Como meus amigos já sabem, minha namorada mora em outra cidade (Santa Maria, Rio Grande do Sul). E nesse lance de redes sociais, conheci um cara lá da cidade da Laila que trabalha na rádio Itapema FM de Santa Maria, o senhor Márcio Grings. Conversa vai, conversa vem (tudo via internet) e nós começamos a manter uma boa relação de "amizade" virtual, falando direto sobre música e literatura.
Numa ocasião destas em que estive por lá visitando minha amada, aconteceu de a Itapema estar promovendo um festival em homenagem ao Dia Mundial do Rock; neste dia conheci o Márcio, enfim, quando ele tava apresentando o evento. Depois deste primeiro encontro, a gente começou a trocar mais e mais ideias sobre música. E foi então que o Márcio me falou que estava montando uma banda nova. Eu já conhecia o trabalho que ele tinha desenvolvido com a banda Red House (um blues muito fino) e estava curioso para ver o que sairia.
Em outras destas idas, fomos ao show da banda Memphis, que serviria de base para a vindoura Jack of Hearts. A primeira impressão não podia ser melhor: um som coeso e inspirado, fazendo covers de ótimas canções. Algo que muito me impressionou foi o trabalho dos vocais da banda, eram muito bem afinados e coordenados. A partir desse ponto, eu mal podia esperar para ver como seria a banda nova de Márcio, que também contaria com o ótimo vocalista Lennon Schvarcz (Memphis), o criativo guitarrista Guilherme Zanini (Memphis), o elétrico tecladista (e vocalista) Adriano Taques (Memphis), além de Ricardo Nicoloso nas baquetas e Rodrigo Cassuli completando a cozinha no baixo.
Antes de eu ouvi-los pela primeira vez, tive informações de que se tratava de uma grande banda: minha namorada, Laila, esteve em um show no bar Moto Garage (15/10). Como ela sabe que eu sou muito chato, ela fez questão de gravar a interpretação de Night They Drove Old Dixie Down que a Jack of Hearts fez naquela noite. Eu fiquei simplesmente estupefato (especialmente porque The Band é minha banda favorita)!
O começo do grupo já veio com uma proposta bastante interessante: não seriam apenas mais uma banda para animar festas, eles queriam mais. Queriam um som autoral, inspirado pela estética sonora dos anos 60 e 70, num clima que mistura muito bem o rock, o folk, o country, o blues e até mesmo o soul. O início das composições veio com algumas sobras de estúdio da Red House, sons de autoria de Grings e Rodrigo Ardais. A partir destas pérolas, o esboço do repertório estava ficando perfeito.
E essa relação de tietagem que eu comecei a desenvolver para com o pessoal da Jack of Hearts só veio a aumentar quando o Márcio me falou que uma das minhas letras que eu havia enviado para ele viraria música. Novamente, mal pude conter a ansiedade. Eu contava os dias para ver o resultado final: era a primeira vez que uma banda comporia algum material meu.
Quando vi o vídeo gravado no terraço do bar Macondo Lugar no dia 9/11, foi amor à primeira ouvida. Acho que eu nunca tinha gostado tanto de algo que eu tivesse escrito! Mas a verdadeira apoteose veio alguns dias depois quando pude ir a um concerto da banda, num clima bem intimista, no Boteco do Rosário (17/11).
Desfilando um setlist de covers como Tiny Dancer, Odds & Ends e Someday Never Comes, os caras ainda conseguiram mandar muito bem com seu segundo set de 13 músicas autorais. Delas todas, destaco algumas pra vocês sacarem a qualidade que esses cidadãos do centro do estado trouxeram ao rock gaúcho: Romance, Love Is Not Too Fair, Traces of Son House e também Before I Hit The Road (aquela letra que eu havia falado, lembram? =D). Um toque digno dos gringos nos quais eles se inspiram, eu diria!
Atualmente a Jack of Hearts está em processo de levantar fundos pra gravar seu álbum. As gravações devem começar em janeiro e compõe um projeto bastante bacana e também ousado: a banda quer lançar um LP, um EP com 4 canções e 2 clipes, uma cerveja (sim, uma cerveja!) e também um livro. Eu já estou colocando este trabalho deles praticamente no mesmo patamar que o "Do Seu Amor Primeiro É Você Quem Precisa, do Gustavo Telles com seus Escolhidos. Se nós vivêssemos num país onde as oportunidades musicais fossem iguais para todos os estilos, esses rapazes certamente teriam a chance de ser respeitados como deveriam!
E para aqueles que sabem que eu sou muito enfático para falar do que eu gosto e quiserem conferir se a banda é realmente tão boa assim, segue o link para vocês sacarem áudio, vídeo, agenda de shows e afins: http://jackofheartsband.blogspot.com




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