Blues - 2:47
16 - James Gordon - Neck Bones Blues - 2:59
17 - Dorothy Parker - Steady Grinding Blues - 3:14
18 - Robert Peeples - Fat Greasy Baby - 3:16
19 - Mary Johnson - No Good Town Blues - 2:46
20 - Mary Johnson - Death Cell Blues - 2:58
21 - Tecumseh McDowell - So Called Friend Blues - 3:03
22 - Milton Sparks - Grinder Man Blues - 3:17
23 - Sparks Brothers - 61 Highway - 3:11


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Twenty First Street Stomp, The Piano Blues of St Louis é mais uma coletânea sólida organizada pela Yazoo Records, gravadora especialidade em empreitadas do gênero. A coletânea reúne alguns dos nomes mais fundamentais do piano blues de St. Louis, ajudando a reconstruir algumas das experiências que deram forma ao som associado à cidade. Sem dúvida, vale a pena conferir. Abaixo segue um trecho explicativo extraído do booklet e traduzido:

"St. Louis já era uma cidade dominada pelos pianos muito antes da subida blues à proeminência. Ao final da década de 1890, o ragtime estava a todo vapor, e muitos desses famosos pianistas de ragtime, incluindo Scott Joplin, Tom Turpin e Louis Chauvin fizeram de St. Louis a sua cidade. A influente casa de publicação de ragtime, John Stark & Son, também teve o seu quartel general instalado em St. Louis de 1900 a 1927, exceto por alguns anos em que Stark tentou sua sorte em Nova Iorque. Através de toda a América e mesmo além, as vendas de partituras eram massivas e introduziram inúmeros iniciantes no ragtime às composições de Joplin e outros pianistas de St. Louis. Casas como o Turpin's Rosebud Cafe floresciam, assim como outros saloons e lugares mais rudes no distrito de Chestnut Valley, próximos das ruas Chestnut e Market. Muitas dessas casas davam sustento para uma legião de pianistas de ragtime. Entretanto, quando as gravações de blues surgiram em meados dos anos 1920, o ragtime se encontrava em um declínio terminal, mesmo que Stark tenha continuado publicando partituras de ragtime até 1924. O Distrito foi fechado em 1915, muitos professores de ragtime, como Joplin (1917) e Turpin (1922), haviam falecido, e o próprio Stark morreu em 1927. A essa altura, o ataque violento do jazz e de outras formas sincopadas de música popular tinham, inevitavelmente, transformado o som do ragtime em algo ultrapassado.

O blues já estava rodando há um bom tempo já nos anos 20, apesar de ainda não ter alcançado nenhuma forma consagrada. St. Louis Blues (1914) não foi a primeira música de blues a ser publicado (essa honra fica para Aunt Hagar's Blues, publicada em 1910), mas como seu compositor, W.C. Handy, era um grande auto-propagandista, acreditava-se que ela era a original. O próprio Handy assumiu o título de "Pai do Blues", além de ter escrito e promovido muitas músicas de blues junto com sua orquestra e sua companhia de publicação.

Se a popularidade do ragtime foi nutrida pelo negócio de publicação de partituras, então o blues era filho da indústria fonográfica. Já se era o tempo em que era preciso uma ênfase na técnica e no virtuosismo, saber a ler partituras e embarcar em anos de estudo. No seu lugar veio praticamente a antítese: agora se dependia do instinto, confiava-se em emoções cruas e fortes, linhas melódicas expressivas, com esparsos acompanhamentos delicados. Poucos dos pianistas de blues tinham qualquer treinamento formal, e ainda assim alguns de seus feitos se comparam às mais sensíveis e expressivas experiências de qualquer outro gênero. O gramofone forneceu os meios para disseminar essas novas canções e novos estilos de acompanhamento para uma grande audiência, muito além daquela da imediata localidade do artista.

É frequentemente assumido que muitos estilos regionais de blues já existiam através do país nos anos 20, mas hoje devemos temperar essa suposição com o conhecimento de que muito do que saiu em vinil pelas companhias fonográficas era filtrado através de "caçadores de talentos", que ouviam e selecionavam quais músicos deviam ser mandados para os estúdios de gravação. Portanto, um estilo regional pode ser o resultado muito mais do gosto individual do observador de uma gravadora e do que representar a totalidade da música de uma comunidade em particular. Em St. Louis o maior caçador de talentos era Jesse Johnson, proprietário  da Deluxe Music Shoppe no número 2234 da Market Street. St. Louis não tinha seu próprio estúdio de gravação, e portanto Johnson precisava mandar os músicos que havia selecionado para Chicago ou Nova Iorque para que pudessem gravar. Johnson, um proeminente homem de negócios negro, também atuava como agente ou administrador de alguns músicos e é dito que ele chegava a ficar com uma comissão de 50% em alguns casos. Dentre muitas das atividades que Johnson desenvolvia, estavam a promoção de danças em salões de baile e abordo de barcos a vapor, além do agenciamento e agendamento dos shows de algumas populares big bands, como as bandas de Louis Armstrong, Jimmy Lanceford e Duke Ellington, em St. Louis e no centro-oeste do país. Apesar da influência que os gostos pessoais de Johnson claramente exerceram, parece haver pouca dúvida que houve, de fato, uma distinta sonoridade do piano blues em St. Louis, já que mesmo os artistas que não eram gerenciados por Johnson possuíam aquele som oco e a qualidade vibrante que é tão associada com a escola de pianistas de St. Louis." (Excerto do booklet escrito por Bob Hall, tradução livre)

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