sexta-feira, 2 de março de 2012

Dr John - Gris-Gris (1968)

Dr John - Gris-Gris (1968) - 320kbps




1 - Gris-Gris Gumbo Ya Ya - 5:36
2 - Danse Kalinda Ba Doom - 3:39
3 - Mama Roux - 2:58
4 - Danse Fambeaux - 4:55
5 - Croker Courtbullion - 6:00
6 - Jump Sturdy - 2:20
7 - I Walk On Guilded Splinters - 7:38


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Mac Rabennack era uma figura conhecida no cenário musical de Nova Orleans desde o final dos anos 50 como guitarrista de estúdio, num primeiro momento. Para largar a guitarra, foi necessário envolver-se numa briga para salvar um amigo de longa data e levar um tiro no dedo anelar esquerdo.

Com o fim de seus dias guitarrísticos, Mac assumiu o contrabaixo por um tempo e depois se mudou para seu instrumento definitivo, o piano. Quando encontrou o instrumento certo, também não tardou a achar a influência certa para seu estilo: um pianista local (e uma lenda do blues), Professor Longhair.


Em 1965, nosso caro doutor teve que dar o fora da cidade crescente depois de se meter em alguns problemas com a lei. O destino: Los Angeles. Mas ele não estava só - lá residiam vários músicos originários de Nova Orleans que foram fundamentais tanto para o desenvolvimento da cena californiana quanto da carreira de Mac nas terras ensolaradas do oeste.

Por um tempo, ele se manteve como músico de apoio e gravou com nomes de peso, como Canned Heat e Sonny & Cher (chegou, inclusive, a participar da trilha sonora do primeiro filme da atriz). Mas isso já não era mais suficiente para o doutor (que ainda não era doutor).


Mac, sob a batuta do produtor Harold Battiste, lançou sua carreira solo sob o personagem chamado Dr John. O jovem Malcom tirou o seu nome artístico de um praticante de voodoo de sua terra natal, Dr John Montaine. E esta escolha não foi à toa - Mac Rabennack escolheu o pseudônimo perfeito para representar o que viria a ser sua música. Junto da música, também não podemos esquecer seu visual, que também tem a influência de um grande músico americano: Screamin' Jay Hawkins. 

O disco de estreia de Dr John, Gris-Gris, reuniu elementos de cânticos voodoo, ritmos tradicionais do R&B de Nova Orleans, jazz e até rock psicodélico. Um clima muito louco que não foi bem aceito na época - nas palavras do cabeça da Atlantic Records: "Como vou vender essa porcaria boogaloo?" - e o cara até não estava tão errado. O álbum não entrou nas paradas de sucesso americanas, nem nas britânicas.

Demorou para que o som viajado de Gris-Gris fosse aceito pelo público E pela crítica. Somente quando o disco foi relançado como cd, muitos anos mais tarde, que um olhar diferenciado foi dado à uma das obras-primas de Dr John. Desde sua redescoberta, Gris-Gris já recebeu ótimas notas (5 estrelas do site Allmusic, 4 estrelas da revista Rolling Stone) e também foi includído na lista dos 500 melhores álbuns da história da revista Rolling Stone (entrou na 143º posição!)


Mas voltando ao disco em si, ele traz basicamente composições próprias do doutor, algumas com a participação de Battiste, que retratam o voodoo ("gris-gris" é uma gíria da Cidade Crescente para "voodoo") e a diversidade étnica de Nova Orleans. Com climas ora soturnos, ora alegres, o álbum  é uma celebração ao Mardi Gras, às tradições indígenas, às influências caribenhas e a todas as práticas religiosas que convivem na Louisiana.

Meus destaques vão para a faixa de abertura, "Gris-Gris Gumbo Ya Ya", além de "Mama Roux", "Danse Fambeaux" - e a canção que ficou mais conhecida, "I Walk On Guilded Splinters", que recebeu diversos covers, entre eles de Johnny Jenkins (versão que está na Anthology de Duane Allman).

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