Bettye Lavette - A Woman Like Me (2003) - 256kbps
1 - Serves Him Wright - 4:19
2 - The Forecast - 5:02
3 - Thru The Winter - 5:49
4 - Right Next Door - 4:30
5 - When The Blues Catch Up To You - 4:44
6 - Thinkin' Bout You - 5:00
7 - A Woman Like Me - 5:53
8 - It Ain't Worth It After A While - 5:21
9 - When A Woman's Had Enough
10 - Salt On My Wounds - 4:39
11 - Close As I'll Get To Heaven - 4:55
12 - Hey, Hey Baby (Bettye's Blues) - 4:18
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Bettye Lavette é uma dessas pessoas injustiçadas pelo mundo da música. Dotada de uma voz poderosa - que pode rivalizar com as de uma Etta James ou de uma Mavis Staples, por exemplo - e de uma incrível versatilidade, nossa cantora nunca recebeu, até recentemente, as devidas oportunidades de mostrar o seu trabalho consistente e de qualidade. Agora, maturada pelos anos, como um bom vinho, Lavette está aí para nos tocar o coração. Podemos dizer que Bettye se encaixa num movimento de "redescoberta" semelhante ao que ocorreu com Sharon Jones, que também só conseguiu chegar ao sucesso já com uma certa idade, e também, embora só depois das duas supracitadas senhoras, Charles Bradley e Lee Fields. Assim como Jones, Bradley e Fields, o estilo de Bettye Lavette foi muito beneficiado pela experiência que só os anos podem conferir, tornando sua voz num instrumento que reflete a vida humana quase em sua totalidade - seja na dor, na alegria, na doença ou no amor.
A Woman Like Me foi seu primeiro disco de estúdio desde há muito tempo, já que seu único álbum propriamente lançado foi Tell Me A Lie, que saiu pela Motown em 82. Neste trabalho, Bettye agarra a chance que lhe é dada com unhas e dentes e mostra o quão lutadora pode ser com um microfone na mão - nas palavras de Hal Hollowitz, do site Allmusic, ela geme, grita, uiva, ruge e implora em A Woman Like Me. Em 12 faixas, produzidas por Dennis Walker (que já havia trabalhado com Robert Cray), a cantora saída de Detroit transita entre o blues, o R&B clássico e o soul dos anos 60 e 70.
A temática, como não poderia deixar de ser em um álbum deste calibre, envolve o ser humano; suas paixões, mais especificamente, como a maioria dos bons discos de soul. Na faixa de abertura, "Serves Him Right", um R&B mais levado para o blues, Lavette já começa com força, mandando pro inferno o cara que lhe partir o coração. Já em "When The Blues Catch Up To You", o negócio é um blues direto e reto, feito nos moldes de chamado e resposta, com uma bela guitarra atendendo aos apelos de Bettye. Há, ainda, canções sensíveis como "Thinkin' 'Bout You" e "Salt On My Wounds"; faixas com linhas de baixo com um groove matador, como "When A Woman's Had Enough"; e ainda mais blues, como a excelentíssima "Hey, Hey Baby (Betty's Blues)". Enfim, é um disco completo, uma experiência que engloba vários geêeros e os torna uma parte essencial do ser de Bettye Lavette.

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