quarta-feira, 13 de junho de 2012

Rinoceronte - 08/06/2012

Há por aí um tipo de banda diferente. Enquanto alguns grupos nasceram pro estúdio e não mantém a melhor das relações com o público, outros são justamente o oposto. Mesmo com um sólido trabalho de gravação, dá pra notar que tem gente que quando sobe no palco, se agiganta e vira monstro. Esse é o caso da Rinoceronte, um power trio formado lá em Santa Maria/RS por Paulo Noronha (guitarra/vocal), Vinícius Brum (baixo/voz) e Luiz Enrique "Alemão" (batera). 



Com um som cru e direto, ouvir ao disco dos caras, Nasceu (2010) é como tomar um soco nos tímpanos, levar um tapa na cara da incredulidade. O som de abertura já dá o tom do disco: "O Choque" já começa com peso e sem frescuras - um claro retorno ao velho garage rock de bandas como Grand Funk Railroad, uma das maiores e mais explícitas influências da banda. O disco inteiro segue a mesma linha: guitarras competentes que alternam entre um ritmo empolgante e solos viscerais, o baixo firme e de pegada inconfundível e uma batida forte. "Chaves E Segredos", "Nasceu" e "Furacão" são músicas que poderiam ter encontrado uma recepção calorosa nos idos dos anos 70, auge da cena garageira de Detroit.


Mas como eu dizia no começo, tem gente que nasceu pra ir além do estúdio. Tem cara que exala rock n roll quando sobe num palco. E foi isso que eu pude confirmar na última sexta-feira (08/06/12). Chegando no Macondo lugar, me assustei com o público presente - não tinha nada a ver com o que eu esperava. Ninguém tinha muita pinta de ser frequentador de shows de rock, ao menos daquele tipo de rock - pesado e cru.


Meu ceticismo permaneceu até que a Rinoceronte subiu ao palco ovacionada emocionadamente. Quando os caras começaram a tocar e Paulo Noronha se pôs a cantar, vi que a galera cantava junto. Fiquei arrepiado. Já fui em alguns shows de rock - admito que bem menos do que gostaria, mas enfim -, mas nunca estive tão empolgado! Tratava-se de uma banda brasileira com som autoral cantado em português... ainda assim, eu me sentia perdido em algum além do espaço e tempo. Quando rolou "Furacão", que descobri naquela noite ser o maior hit da banda junto ao público local, foi uma catárse coletiva. Todo mundo cantou, todo mundo pulou e o mundo tremeu.


As condições técnicas do show não foram as melhores, o som não estava perfeito e o lugar era apertado. Mas quem liga? O rock n roll estava lá se mostrando pra todo mundo. Ele não morreu, ele não fugiu - antes pelo contrário. Ele vive também em Santa Maria e se reatualia sob a batuta de três caras que eu já começo a considerar como geniais. Naquela noite de sexta-feira, em meio à cerveja e ótima música, descobri uma coisa: Rinoceronte é mais do que rock, já é patrimônio daquela cidade. Paulo, Vinícius e Luiz Henrique podem se orgulhar do que fazem - e se isso faz alguma diferença, agora seguem em frente com as bençãos do For Old Times!

Quem quiser conferir o material dos caras, pode encontrar tudo disponível de graça na Trama Virtual.
Segue também link para o Facebook: Rinoceronte Rock

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