Dom Salvador e Abolição - Sangue, Suor e Raça (1971) - VBR
1 - Uma Vida - 2:47
2 - Guanabara - 3:11
3 - Hei! Você - 2:32
4 - Som, Sangue E Raça - 2:44
5 - Tema Pro Gaguinho - 2:27
6 - O Rio - 3:58
7 - Evo - 3:04
8 - Number One - 3:41
9 - Folia De Reis - 2:28
10 - Moeda, Reza E Cor - 3:21
11 - Samba do Malandrinho - 2:25
12 - Tio Macrô - 2:15
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Dom Salvador é um desses casos que a gente tem aí pelo mundo: brasileiro talentosíssimo que por aqui, pelo jeito, já não recebe mais muita atenção nossa. Talvez isso se deva ao fato de ele ter nos "abandonado", já que o cara se mandou pros Estados Unidos ainda no começo dos anos 70, mas talvez seja um pouco de sacanagem da nossa parte. De qualquer forma, hoje é dia de saber um pouco mais sobre esse cara e sua brilhante obra junto ao Grupo Abolição, "Sangue, Suor E Raça", lançada em 1971, ano de sua partida definitiva para o continente norte-americano.
Nascido Salvador da Silva Filho em 1938, aos 12 anos já tocava piano e integrava a orquestra da cidade de Rio Claro, interior de São Paulo. No início dos anos 60, com sua ida pro Rio de Janeiro, integrou-se ao efervescente cenário de jazz que brotava na cidade e que dava início ao movimento da bossa nova. Dom Salvador acabou se tornando uma figura chave nesse processo, ainda que isso nos soe um tanto estranho. Como músico de apoio, pôs seus dedos a serviço de Elis Regina, Quarteto em Cy, Jorge Ben, Elza Soares, e outros tantos. Com essa gente toda, o nosso bom Dom viajou a Europa e os Estados Unidos.
Do começo bem jazzy, integrando grupos como Copa Trio, Salvador Trio e Rio 65 Trio ao longo dos anos 60, Dom Salvador de uma certa guinada na carreira ao montar o já referido grupo Abolição. Composto por muitos músicos que viriam a formar a Banda Black Rio e o movimento de mesmo nome, o grupo integrou toques de soul, com um groove bastante característico (já dá pra sentir algo da futura Black Rio ali), ao repertório de jazz e bossa nova de seu mentor e líder, o nosso Dom. Os integrantes do Abolição eram: Dom Salvador (piano e acordeom), Mariá (voz), José Carlos (guitarra), Luís Carlos (bateria e voz), Rubão Sabino (baixo), Oberdan (sax-tenor e flauta), Darci (trompete) e Serginho (trombone).
Com temas que remetem à malandragem, ao Rio de Janeiro e à raça (como sugere o nome), o que temos em "Sangue, Suor e Raça" é, em parte, uma defesa, ainda que meio discreta, da identidade negra de Salvador da Silva Filho e de todos os outros integrantes da banda. Mas, acima disso, essa é uma verdadeira pérola da música brasileira que tem poder de te colocar pra dançar recorrendo a sons e ritmos típicos do samba. "Guanabara", "O Rio" e "Samba do Malandrinho" são exemplos muito bem acabados dessas peças instrumentais que pipocam por toda a extensão do disco. Mas talvez a melhor faixa de todo o álbum seja justamente a de abertura: "Uma Vida", tema belíssimo que conta com o vocal de Luis Carlos e soa como um precursor do rap nacional ainda no ano de 71.
Fica aí a sugestão, moçada!

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