terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Frank Zappa - Hot Rats (1969)




Frank Zappa. Quando se pensa nele, vêm a mente o humor satírico e as esquisitices musicais - barulhos irritantes e ritmos estranhos - característicos da maioria da sua carreira. Seu segundo álbum solo, Hot Rats, entretanto, abandona a maioria das bizarrices, preferindo composições mais diretas, porém ainda com variações sonoras diversas e um ar hilário de ingenuidade nas melodias e nos títulos das músicas (assim como na letra da única música com vocais no álbum, que será vista a seguir).

Começando com o que merecidamente virou um standard do jazz fusion, "Peaches En Regalia", Zappa executa, com a ajuda de Ian Underwood, uma cena para um “filme para seus ouvidos”, de acordo com as suas próprias palavras. Durante três minutos, os instrumentos aparentemente dialogam através de timbres e melodias diferentes, levando o ouvido alheio longe em tão pouco tempo.





Segue-se com o outro grande destaque do álbum, “Willie the Pimp”, uma longa jam introduzida por vocais engraçadíssimos de Captain Beefheart, amigo e também rival de Zappa na sua estranheza. Depois disso, a música abandona a estrutura da introdução e dissolve-se num incrível solo de guitarra que dura cerca de sete minutos, mas nunca deixa de agradar, o que é surpreendente - apesar dos dezesseis minutos da outra faixa jam do álbum, “The Gumbo Variations”, também não desapontar, embora esta seja menos interessante.





“Son of Mr. Green Genes”, “Little Umbrellas” e “It Must Be A Camel” continuam a temática da faixa inicial, todos instrumentais com solos variados. A primeira é um remake/continuação de uma música lançada no mesmo ano pela outra banda de Zappa, os Mothers of Invention, que transforma e estende o jazz/pop cantado original num épico decididamente mais pomposo e menos contido. As outras duas, na opinião do autor, são menos memoráveis (e também as faixas mais jazz do álbum, não que isso seja em detrimento das suas qualidades), e talvez servissem melhor como interlúdios, para o bem da intenção de Zappa de apresentar algo com um roteiro ao estilo do cinema, apesar da possibilidade do álbum ser entendido não-linearmente.

Possivelmente o álbum mais acessível de Frank Zappa, e por um bom motivo, Hot Rats é uma gema da música (predominantemente) instrumental, apresentando uma deliciosa consistência ao transmitir seu filme sonoro, com suas diversas cenas – o vulgar urbano do cafetão e seus ratos quentes, o contido e dissonante, a pompa e a ingenuidade – ao ouvinte.


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