quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Divulgação 4oldtimes - Viktor V. e a Alegria Plástica

E aí, galera! Antes do post em si, preciso dar algumas explicações. É o seguinte: estou abrindo um espaço no blog pra divulgar bandas independentes que estejam querendo divulgar seu trabalho. A princípio, estou fazendo algumas entrevistas com pessoas do meu convívio e cujo trabalho eu conheço até certo ponto, mas estamos abrindo pra quem quiser enviar seu material. Peço só um pouco de bom senso pra galera, mandem material que tenha a ver com o blog, né? ahhaha

Então, a entrevista de hoje é com o Viktor V., músico aqui da minha cidade (São Leopoldo, Rio Grande do Sul). O cara tá nessa vida de música há bastante tempo e vai nos contar como entrou nessa fria e o que tem feito recentemente. Então, suponho que é melhor deixar o cara falar por si mesmo:


Bom, vamos pelo começar pelo começo: como tu entrou nesse lance de ser músico, Viktor?

Pois é cara, faz tempo isso (hehe). Comecei a me interessar por música por conta do meu pai. Eu era ainda muito criança quando um dia ele apareceu em casa com um violão gianinni folk ‘77. Engraçado que eu ainda lembre bem disso. Meu pai tocava muito pouco e conhecia uma meia dúzia de notas, mas foi ele quem me ensinou o dó, fá, sol e a gostar do instrumento. Guardo esse violão com cuidado até hoje porque ele tem uma simbologia muito forte pra mim. Como sou nascido em 77 é muito legal pensar que tenho um instrumento que foi feito junto comigo e relembrar momentos da minha infância em sulcos e arranhões que deixei nele quando meu pai se descuidava e deixava-o ao meu alcance.

Então, lá pelos meados de 85, creio eu, numa excursão de colégio fui a Porto Alegre conhecer a fábrica da Pepsi. Naquele tempo a Pepsi tinha uma parceria com o Michael Jackson e acabei voltando pra casa com um pôster e um E.P do cara. Aquilo sim virou minha cabeça, fiquei fanático. Ouvia repetidas vezes, decorava as letras, copiava o jeito dele de cantar, infernizava os vizinhos. Tenho ele (o E.P.) ainda. “Thriller” e “Human Nature” no lado A, “Beat It”e “Billie Jean” no lado B. Em 87, ganhei da minha madrinha o vinil Bad que devo ter tocado umas mil vezes no meu toca discos. Então posso dizer que devo minha inspiração ao meu pai e a Pepsi, hehehe.. Esses fatos que desencadearam em mim uma vontade muito forte de trabalhar com música e composição.


Então, me fala mais das tuas influências aí!


Montei minha primeira banda lá pelos 16, 17 anos com amigos do bairro. Tudo era muito precário. Ninguém tinha um instrumento decente, eu tinha uma guitarra Tonante e uma caixa Frahn multiuso, daquelas que toca tudo e não serve pra nada ao mesmo tempo. Pedal de distorção era uma coisa além da realidade. Meu vizinho, o baixista, tinha uma pilha de revistas de eletrônica do pai dele, catamos algumas que tinha projetos de amplificador e pedal de distorção, fazíamos os nosso próprios pedais em saboneteiras e os acordes só soavam um pouco aceitáveis se fizéssemos acordes fechados, aí que entrou os Ramones na história. Não é uma história muito incomum, os Ramones são culpados por muita gente estar aí na estrada. Minha primeira banda com trabalho autoral, a Tack Ups, tinha uma influência muito grande de punk. Chegamos a fazer parte de uma coletânea do estilo chamada Punkadaria. Outro dia uma amiga que mora no Rio de Janeiro me mostrou uma foto desse disco numa exposição em um museu sobre o movimento punk nos anos 90. Legal, mas fiquei pensando: Que movimento? He he...


Já minha segunda banda, Florbela Espanca, tinha uma pegada mais grunge. Gosto muito do rock dos anos 90 e da galera de Seattle, posso dizer que foi o som que eu vivi na minha adolescência e é uma influência natural. Acho que outras influências que poderia citar seriam o Smashing Pumpkins e o Foo Fighters, de lances mais atuais. Embora tenha muita coisa atuando indiretamente também. A estética do filme Pink Floyd The Wall, por exemplo, teve uma influência enorme em várias de minhas composições. Muita coisa me influencia e reflete musicalmente. As situações que vivi, pessoas que conheço, momentos diferentes da vida. Minha música Ficando Rouco, por exemplo, é sobre uma antiga namorada que faleceu. Ela é single do meu trabalho próprio, tem um videoclipe engraçado de desenho, pouca gente percebe, mas ela fala disso. E foi um momento muito difícil da minha vida.


E o trabalho autoral? Tu sempre esteve nas pilhas de compor, ou foi uma coisa mais recente na carreira?


Eu sempre compus e fazia a maioria dos arranjos das músicas das minhas bandas. Tem uma música, “Espinhos No caminho E Flores Ao Redor” que regravei agora pro meu disco solo que tem mais de quinze anos. A Florbela Espanca também teve início a partir de um E.P que gravei sozinho em casa.


Falando em composição, explica aí pra gente o que tu tem feito recentemente, cara!


Então, desde o começo do ano estou trabalhando no meu primeiro lançamento solo, é um trabalho diferente porque é um disco onde sou responsável por toda a concepção. Gravei todos os instrumentos, mixei e masterizei tudo sozinho, em casa no meu Home Studio. O disco vai se chamar Viktor V. e a Alegria Plástica e será um grande apanhado das minhas composições revisitadas. Todas as composições são minhas com exceção da faixa, “O Homem Rock N’ Roll” que é uma antiga composição do meu amigo Éverton Cidade, mítico vocalista da Viana Moog, ha ha.. Pretendo lançá-lo no começo do próximo ano e tem sido um barato trabalhar nele. É um disco muito sincero e reflete muito de mim.



Então, quem quiser conhecer teu trabalho e entrar em contato pra trocar umas ideias ou pra agendar show, te procura aonde?


Ok, primeiramente gostaria de agradecer ao For Old Times pelo espaço. Quem quiser ouvir um pouco das pré-produções do disco pode acessar o meu blog Alegria Plástica.

Ali também tem links pra tudo que eu tenho na internet. Quem quiser trocar idéias, por favor, entre em contato. É muito importante pra mim e me sinto muito gratificado em poder conversar com quem curte minhas músicas, principalmente com a galera que eu não conheço. Os shows ainda não estão rolando, mas depois do lançamento do CD estarei certamente na estrada mostrando o som a todo volume!



E esse foi Viktor V, músico capilé! Fico grato por ele ter aceitado ser minha primeira cobaia nessa parada de entrevista. Um abraço, galera!


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